Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
o infinito sobrevive
suas minúcias
delações da matéria
nos rastros da luta
quando homem
fala dos sentidos
rumo da estrada
em que insiste
quando tempo
invade-se em tanto
multiplicação do espaço
em seus instantes
o infinito vive em si
na falta de horizontes
a voz
enfeitando o canto
despejava a África
nas sílabas do tempo
a história
humana narrativa
pendurava na lembrança
o cheiro da vida
os homens
dançando as horas
discursavam o terreiro
no colo da história
quando for futuro
o tempo ainda sente
pedaços do passado
resquícios de presentes
construção do espaço
nos fatos que pressente
a viatura das horas
assuntando a vida
indaga pelo homem
em suas investidas
a história guarda o tempo
em suas veias e vias
habitar o tempo
mais que a vida
conjugar-se vivente
da vaga coletiva
desabitar-se das fugas
nas praças que invente
consentir-se futuro
quanto presente
tudo que assim de tanto
seja o tempo que se sente
viver as horas nos saltos
das cachoeiras vigentes
ancião
de-se infante
burla de si
ao horizonte
rasura do tempo
teatro militante
dar-se ao tempo
no espaço do corpo
ter-se infância
nas vias do povo
fluir-se como nascente
navegar-se no novo
o desejo
é só um gesto
que o sonho faz na vida
nas vias do cérebro
pretensa hipótese
de ter-se manifesto
lavra o homem
roçado inato
invenção onirica
véspera do fato
o gosto exato do desejo
é um sonho arquitetado
de ser todos
quanto projeto
construção da vida
como manifesto
no fazer dos braços
nos confins do cérebro
ser todos
nessa liberdade
de inventar o outro
no colo da vontade
assim disposto
o ato de ser todos
tanto a liberdade
é declarar-se povo
costure-se o fato
nos ombros da história
todos os cerzidos
dos homens e das horas
do que fora a linha
na coletiva agulha
aviem-se os pontos
do viés da luta
e de-se a conjuntura
do bordado tempestivo
dos que cosem o tempo
com a trança dos sentidos
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.