Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
motorista da vida
cegonha fictícia
Dinalva voava as mãos
o tempo, asas e vaginas
acostumada em tanto
da humana instância
Dinalva instrumentava
o parto como dança
do vão de seus braços
assim como alavancas
a matéria pulsante
deixava-se criança
o parto havia Dinalva
como bailarina circunstância
infante rastro em tudo
palco grávido do mundo
contumaz navegante
dou-me ao exercício
de construir meus mares
como civil ofício
submarino de mim
milito a vontade
na naval contingência
da liberdade
os navios do tempo
porventura encalhados
teimam na consciência
como uma saudade
o foro da minha resistência
são as ondas em que caibo
a vida
assim lavrada
pesa mais
que a palavra
dize-la como tanta
verbo ilusório
denega ilações
músculo retórico
a vida dá-se discurso
como fato cogente
revoada de atos
da matéria vivente
a vida constrói em si
palavras que sente
verbos construídos
daquilo que consente
espaço de quando
tempo de onde
a vida embaralha
quando tanta
inventa caminhos
joga-se planta
projeto reticente
da gestão humana
interlúdio vital
matéria lúdica
da vazão coletiva
de sua música
a vida é brinquedo exato
de quem a luta
a vontade
desejo militante
régua da vida
posta no homem
mede os fatos
que confronte
dizê-la avante
remonta a vida
futuros que ata
vínculos temporais
soltos na estrada
o desejo é larga seta
cravada na alma
o beija-flor
lúdico astronauta
finge-se helicóptero
como tática
as flores
em seus descuidos
jogam o beija-flor
em suas culpas
essa mania intensa
de bica-las avulsas
pássaro e vegetal
matéria em rito
brincam de vida
montados no infinito
a história
marcha o tempo
no caderno da vida
construção da matéria
lapso humano
de suas investidas
o homem
traçado nas ruas
constrói nos passos
as léguas da luta
bordando nos fatos
aquilo que construa
a história é o compasso
na pauta de sua música
a vontade
oficina da vida
trama no homem
suas armas
as vias dos fatos
as vias da alma
trança-las
instâncias avulsas
misturam o tempo
em suas culpas
as vindas do homem
as vindas da luta
assim entrelaçadas
joga-las no mundo
coletiva senda
é a prontidão de tudo
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.