Dimensōes em resenha manifesta
tudo
é um infinito comprimido
habitante dos nadas
que entornam os sentidos
a dimensão
é só um gesto
que o espaço esquece
no tempo, em manifesto,
coisa de permitir
as réguas e os restos
no homem cabem todos
os tudos, os nadas e os protestos.
Vital permanência da vontade
a vida
dói aos poucos
quase um martelo
na bigorna do corpo
o sonho,
viés anestésico,
entorna endorfina
da cachoeira do cérebro
o tempo é só um engano
nas oficinas do medo
na construção de seu modo
a vida sempre caminha um enredo
Telemático firmamento
a nuvem
tramita um tempo
como um arquivo inexato
de dados e pensamento
o mouse, submisso,
aponta incólume
as variantes fartas
de telemáticos bólides
a vida caminha
a estrada insone
até que reinvente
a prevalência dos homens
Relógio vital em gradativa senda
o ponteiro
andarilho displicente
nem se apercebe
das horas da gente
pulsa, delinquente,
matando minutos
dos muitos segundos
em que estamos de repente
e a vida, em ondas,
inventa o tempo
como uma corrente
que permite os futuros
que a vontade consente
Mandamentos de mim
minha lei,
autocraticamente consentida,
determina todos os artigos
como criadores da vida
nos parágrafos
a vontade explicita
o transitar no tempo
em todas as léguas que consiga
nas alíneas,
sub-reptícias,
a tristeza é só um estopim
das alegrias que insistam
Poema em desoras
o poema a desoras
arranha os neurônios
assanha a memória
e concede-se palavra
em cadeira gestatória
tangendo o poeta
como simples moratória
das dívidas de si
dos débitos da história
repousa então no verbo
as vias inexatas da forma
e pula semântico o tempo
como um inventário das horas
Do povo construtor em atos
o povo inventa o tempo
alinhando o espaço
da história que tramita
a vida com seus laços
tudo que lhe reclama
é o ajuste do compasso
entre a parcimônia da luta
e a abrangência dos fatos
tudo que lhe declama
é um poema exato
urdido em vivos verbos
com o suor de seus braços
Marítima alusão da vida
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos do que sonho
Poeminha em descabida norma
o poema
não é um passeio
nas egóicas curvas
nem nos medos
a gramática e as regras
são apenas meios
de transitar a alma
em qualquer freio
os defeitos da forma
às vezes, adredemente,
apenas revelam os termos
daquilo que se sente
o poema é só um discurso
nos microfones da gente
Fluvial comento
o rio,
veia do mundo,
inventa seu ritmo
nas margens de tudo
dá-se aos oceanos,
no afã de viajante,
transeunte largo
de estuários e pontes
o rio transcorre íntimo
da natureza e seus planos
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.