Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
atrás dos sentidos
a razão nem cogita
ensimesmar-se dúvida
na certeza que tramita
destes rasgos humanos
justapostos na vida
antes negocia
um sentir infinito
em todos os detalhes
dos metros que milita
os sentidos dizem
as léguas todas de si
que a razão admite
nada como sonhar a vida
dormi-la em fatos
e consumi-la
guardada a proporção
que a verdade consinta
nas passeatas de tanto
que as ruas admitam
tudo que sonhar viva
e na consistência do fato
intensamente reproduza
tudo de tanto como tantos
abraçando o sonho
disseminem a luta
o riso de Clara Charf
era um mar revolto
pulsava a alegria
das ondas todas do povo
tinha a insistência
que a vida admite
humana prontidão
de quem está em riste
o riso de Clara
assim do quanto falava
era manifesto
e camarada
a vida
docente voluntária
ministra nos quadros
as cenas da aula
as que finca na carne
as que tatua na alma
as reticências
na humana fala
projetam as dúvidas
no vão de suas salas
a praça, no entanto,
em cada futuro,
constrói pelo tempo
o colégio do mundo
o samba
é uma África escondida
beliscando na história
compassos da vida
é negra tormenta
rio do sentimento
batuque desembestado
onde o povo se consente
é tambor transeunte
das ruas todas da gente
nos passos que o povo dá
quando em si impunemente
o samba entorna o mundo
como fosse uma corrente
a vida é manifesto
discurso amordaçado
retórica de gestos
a vida é discurso
fala das praças
roçando o futuro
a vida,
teúda e manteúda,
é só um disfarce
da matéria em luta
cabê-la em tanto
como coletiva
é deixar-se quanta
enquanto viva
que a madrugada
composta no tempo
dê-se às manhãs
impunemente
tudo do sol esteja
assim atravessado
beliscando de luz
as noites arquivadas
nos arquivos humanos
dormidos nas calçadas
a vida esteja nas ruas
como luta declarada
gestos dos combatentes
da humana caminhada
onda pelo mundo
instância híbrida
planta a condição
de fingir a vida
humanos
mão de obra
rasgam a si
quando memória
a ciência
pseudo curso
dá-se inadimplência
do futuro
a história ainda em rito
trava a corrente incauta
tangendo urgentes braços
apontando o infinito
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.