Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
as nuvens
ainda tentavam
piscar o sol
em seus raios
a vida
em larga rota
dava-se ao tempo
quanto inexata
os homens
com a alma em curso
olhavam o tempo
piscando o futuro
a manhã, adormecida,
piscava a tarde como curso
punho racional
posto no universo
a matéria administra
as curvas do cérebro
dado ao rompante
da humana saga
inventa-se único
infinitos que abraça
bólide intransponível
razões intrínsecas da fala
discurso dialético
da concretude da alma
ao homem cabe nadar o mar
em todas as suas vagas
o limite
nem é tanto
de impedir a vida
de ser quanto
a vontade é freio
quando militante
construção de limite
sempre avante
construir-se combatente
avenças do futuro
destrava em si
os limites do curso
eis a questão:
tudo da vida
é estar sonhando
futuros que consiga
tê-los transeuntes
na rua dos atos
caminhando o tempo
como saltos
eis a questão:
nas cordas do mundo
ao homem cabe atar
os nós do seu rumo
o poema vê o mar
açude displicente
nas praias
que o poeta sente
posto como credor
gerente das palavras
inventa um discurso
com o gosto da alma
visto quanto arranjo
intensamente líquido
nessa insistência verbal
de arrumar o infinito
no cartório de si
registre como arma
as revoltas jogadas
no coldre da alma
reste engatilhada
nas vias da luta
passeata geral
no trânsito das ruas
saiba de si no tempo
paz armazenada
viga do futuro
construída saga
até que todos possam
nas manhãs da vida
viver a madrugada
ainda em sono
o verbo em alvoroço
balança o poeta
aos solavancos
o poema
surfa nas palavras
as ondas verbais
em que se declara
o poeta
quase afogado
arruma o mar
na prancha da alma
a liberdade
atávica avença
autua no homem
suas encomendas
as postas em luta
as que a tentam
construída
imã do desejo
rompe a razão
em seus concertos
a lutada pelos tempos
os vividos como enredo
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.