Mescla vivente
a tristeza
é só descompasso
que a alegria permite
em seus saltos
dizê-la adrede
em cada investida
é enganar o riso
nas costas da vida
a construção do ser
nos vincos do tempo
cabe na vontade e nos atos
pelo pensamento
do homem em fardos próprios
o desejo
traspassa a vontade
num gesto ontológico
de liberdade
dá-se a tanto
como embrulho lógico
das funduras do ser
em gesto óbvio
o desejo constrói-se homem
como natureza em ato próprio
Parahyba em líquida menção
o Sanhauá
lambendo Parahyba
inventava nas águas
um disfarce de vida
como se fora um mar
deixado à deriva
a canoa
em passos navegantes
fingia seu caminho
como um transatlântico
o pescador, remando o tempo,
guardava as horas no pensamento
Dos futuros insubmissos
sofrer do futuro
é viver o presente
como se fora um passado
inconsequente
o vindouro,
como momento,
é só o arcabouço,
um disfarce do tempo
a vontade apenas arquiteta
as construções que se sente
Direçōes soníferas
o silêncio enchia a noite
como um verbo mudo
tangendo as pálpebras
sobre a face do mundo
o sonho,
no avesso do tempo,
derramou-se quântico
nos degraus do pensamento
e a vontade, embutida no sono,
espalhava sinapses aos ventos
Da esperança em trajeto
a esperança
é um futuro quântico
tudo que a move
é o ânimo
alinhava-la aos fatos
como intensa fala
é maneira vigilante
de escolta-la
deixa-la perambulando
em vincos da memória
é como derrama-la inepta
nos ombros da história
Construção
a felicidade
é um trânsito
entre o homem
e seu ânimo
constrói-se, avulsa,
em paisagem magra,
quando jaz propaganda
nos ombros das palavras
ousá-la arquiteta de si
é trazê-la como arma
transeunte frequente
das ruas da alma
Gaia em humano sentir
a onda,
em pretensa calma,
jogava o tempo
nos ombros da praia
o pensamento
em intensa fala
rebocava palavras
no muro da alma
a paisagem tangia o homem
como autogestão de Gaia
verbais instintos das letras
palavras
são estopins
ou já mordaças
tudo que as monta
sempre declara
o viés exato da vida
em que se instala
tece-las como neutras
é exercício inócuo da fala
humanos rompantes da natureza
a idéia, plástica,
deixa-se chama
astronave lógica
dos vãos da alma
o mundo veste o homem
com sua múltipla farda
de soldado natural
em civis jornadas
a idéia é coletiva sanha
em sinapses privadas
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.