Gaia em peleja desatada
Gaia, devastada,
dói em si
pelas estradas
treme, exausta,
nos rumores que solta
em suas falas:
os gritos dos ventos;
os arrepios das matas
Gaia constrói as manhãs
como um tempo exato
que entorna o futuro e os homens
no vão de seus braços
Frevo em larga simetria
o frevo, assim espalhado,
é um passo recorrente
tudo que os pés escrevem
nas ruas do que se sente
desembrulha o coração
como um pacote urgente
que inventa todos os risos
pelos bemóis insurgentes
é assim como um infinito
que coubesse na gente
assobios navegantes
as ondas assobiadoras
talvez ouvissem no tempo
os assobios do menino
chamando o vento
e o cosmos, ofegante,
soprava mansamente
como se afagasse terno
os pedidos da gente
o cosmos vige em mim
como um braço permanente
Do poema em forma
o poema
pode ser complexo
inventar enredos
e palavras textos
consumir estrofes
desenhando verbos
e dar-se ao mundo
em varal moderno.
o poema
pode ser humilde
nas gramaturas do que diz
da vida que comenta
traçando retratos
nas palavras simplesmente
como se fora enredo
daquilo que se sente
Dos contrapontos em fatos
a crise
posta em culpas
é só um alvoroço
do fim da luta
o fato
resultante dessas guerras
apenas dá-se como resultado
das contradiçōes que encerra
tudo é um contraponto
que em si mesmo prolifera
de tal o contrário é tanto
em resolver-se pela matéria
Das vitalícias razōes de todos
no mundo
tudo é vitalício
a matéria perdura
desde o infinito
até no homem
cumpre-se a métrica
de morrer-se abraçado
à matéria genérica
a vontade de ser eterno
é só um gesto
de dizer-se prematuro
nesse último manifesto
Da coletiva razão do povo
a construção da vida
e dessa condição humana
são atos sempre de todos
são fatos de grave chama
nada das gentes
dá-se como exclusivo
tudo é pleno do povo
nas ondas de seus gritos
os que acordem o mundo
os que chamem o infinito
tudo de dize-lo tanto
é tê-lo sempre coletivo
Faminta exação das horas
rasa,
a manhã suporta
um pouco de carne
ao redor dos ossos
como se fora um grito
grávido de revolta
o homem, apartado de si,
como uma gaivota,
voa sua fome
em todas suas portas
a cidade nem pressente
as ruas que choram
Minha terra
O céu da minha terra
tem um jeito diferente
é assim como se o tempo
quisesse brincar com a gente
e derramar pelos olhos
uma certeza urgente
Ode a Stalingrado com laivos de saudade
Stalingrado, lutando,
no seu grito de vitória,
esconde-se farta
no útero da história
habita, assim, ainda tanta,
com a certeza das horas,
nos vincos claros do tempo,
o vitalício vão da memória
Stalingrado ainda adormecida
engravida o futuro em suas portas
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.