Iemanjá em marinha lógica
envergonhada
Iemanjá declara
todas as ondas
em que cala
energia humana
resta simbólica
no espalhar-se nos homens
nas ondas em que mora
Iemanjá vive seus eletrons
em permanente concórdia
no deixar-se marinha
em todas suas portas
Versejar como navegação de si
versejar
talvez nem seja
ver se o verbo retrata
o que crítica deseja
versejar
é só um jeito
de derramar o mundo
que se tem no peito
verbo sentido
espalhado nas estrofes
nada quantifica a forma
dos infinitos conteúdos de que sofre
Do processo legislativo vivente
projeto,
em clara vontade,
a vida permanece
nos braços de quem a lavre
decreta-se, em votos,
adredemente aprovada,
como lei de quem a leva
nos ombros da estrada
finda,
em autógrafo dada,
legisla sobre a matéria
genericamente disfarçada
Palavras em postais correntes
a palavra
lavra a fala
discursa e cala
farpa verbal, resvala,
pelo rio da boca
d(g)ramática e avara
dorme no verso,
verbo resumido
como manifesto,
brincando de infinito
Pacífica apreciação da paz
a paz
nunca é sozinha
tudo que a traz
comprometida
é tê-la sempre unânime
em compreende-la coletiva
a paz
é uma guerra bruta
sua concórdia
é uma viagem lúdica
nesse derramar-se completa
quando habitante das ruas
Citadina vazão em concreta forma
debruçado na vida
em largo sobressalto
o homem vê-se natureza
derramada pelo asfalto
os edifícios em marcha
tangem o espaço
em imobiliárias razōes
dos cifrōes amealhados
a fome veste o tempo
em humanos concretos
na passeata geral de si
num faminto manifesto
Dos olhares grávidos
no vão dos olhos
a imagem delata
os flagrantes avisos
dos vincos da alma
o pulsar da vista
nos desvãos do tempo
alinhava um amor
no pensamento
e flui em verbo pela boca
como um convite ao sentimento
do verso em mim adredemente
dou-me ao verso
como recato
esse guardar o rumo
das letras do fato
e quando avesso
cavalga meu juízo
guarda em meu peito
pequenos infinitos
no descampado de mim
o verso é só um tempo
de sentir a vida correndo
e apalavrar o sentimento
Comício em acelerado canto
a multidão
entoando versos
canta o futuro
em cada gesto
as vozes
como serpentinas
balançam a história
em cada rima
a multidão é o artefato
dos tempos que oficina
Procissão
a santa
posta em andor, refém,
avança a procissão
com ares de trem
os trilhos,
postos nas cabeças,
desobedecem as retas
nas curvas da consciência
a santa, nos ombros que a levam,
derrama milagres pela calçada
com seu disfarce de pedra
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.