AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
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Andanças

o povo
dança a rua
abraça o tempo
em sua luta
cheiro da história
assuntando seu curso
ilações da matéria
nas vias do futuro
a multidão
pulsando a avenida
inventa pelo tempo
as tramas da vida
os passos do mundo
engravidam em tudo

Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3640

Gaza em rompante

 

Gaza

inflamada

vomita a história

nos canalhas

a vida

trucidada

constrói os vincos

da madrugada

cada palestino

carrega no grito

todos os futuros

ainda escondidos

as veias postas no tempo

são capazes do infinito

40

Reminiscência CI

 

onda do rio

Oxum disfarçada

surfava a natureza

nos ombros da madrugada

o tempo

pulsava a energia

derramado na terra

plantado na vida

o menino

quase navegante

sonhava nos olhos

seus transatlânticos

22

Do vão da luta

 

a reta final

é sempre curva

regra do mundo

debrum da luta

as vias postas

humana resenha

jogam dúvidas

nas raias que venham

transita-las coletivas

natas da consciência

constrói os pilares

que o futuro tenha

o tempo organiza a luta

como uma paz paciente

56

Das vias do povo

 

a rua

entristecida

alinha o povo

no vão da vida

os passos

em ritmo triste

embalam a manhã

em que insistem

os desejos

ainda vigentes

adiam o futuro

arma recorrente

as ruas largas do tempo

inventam o povo insistente

55

Reminiscência CII

 

nas devassas da alma

o menino sabia

que o sonho bem sonhado

podia ser a vida

arruma-lá no peito

como consigna

e de tê-la tanta

na curva dos olhos

deu-se a abraça-la

no meio das ruas

quando sentiu seu povo

nos passos da luta

28

Poses do tempo

 

o sol ainda encabulado

estende manso o dia

lençol exato do tempo

nas costas da vida

a tarde afoita

ainda amanhecida

brinca de trazer a noite

nas luzes que consiga

a noite preguiçosa

dorme o vão do tempo

nos humanos sonhos

em que se inventa

15

Reminiscência CI

 

a montanha

dormindo o tempo

sentia o horizonte

nos ombros do vento

geográfica saga

de estar presente

carne da história

Andes combatente

o camarada

embrulhado no sonho

trafegava os sentidos

nas estradas do mundo

a Bolívia açoitava a vontade

como um abraço em tudo

27

Concurso humano

 

havia no homem

o que aviava de si

senda das vias

havidas enfim

concurso material

dos cursos de si

havia no homem

o que lavrava

os rios do mundo

o chão das palavras

e uma imensa contradição

na dialética madrugada

tudo que lhe tangia

pulsava verbo em sua fala

43

Aparências

 

a manhã

inconformada

deixa restos de si

no vão da tarde

o tempo

atrapalhado

escapa dos olhos

em seus retalhos

o homem

vestindo as horas

embaralha o tempo

na memória

a vida veste o tempo

montada na história

38

Sambado rito

 

quando no compasso

o samba delatou-se

nos pandeiros da alma

a vida deu-se à pose

de dançar os bemóis

que o infinito lhe trouxe

os passos enchem a rua

na cadência da alegria

como um rito deflagrado

nas entranhas da avenida

o samba inventa seu curso

com o povo nos ombros da vida

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Comentários (8)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado