Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
queria a noite
que a tarde dormisse
no colo do mundo
em que, triste
fechava os olhos
e sem saber como
nesse esconde-esconde
a noite engolia a tarde
como o hoje
engolia o ontem
o menino,
enganava-se do tempo
à espera do sono
dê-se o futuro
humano brinquedo
construção do tempo
em seu enredo
corrida dos fatos
montados no desejo
dê-se o futuro
estrada profunda
no vão militante
em que se cumpra
a vida habite-se no tempo
nos passos da luta
o poema
dá-se ao âmbito
de estar entre o poeta
e seu sono
confronto belicoso
do verbo insurgente
contra o homem
a palavra
íntima astronauta
atiça no pensar
cócegas na alma
o verbo tem-se riso
mesmo lágrima
da liberdade
nada será tanto
em contraponto
ao que de quanto
esteja pronta
a matéria humana
em ter-se quanta
na prontidão
dessa militância
razão de construir-se
nessa vontade
de dar-se coletiva
à construção da liberdade
o tamanho da vida
palmos que decida
traz o homem autor
em cada medida
as que meça de si
as que teça coletiva
construí-las em tanto
exato figurante
régua de seus palmos
léguas que demande
fita métrica do quanto
esteja em si militante
o camarada Ari
quando sonhava
punha no gesto
o partido e a alma
tudo de onírico
era tarefa dada
o camarada Ari
quando acordava
era um apparatchik
da madrugada
já vinha do sono
sempre camarada
o cacto
engolindo o sol
pelos espinhos
abraça a terra
como ofício
íntima defesa
em que se afirma
o homem
dado ao sertão
nos cactos da vida
engana os espinhos
nos sóis que cria
íntima compleição
da humana corrida
a resposta
encabulada
indaga a pergunta
em que se cala
a dúvida
ainda intrometida
tange a certeza
pela vida
o homem
como indagado
esconde em si
cada fala
a resposta dialética
no verbo que lavra
pergunta a si mesma
o rumo das palavras
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.