Da coletiva razão do povo
a construção da vida
e dessa condição humana
são atos sempre de todos
são fatos de grave chama
nada das gentes
dá-se como exclusivo
tudo é pleno do povo
nas ondas de seus gritos
os que acordem o mundo
os que chamem o infinito
tudo de dize-lo tanto
é tê-lo sempre coletivo
Humana logística
eis a logística:
dar-se ao tempo
e trazer-se espaço
nos ombros da vida
nada que seja breve
deixe de dar-se longo
e flutue no pensamento
como um bumerangue
a idéia tange os atos
pelas esquinas do sangue
como um derramar-se exato
de quem sempre se tange
Faminta exação das horas
rasa,
a manhã suporta
um pouco de carne
ao redor dos ossos
como se fora um grito
grávido de revolta
o homem, apartado de si,
como uma gaivota,
voa sua fome
em todas suas portas
a cidade nem pressente
as ruas que choram
Do poema em forma
o poema
pode ser complexo
inventar enredos
e palavras textos
consumir estrofes
desenhando verbos
e dar-se ao mundo
em varal moderno.
o poema
pode ser humilde
nas gramaturas do que diz
da vida que comenta
traçando retratos
nas palavras simplesmente
como se fora enredo
daquilo que se sente
Das vias mundanas da pátria
as veias da pátria
são vias avessas
o rumo que as leva
ressoam no peito
como uma fala privada
num coletivo estreito
as veias do mundo
são vias do futuro
na pátria geral dos povos
no discurso de tudo
Da morte em trânsito
as mortes que morri
foram vividas
com a exata compleição
das despedidas
as que foram impostas
e as consentidas
o inventário de todas
nos desvãos da vida
são antíteses passadas
em todas as medidas
o tempo que as conteve
é uma estrada esquecida
Caminhante cavalgada
vaqueiro de mim,
dou-me ao rebanho,
coletivo transeunte
do curral dos sonhos
força-me ao rumo
a grande caminhada
que o mundo tece no tempo
nos futuros que cavalga
o que me faz assim caminhante
são os galopes da alma
Solitária construção da vida
a solidão
é uma lei avara
tudo que não lhe sente
é a palavra
posta assim como verbo
nos gestos que declara
dá-se farta a indícios
das engenharias solitárias
dizer-se em gesto no outro
em todas as suas falas
é construir as pontes de si
pelos andaimes da alma
Lagrimas em largo gesto
a menina, na fome,
quando chorava,
chovia no mundo
pedaços da alma
rasgando a face,
em vergonha intensa,
as lágrimas eram vasto grito
nos ombros das consciências
a menina era um engenho
faminto de todas as moendas
Castrense artefato
a vida
é minha farda
não há, como vivo,
amarrota-la
afeita às marchas
nas vontades que abraço
a estrada é o quartel
em que desfilo meus passos
a continência é só um gesto
dado ao povo em manifesto
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.