Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
a manhã
ainda nem se achava
perdida, confusa,
no vão da madrugada
o tempo
desgovernado
confundia o menino
com o sono guardado
abrindo a porta
ébrio da madrugada
o pai atravessa o tempo
jaguatirica nos braços
no jovem se acendia
a mata urbana montada
arquivo de tanto
o tempo perambula
larga o passado
nas veias do futuro
a saudade
no tempo disfarçado
mascara de si
cada passado
o futuro
ainda consternado
assume sua marca
no vão do palco
a saudade dirige a cena
platéia de si no ato
África
arma a tática
dar-se estratégica
pela alma
punho da matéria
larga fala
de quem se habita
orbe originária
o mundo
urde sua plástica
tecendo a vida
africana saga
a África é tanto
humana e futura vaga
o mar
arruma a paz
quando se tange
fingindo valentia
em suas ondas
seu canto
lambendo a areia
espalha mansidão
em suas veias
palco de humanos
coxia de sereias
nos gestos do mundo
o mar, com certeza,
brinca de teatro
pela natureza
o sonho
tem asas
voa o homem
em suas falas
as que voam em si
as que voam nas praças
incólumes
em seus voos
rasgam o tempo
inventando o novo
os que vingam em si
os que vigem, largos, no povo
trazê-las esvoaçantes
é o humano alvoroço
a memória
ensaia falas
discursando
sem palavras
rastros da vida
no colo da alma
finge-se fato
quanto história
debruçada no homem
em sua lógica
matéria insubmissa
arquivos da consciência
o homem arma a saudade
das palavras que sente
o tempo
é só um jeito
que a matéria da a si
em como ter-se
onda, partícula,
dúvida, incógnita,
o tempo é máscara
de respostas
dá-lo clandestino
pela consciência
pulsa neurônios
em suas avenças
o tempo dá-se mistério
em futuros e pretéritos
o poema
indumentária
veste o poeta
de palavra
verbo tecido
lírica montagem
rastros da vida
e suas margens
o poeta
em suas páginas
declama a si
vozes da alma
o poema veste a vida
como íntima fala
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.