Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
na praça, assim,
como arma
o comício arranha
as farpas da palavra
drama cívico
em militar postura
costura os vincos
bordando a luta
o povo
gritando as horas
atravessa nos verbos
as ruas da história
das vigas do tempo
como usufruto
estejam veias
as vias do futuro
construídas
no vão da matéria
enfeitem o homem
contra os muros
estrada tanta
em suas trilhas
dos passos humanos
ao redor da vida
o poema
tangendo palavras
laça o poeta
nos rodeios da alma
boiada verbal
pasta a consciência
grávida invasão
em que se tenha
o poema
em sua lavra
é quase assim
ditadura da alma
tudo que decreta
sente a palavra
no convento
o armário guarda
papéis e verbos
militante palavra
o conluio
divino e camarada
construía o rumo
da jornada
o jovem
sonhando o futuro
abraçava a vida
contra o muro
recíproca
a si mesma
a matéria transita
cada certeza
dúvidas que posta
na natureza
a consciência
dada ao tempo
revoga espaços
como argumento
o mundo constrói no homem
todos seus inventos
os que estejam à mão
os que vivam os ventos
o pássaro no céu
desenhando a tarde
escreve no peito
os voos da saudade
a lembrança
como um dardo
fere o vão do tempo
semeando o passado
a vida, como humana nave,
voa o homem no tempo
abraçado na saudade
quando no desejo
a matéria invada
os limites que se ponha
na grande jornada
e for pouco o tempo
para o infinito usá-la
como não criar
um tempo diverso
em que a urgência
como manifesto
seja no espaço
um paciente gesto?
a matéria rima o tempo
na inconstância de seus versos
o pião
roda a vida
enrolado nos sonhos
em que gira
da mão do menino
salta no tempo
farpa onírica
contra o vento
a vida, redemoinho,
fingia todos os piões
em que se tinha
jogava a infância
na liberdade lúdica
de todas suas rinhas
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.