nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Poema em navegação aberta
o poema
envergonhado
afaga a América
em seu latino salto
deixa-se militante
em seu panfleto
livre do eu lírico
contrafeito
o poema apenas dorme
a forma em seus trejeitos
como se fora um bólide
dos conteúdos do peito
envergonhado
afaga a América
em seu latino salto
deixa-se militante
em seu panfleto
livre do eu lírico
contrafeito
o poema apenas dorme
a forma em seus trejeitos
como se fora um bólide
dos conteúdos do peito
47
Da lógica retilínea da fome
a lógica engenheira,
posta em riste,
espalha razões
pelas marquises
alinhadas em prumo
em grave continência
cobrem, exatas, a fome
de retilíneos viventes
da marquise que vestem
com suas magras andaduras
nem percebem os cifrōes
e a palidez inata das ruas
posta em riste,
espalha razões
pelas marquises
alinhadas em prumo
em grave continência
cobrem, exatas, a fome
de retilíneos viventes
da marquise que vestem
com suas magras andaduras
nem percebem os cifrōes
e a palidez inata das ruas
6
Do sonhar como futuro
durmo as noites
como dias exaustos
em que me debruço no tempo
com ganas de astronauta
o sonho arquitetado
nas curvas do que durmo
é só um repetido recado
das coisas do futuro
sonhar é construir a vida
em cada caminho de tudo,
nos dias que sejam claros,
nas noites todas do mundo
como dias exaustos
em que me debruço no tempo
com ganas de astronauta
o sonho arquitetado
nas curvas do que durmo
é só um repetido recado
das coisas do futuro
sonhar é construir a vida
em cada caminho de tudo,
nos dias que sejam claros,
nas noites todas do mundo
11
Dos locais históricos da fala
no lugar da fala
consciência em vagas
de todos os cânticos
da palavra
as que teimam ouvir-se
as que partem da alma
largas estradas da vida
remoendo verbos pelas horas
como uma usina estendida
plantada nas costas da história
consciência em vagas
de todos os cânticos
da palavra
as que teimam ouvir-se
as que partem da alma
largas estradas da vida
remoendo verbos pelas horas
como uma usina estendida
plantada nas costas da história
6
Da vivida volição dos tempos
decrete-se a vontade
na construção da vida
nave que o tempo voa
em todas as investidas
dize-la assim astronauta
sob a rédea dos ventos
é trama-la como pássaro
nas asas do pensamento
o mundo nunca descabe
da correnteza viva do tempo
na construção da vida
nave que o tempo voa
em todas as investidas
dize-la assim astronauta
sob a rédea dos ventos
é trama-la como pássaro
nas asas do pensamento
o mundo nunca descabe
da correnteza viva do tempo
20
Viagem
parto de mim
frequentemente
nos palcos do povo,
nos vincos do tempo
resto em mim
tão fortemente
nas manhãs que singro,
como outro, pelo tempo
estar chegando em mim
é estar partindo sempre
frequentemente
nos palcos do povo,
nos vincos do tempo
resto em mim
tão fortemente
nas manhãs que singro,
como outro, pelo tempo
estar chegando em mim
é estar partindo sempre
7
Palestinas pátrias
Toda manhã
tem um quê de palestina
de um tempo desordenado
que a luta às vezes ensina
em ter sempre no peito
esse jeito de oficina
que constrói um amor desregrado
pelo viés exato da vida
como se fora um infinito
guardado no bolso da camisa.
Palestinos e palestinas
somos em dias e vida
num tempo desprevenido
em que o homem caminha
ao contrário dos sentidos
vendo o que já não come
morrendo o que já não vive
como se viver fosse tanto
quanto olhar o que se disse
Palestinos seremos todos
no dia tanto da vida
quando o homem caminhe livre
todas as pátrias que viva.
tem um quê de palestina
de um tempo desordenado
que a luta às vezes ensina
em ter sempre no peito
esse jeito de oficina
que constrói um amor desregrado
pelo viés exato da vida
como se fora um infinito
guardado no bolso da camisa.
Palestinos e palestinas
somos em dias e vida
num tempo desprevenido
em que o homem caminha
ao contrário dos sentidos
vendo o que já não come
morrendo o que já não vive
como se viver fosse tanto
quanto olhar o que se disse
Palestinos seremos todos
no dia tanto da vida
quando o homem caminhe livre
todas as pátrias que viva.
7
Versos em larga complacência
o verbo
salpica a vida
nos confins que tange
em tudo que diga
montado em verso
dá-se mais ao arbítrio
de parecer infenso
aos alvoroços da vida
em verdade o verso discursa
a prontidão de todos os gritos
os que o dizem só na arte
e os que o levam ao infinito
salpica a vida
nos confins que tange
em tudo que diga
montado em verso
dá-se mais ao arbítrio
de parecer infenso
aos alvoroços da vida
em verdade o verso discursa
a prontidão de todos os gritos
os que o dizem só na arte
e os que o levam ao infinito
7
Comentários (10)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.