Lista de Poemas

Temporal de vizinhos marcos

o amanhã
grávido de ontens
é um porvir de vizinhos
um tempo defronte

trazê-los unidos
no vão dos atos
e deixar pelas horas
todos os recados

o tempo é uma brincadeira
de armar nossos fatos
6

Do poema em declarada entrega

o poema
lambuza a alma
alinhavando razões
no colo das palavras

não que as preencha
com a régua de princípios
mas que as regue fartas
com um quê da vida

o poema é só um transeunte
das nossas densas avenidas
6

fetais anseios em líquida voragem

esse nascer aquoso
do largo mar uterino
marca a vontade, pelos anos,
de navegar o destino,
seja no barco dos sonhos
seja no vau dos caminhos

habita a líquida vontade
dessa fetal conivência
de deixar-se transeunte
das ondas da consciência
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Cruzeiro ensimesmado

em mim, à deriva,
os sonhos navegam
os mares da vida
barcos construídos
em adrede investida
à espera dos portos
que meu braços consigam

deita-los no tempo
em águas tranquilas
é deixar-me navegante
dos cruzeiros da vida
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Caminhada em passos voláteis

os passos,
nos ombros do tempo,
dobram o caminho
no pensamento

a estrada,
mastigada na paciência,
tange a paisagem
pela consciência

o destino é só um perto
para ludibriar os longes
como manifesto
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Das fugas de mim

nunca escapo
dos tempos em que me escondo
e me acho
fugir de mim
é só um escape
que o ego transita
entre mim e a verdade

no tempo que habito
deixo-me à vontade
8

Matinal

o vento
alinhavando a paisagem
tange pedaços do tempo
no peito da cidade

a manhã
no colo dos passarinhos
bebe o concerto das aves
espalhando-se nos caminhos

o homem, bebendo a ventania,
abraça o mundo em seu ninho
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pequena dialética dos quantuns

a quantidade,
em matemático alarde,
entorna-se outra
nos braços da qualidade
íntima de números
da-se à postura
de somar-se em unos fatos
para novas urdiduras
o tempo é só um enlace
da mudança em que se atura
tudo que se soma
descamba em nova curva
o futuro é só uma soma
dos números que apura
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Violaçōes

o violão viola a tristeza
no colo das mínimas,
das di(fusa)s e dominantes,
quando ponteia a vontade
nos braços de quem lhe tange

bailarino do som,
cordilheira de brados,
afina a alma do tempo,
dança pelo espaço,
na coxia dos ouvidos
em que joga seus laços
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Iemanjá em marinha lógica

envergonhada
Iemanjá declara
todas as ondas
em que cala

energia humana
resta simbólica
no espalhar-se nos homens
nas ondas em que mora

Iemanjá vive seus eletrons
em permanente concórdia
no deixar-se marinha
em todas suas portas
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.