Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
o genocídio
estrangeiro protocolo
esgana Gaza
a vida e a lógica
podre
em sua notícia
regurgita no mundo
a sanha sionista
a história
humana guerrilheira
arruma no tempo
suas bandeiras
as que tremulam a vida
as que sujam suas teias
o poema em Gaza
da-se arma e gana
o eu lírico engasga
em todas as Palestinas
que se tem na alma
a vontade dos olhos
engole a paisagem
salpica a razão
de todas as saudades
o homem
num tempo arquitetado
pinta de presente
todo seu passado
convencendo o futuro
discursando imagens
a vida
guerrilheira insana
apaga com os olhos
qualquer chama
o frevo
assim descambado
pelas ladeiras da alma
esquece o tempo
na vista do homem
inventando madrugadas
raiando dias nas noites
inventando nas passadas
os infinitos que as pernas
derramam pelas calçadas
é como se o mundo vivesse
os sonhos que montasse
Olinda inteira discursa
os bemóis de sua fala
o samba
riscando a avenida
dança no asfalto
as Áfricas da vida
negra luz
imensa chama
laço infinito
da gesta humana
o samba
em seus bemóis
conta uma razão
independente da fala
tudo escancara nos tambores
a viga dançarina da alma
de Cuba
diga-se tanta
esse jeito intrínseco
de ser humana
construída guerrilheira
de Fidel, Ernesto e povo
Sierra Maestra dos tantos
das ladeiras do novo
Cuba é a exata razão
humana escultura
do mundo militante
construído na luta
a história engravida de si
em cada grito que pulsa
a passeata
sanha das ruas
desfilava unânime
sonhos e lutas
cada passo
em coronária lida
pulsava a multidão
no colo da avenida
a revolução
disfarçava o novo
com jeito de dança
nos passos do povo
a palafita, em tese,
nos ombros do rio
esconde do mangue
as falhas da vida
a correnteza
como colar do tempo
pendura nos homens
o sofrimento
o mangue
envergonhado
crava nos olhos
sua paisagem
um certo quê de natureza
enganando a tarde
o mar
bordando a praia
tecia nos olhos
como paisagem
os desejos escondidos
do homem e da tarde
humano
cumpria a vontade
de remar na vida
quanto o mar
tanto a liberdade
o tempo
dava-se ao custo
de parir-se noite
como futuro
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.