Fluvial comento
o rio,
veia do mundo,
inventa seu ritmo
nas margens de tudo
dá-se aos oceanos,
no afã de viajante,
transeunte largo
de estuários e pontes
o rio transcorre íntimo
da natureza e seus planos
Das fugas de mim
nunca escapo
dos tempos em que me escondo
e me acho
fugir de mim
é só um escape
que o ego transita
entre mim e a verdade
no tempo que habito
deixo-me à vontade
pequena dialética dos quantuns
a quantidade,
em matemático alarde,
entorna-se outra
nos braços da qualidade
íntima de números
da-se à postura
de somar-se em unos fatos
para novas urdiduras
o tempo é só um enlace
da mudança em que se atura
tudo que se soma
descamba em nova curva
o futuro é só uma soma
dos números que apura
Pelé em campo largo
a bola,
vagando na tarde,
sonha Pelé
nos ombros da saudade
o povo,
grávido de sua lembrança,
alinhava pelo tempo
sua eterna dança
Pelé,
agora encantado,
vive no colo do mundo,
ainda majestade
Planificação em vias da vontade
meu plano
é transitar a vida
por todas as estradas
que me vivam
nas léguas que eu invente,
nos passos que consiga
meu plano
é joga-las no tempo
como serpentinas exatas
lança-las pelo mundo
no carnaval lúdico das palavras
as que eu traga na boca
as que eu usine pela alma
Auto da matéria errante
o homem
é um quase jeito
da natureza brincar
de conhecer-se
e nesse trânsito
deixa-se intrusa
e parte de si
em grave fuga
tudo que a deixa
nessa auto disputa
desinventa o espaço
nos tempos da luta
Poema em desoras
o poema a desoras
arranha os neurônios
assanha a memória
e concede-se palavra
em cadeira gestatória
tangendo o poeta
como simples moratória
das dívidas de si
dos débitos da história
repousa então no verbo
as vias inexatas da forma
e pula semântico o tempo
como um inventário das horas
da dialética moção dos fatos
a tese,
posta em fato,
entorna a manhã
em desacato
a antítese,
em tempo corrente,
anoitece a manhã
adredemente
abundante,
em grave alvoroço,
a sintese faz-se nova tese
nos braços do novo
Todas as veias vivas
toda via
traz a vida,
todavia,
o combate anuncia
as léguas de si
que pronuncia
no rompante contraditório
que a luta prenuncia
toda via,
gera toda vida,
todavia,
há que construir o povo
nas veias do dia
Ode a La Paz
La Paz, sob meus pés,
como um Andes derramado
era um indígena contando
todos os meus passos
a montanha,
lúdica e urbana,
bebia meus olhos
em latina trama
La Paz, distante, ainda habita
todas as minhas chamas
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.