Institutos de mim
a vida,
meu instituto,
é só um afazer
em que debruço
e dar-me pleno
em seu uso
é jogar-me em todos
como discurso
a vida é um programa
das mudanças do mundo
Planificação em vias da vontade
meu plano
é transitar a vida
por todas as estradas
que me vivam
nas léguas que eu invente,
nos passos que consiga
meu plano
é joga-las no tempo
como serpentinas exatas
lança-las pelo mundo
no carnaval lúdico das palavras
as que eu traga na boca
as que eu usine pela alma
Da borboleta em voo rasante
a borboleta,
íntima do vento,
assume a confissão
de navegar o tempo
singra nas asas
os olhos que a perseguem
quase estandarte avulso
dos céus em que se mede
a borboleta dança no voo
todas as léguas que consegue
Das metragens do amor em ritmo condensado
o amor é usina elástica
cabe assim no peito
como exercício exato
de todos os infinitos
em que se declara
os que constrói no tempo
os que arquiva na alma
derramá-los pelos dias
é condição de estreitá-los
e cabe-los consumidos
na recorrência dos braços
Materiais enfoques da mundana troca
a matéria
em cambalhotas
gesta o futuro
em suas trocas
faz-se objetiva
em subterfúgios
e subjetiva o óbvio
em seus infortúnios
a matéria vive em si
todos os atos de tudo
navegante, como ofício,
leva a mudança como vício do mundo
Trânsito em humanas carnes
de trazer-se magro
num tempo escasso
o homem lavra a fome
consigo nos braços
o viver estanca
no corpo descampado
e, faminto, mede a falta
de sonhos pela face
o tempo transita um homem
permanentemente adiado
Saturno em onírico rito
Saturno, a postos,
pisca no céu
como um estandarte de luz
plantado no cosmos
dado às alturas
injeta nos olhos,
no jogar da mente,
os infinitos que pode
Saturno é só figurante
dos sonhos que esconde
aqueles que alinhavam a vida
aqueles que vivem o longe
Das vésperas verbais da verdade
a verdade
paira dita
nas dúvidas do fato
que explicita
verbo
não se presta
a provar antes do fato
sua véspera
construi-la antes
é manifesto
de quem verbaliza
o concreto
pássaro em discurso
o papagaio
caça o verbo
como um som intruso
em seu interno
joga palavras
como trinados
nos construtores humanos
de seus brados
pássaro, em discurso,
na repetição de humanos,
nem percebe a razão
dos verbos que proclama
Das andanças etílicas
o vinho
tinge o juízo
com as cores de si
e alguns artifícios
flui no verbo
como um vendaval
letras e gestos
em decúbito formal
o álcool tange o corpo
como uma bandeira exata
de todos os egos resumidos
espalhados pela praça
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.