AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
314 591 Visualizações

Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3638

Do acaso

o acaso
posto como avulso
é só um lapso
do discurso

tudo que o deixa tanto
é não deixar-se em uso
nas quânticas fugas do tempo
em que não deixou-se o futuro

o acaso é largo transeunte
quando sentido em seu curso
16

Travessias

navegando a cama
no oceano do sono
o homem dá-se mudo
aos estampido dos sonhos

escaramuças da vida
tecidas em rompantes
como se fossem recados
colocados em estantes

o homem transita onírico
as inadimplências dos instantes
23

Poemaetário

o laço da vida
braços do tempo
acobertam os anos
que temos por dentro
vive-los aos pulos
em novos inventos
é tecê-los intrusos
pelo pensamento
como asas do futuro
de pássaros urgentes
o voo atravessado no mundo
é o tanto de ser vivente
17

Do futuro manifesto

já sem armas,
as mãos de todos
empunharão a alma
num grande alvoroço

no largo da história
o tempo, construído,
inventará espaços
nas brechas do infinito

os homens raiarão as horas
na intimidade dos dias
e a exata compleição
da liberdade da vida
14

jornada intrínseca do tempo

o futuro
como máscara preventa
despacha nos autos
dos rasos da consciência
larga-se no passado
assim posto no presente
como fora um tempo
construído adredemente

os fatos montam no espaço
as horas do que se tente
15

declaração em coletiva nave

existo
tudo que me diz
é o ofício
de trazer-me único
mesmo coletivo
existo
tudo que me tange
é o indício
de que o futuro vige
no meu grito

consumi-lo com todos
é o único tempo que consigo
14

Das andaduras reais

o jeito da manhã
demanda o futuro
como um desagravo
à existência de muros
o tempo explode
dentro das vontades
tremulando urgente
pela liberdade

o homem escreve a vida
como natureza que se invade
15

Machu Picchu avante

Machu Picchu
deitado na cordilheira
tremula a América
como uma vasta bandeira
grávido da história
espalha um jeito manso
como fosse uma certeza
ancorada nos Andes

Machu Picchu é invento
de tudo que nos tange
14

Poema a Dinalva Conceição

a bala
nem sabia
que Dinalva
não morria
seus olhos
fitavam a história
como um abraço
impresso na memória
e o dia
com o jeito do sempre
bordou Dinalva
nos ombros do tempo
18

Do Araguaia em cobrança

o Araguaia, revolto,
ainda guerrilha,
dói nas entranhas
e nas avenidas
e nem importa
que panfleto seja
o poema transcrito
dizendo a natureza
é que a verdade e o verbo
adredemente escondidos
precisam ser discursados
nas andaduras da vida
12

Comentários (8)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado