Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
o programa
vivido da matéria
é manter-se tanta
em tantas eras
as que se foram
as que a esperam
dada ao homem
sujeito navegante
o tempo rasga a si
no espaço pulsante
refregas das demarchas
dos laços que avance
dado assim a termos
no cartório da vida
expeçam-se os fatos
no vão dos sentidos
como fora programa
da matéria em seu rito
arquivar o mundo
dá-lo a seus rumos
estrada humana
da construção do futuro
as certidões da vida
atiçam o mundo
no rio
líquida insistência
a vida boiava
mansamente
o menino
infante barco
navegava a si
lúdico espaço
o mundo
assim corrente
inventava sonhos
impunemente
a história
ruminando a vida
tecia suas rugas
pelas avenidas
relâmpago
o comício dizia
os trovões do povo
e suas trilhas
o jovem camarada
bebendo a tarde
revolvia a emoção
posta nas palavras
a saudade voa
nave desgarrada
em cada pássaro
pela madrugada
o homem
agarrado ao tempo
inventa o passado
singrando os ventos
nas asas da paisagem
impunemente
a saudade infinita a vida
embrulhada no presente
a fronteira do tempo
dada, assim, ao infinito
deixa restos de saudade
abraçados aos sentidos
arquivado nos olhos
cada gesto das horas
arrumado fortemente
no colo da memória
a saudade transgride
no roçado do peito
qualquer leirão da lógica
tudo que lhe cabe
é habeas corpus
a matéria
em plena passeata
discursa o mundo
com seus átomos
mágica da razão
na quântica postura
disfarça seus quarks
em intensa luta
ver-se construído
na razão de tanto
é abraçar o infinito
e a pequenez do gráviton
estender os metros da vida
nos partos do futuro
viver a multidão que somos
nos braços do mundo
as Áfricas que possam
acordar na vontade
discursam humanas
inata liberdade
manhã da matéria
tentando a tarde
adormecida
noite orquestrada
negra a razão de tanto
inventando madrugadas
o tempo vige a áfrica
em tudo que caiba
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.