Lunares vivências
a lua,
quântica
derrama saudades
na lembrança
no céu
como bólide manso
flutua nos olhos
como uma dança
o homem, abraçado a si
constrói-se em fundo transe
nas esquinas do tempo
que espaço tange
Circense travessia
o palhaço
construindo o riso
espalha ilusão
nos ombros do circo
os olhos do menino
lançados no palhaço
são trapezistas saltando
nas artimanhas do ato
o palhaço é uma usina farsante
das mágoas que traz nos braços
Manuscritas emoções
na caneta
o poema escorrega na tinta
como se fora um quadro
em que a palavra pinta
o neurônio esvoaçante
em sinapse aguda
constrói com as mãos
a urgente escritura
os sentimentos do verbo
em desenfreado galope
passeiam no homem
como um transeunte enorme
Das vitalícias razōes de todos
no mundo
tudo é vitalício
a matéria perdura
desde o infinito
até no homem
cumpre-se a métrica
de morrer-se abraçado
à matéria genérica
a vontade de ser eterno
é só um gesto
de dizer-se prematuro
nesse último manifesto
Ode a Stalingrado com laivos de saudade
Stalingrado, lutando,
no seu grito de vitória,
esconde-se farta
no útero da história
habita, assim, ainda tanta,
com a certeza das horas,
nos vincos claros do tempo,
o vitalício vão da memória
Stalingrado ainda adormecida
engravida o futuro em suas portas
Indígena ilação
meu cocar
tremula a consciência
como um grito exato
da primitiva avença
construi-lo transeunte
das matas que declara
nas digitais informes
do mundo em passeata
até que a indígena manhã
invente os futuros da alma
assobios navegantes
as ondas assobiadoras
talvez ouvissem no tempo
os assobios do menino
chamando o vento
e o cosmos, ofegante,
soprava mansamente
como se afagasse terno
os pedidos da gente
o cosmos vige em mim
como um braço permanente
Temporais submissōes
o tempo gasta as horas
como um rio em cachoeira
o homem precisa nada-lo
com uma certa certeza
para poder arquiva-las
nas saudades que queira
o tempo é só um espaço
de guardar lutas construídas
as que se façam sozinho
as que se tenha como coletivo
Declaração
a poesia
não pode dar-se à vaidade
de ser apenas bálsamo
da realidade
construir-se avara
sem o suor das cidades
afastar-se da vida
montando verbais disfarces
a poesia é sentimento
da humana liberdade
em postar-se em palavras
ou derramar-se em fatos
Das avenças coletivas do caminho
deixo-me em mim
quando parto
e o destino no outro
é meu compasso
a vida é esse trafegar
na correnteza dos passos
o coração molhado na razão
é só um jeito do recado
em dar-se, assim coletivo,
às recorrências humanas do fato
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.