Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
no bolero de Ravel
o infinito se alarga
enche de cosmos
o chão da alma
foguetes bemóis
fusas disfarçadas
o som engravida
o útero do nada
os ouvidos apenas riem
o que a vida declara
as palavras
voam no poeta,
nave indefesa,
rusga verbal
a que se presta
o verbo
pulsando a fala
joga o poeta
em suas valas
dardos inversos
nas estrofes da alma
o poema é acordo
que o homem apalavra
movimento de tanto
véspera de tudo
a matéria solfeja
inventando o mundo
vau da razão
acontecido
o homem luta
ainda véspera de si
a construir-se
no roldão da vida
vagando infinita
a matéria da-se à conta
de sempre insistir-se
o poema
tece a palavra
alinhavo verbal
de sua fala
forja debruns
em sua trama
estar calado
quando chama
verbo e grito
mente-se inerte
mesmo incontido
o poema no poeta
é um sexto sentido
guerrilheiro de mim
dou-me ao exercício
de inventar atalhos
nos meus infinitos
os que ainda ouso
os que apenas sinto
os que me choram
arrahando os sentidos
os que me riem
enfeitando a vida
nada como atalhar-se
nas distâncias construídas
o tambor
sem argumentos
rufa ancestral
a fala do tempo
remói a vida
como usina
urdindo energia
quanto oficina
navega o homem
na sua trama
em ousar do som
chamas na fala
o verbo do tambor
belisca a alma
o vínculo
é estar vivendo
quando morre
é estar morrendo
quando vive
guardada a proporção
todas as ilações
em que se existe
ritmo humano
que persiste
contradição alegre
do que de triste
morrer-se e viver-se
afronta as crises
o tempo
sempre ensina
que não se da à vida
como usina
assim construí-lo
e somente ofício
de quem faz as horas
consigo e coletivo
desmancha-lo avulso
quando pouco
consumí-lo tanto
quando todos
o tempo é só um manifesto
embrulhado de futuro
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.