Direçōes soníferas
o silêncio enchia a noite
como um verbo mudo
tangendo as pálpebras
sobre a face do mundo
o sonho,
no avesso do tempo,
derramou-se quântico
nos degraus do pensamento
e a vontade, embutida no sono,
espalhava sinapses aos ventos
Histórica vazão
crente de si
a história estica
as léguas de tempo
em que habita
futura-se passada
no presente que lida
nos gestos do povo
que conjuga a vida
a história é só uma manhã
com tardes escondidas
Das humanas jornadas divinas
deus
ensimesmado
dera-se a tudo
ou fora dado
nessa ânsia bruta
de ter-se
ou tê-lo incontrolável
o homem,
ensimesmado,
deu-se à paixão
de tê-lo acomodado
operando a quântica intenção
de declara-lo
humanos rompantes da natureza
a idéia, plástica,
deixa-se chama
astronave lógica
dos vãos da alma
o mundo veste o homem
com sua múltipla farda
de soldado natural
em civis jornadas
a idéia é coletiva sanha
em sinapses privadas
Onírica jornada
no raso da manhã
assim como um triz
o sonho desmanchou-se
numa cicatriz
o homem,
descampado
deixou-se do sono
aos pedaços
e arrumou na mente
o sonho em cacos
Dos cangaços de mim
coiteiro de mim,
dou-me ao cangaço,
de guerrilhar a vida
em todos os abraços
nos sertōes do tempo,
na liquidez das horas,
palavras são armas
de afagar a história
o amanhã é só a trilha
em que o futuro se joga
Do Velho Chico em trânsito
no remanso do corpo
o São Francisco declara
a paz intensa do povo
no riso de suas águas
quase como um poema
verseja ondas pelos ventos
nordestina estrofe montada
nas paisagens que comenta
o São Francisco pousa no mundo
como um abraço no tempo
Da concreta fala
a palavra
intenta fatos
debruçada no tempo
dos vazios da alma
dói nas faces
como se fora faca
nos verbais palanques
que desata
a ação verbaliza
nos músculos do ato
todas as palavras
que desarma
Vívida vazão da existência
a vida, às vezes,
é bólide
voa no tempo
às vezes, dorme
ventre de si
em parto e forma
de tanger-se outra
em suas normas
a vida é sempre
astronave e escola
nos quadros negros
e nas asas das horas
Das convulsōes matemáticas em aula posta
o número
envolto na lógica
tecia equações
à minha volta
a mente
esquadrinhando o tempo
revia na razão
seus contratempos
o caderno
inóspito
jazia deserto
no seu ócio
a matemática franzia o cenho
à espera de alguma porta
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.