Natureza em pensantes gestos
as mãos
semeiam as palavras
como as bocas
gesticulam seus abraços
tudo é apenas um modo
do homem espalhar-se
natureza ensimesmada
cada homem acontece
quando desembrulha seu peito
nos tamanhos que consegue
e flui das mãos e da boca
como um manifesto adrede
Matinal
o vento
alinhavando a paisagem
tange pedaços do tempo
no peito da cidade
a manhã
no colo dos passarinhos
bebe o concerto das aves
espalhando-se nos caminhos
o homem, bebendo a ventania,
abraça o mundo em seu ninho
Pelé em campo largo
a bola,
vagando na tarde,
sonha Pelé
nos ombros da saudade
o povo,
grávido de sua lembrança,
alinhava pelo tempo
sua eterna dança
Pelé,
agora encantado,
vive no colo do mundo,
ainda majestade
da dialética moção dos fatos
a tese,
posta em fato,
entorna a manhã
em desacato
a antítese,
em tempo corrente,
anoitece a manhã
adredemente
abundante,
em grave alvoroço,
a sintese faz-se nova tese
nos braços do novo
Olga Korbut em voo
elástica,
Olga arquiteta
todas as curvas
no colo das retas
o corpo
viajante dos ares
adormece o tempo
no vão dos olhares
Olga inventa seus voos
como uma lúdica chama
que inventa seu corpo
como uma tocha humana
Duvidosas dívidas da verdade
minha dúvida
nunca é dívida
antes como verídica
em não conter medidas
para medir os fatos
que me entornam pela vida
trazê-los todos contados,
em réguas sapientes,
é deixar-me do futuro
em verdades só presentes
esquecidas das rebeliões
de tudo que se sente
fetais anseios em líquida voragem
esse nascer aquoso
do largo mar uterino
marca a vontade, pelos anos,
de navegar o destino,
seja no barco dos sonhos
seja no vau dos caminhos
habita a líquida vontade
dessa fetal conivência
de deixar-se transeunte
das ondas da consciência
Cruzeiro ensimesmado
em mim, à deriva,
os sonhos navegam
os mares da vida
barcos construídos
em adrede investida
à espera dos portos
que meu braços consigam
deita-los no tempo
em águas tranquilas
é deixar-me navegante
dos cruzeiros da vida
Dos reveses em vistas e relances
os olhos em relances
arcam consequências
faróis incautos
da consciência
dizem no tempo
segredos arquivados
gestos de futuro
molhados do passado
os olhos são faróis intensos
de lampejos cinematográficos
Violaçōes
o violão viola a tristeza
no colo das mínimas,
das di(fusa)s e dominantes,
quando ponteia a vontade
nos braços de quem lhe tange
bailarino do som,
cordilheira de brados,
afina a alma do tempo,
dança pelo espaço,
na coxia dos ouvidos
em que joga seus laços
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.