Lista de Poemas

Olga Korbut em voo

elástica,
Olga arquiteta
todas as curvas
no colo das retas

o corpo
viajante dos ares
adormece o tempo
no vão dos olhares

Olga inventa seus voos
como uma lúdica chama
que inventa seu corpo
como uma tocha humana
28

Dos reveses em vistas e relances

os olhos em relances
arcam consequências
faróis incautos
da consciência

dizem no tempo
segredos arquivados
gestos de futuro
molhados do passado

os olhos são faróis intensos
de lampejos cinematográficos
6

Poema em desoras

o poema a desoras
arranha os neurônios
assanha a memória
e concede-se palavra
em cadeira gestatória
tangendo o poeta
como simples moratória
das dívidas de si
dos débitos da história

repousa então no verbo
as vias inexatas da forma
e pula semântico o tempo
como um inventário das horas
8

Planificação em vias da vontade

meu plano
é transitar a vida
por todas as estradas
que me vivam
nas léguas que eu invente,
nos passos que consiga

meu plano
é joga-las no tempo
como serpentinas exatas
lança-las pelo mundo
no carnaval lúdico das palavras
as que eu traga na boca
as que eu usine pela alma
8

Auto da matéria errante

o homem
é um quase jeito
da natureza brincar
de conhecer-se

e nesse trânsito
deixa-se intrusa
e parte de si
em grave fuga

tudo que a deixa
nessa auto disputa
desinventa o espaço
nos tempos da luta
14

Natureza em pensantes gestos

as mãos
semeiam as palavras
como as bocas
gesticulam seus abraços
tudo é apenas um modo
do homem espalhar-se

natureza ensimesmada
cada homem acontece
quando desembrulha seu peito
nos tamanhos que consegue
e flui das mãos e da boca
como um manifesto adrede
8

Filigrana zen do exercício

intensamente zen,
deixo-me vagar
nos eus do além
saio de mim
entrando-me largo
nada e tudo de mim
que vagamente trago

conjuntamente zen
dou-me ao indício
de postar-me lógico
no colo coletivo
8

da dialética moção dos fatos

a tese,
posta em fato,
entorna a manhã
em desacato

a antítese,
em tempo corrente,
anoitece a manhã
adredemente

abundante,
em grave alvoroço,
a sintese faz-se nova tese
nos braços do novo
15

Institutos de mim

a vida,
meu instituto,
é só um afazer
em que debruço

e dar-me pleno
em seu uso
é jogar-me em todos
como discurso

a vida é um programa
das mudanças do mundo
6

Noturno versejar

o poema estende,
à noite, por insistência,
todas as palavras
no varal da consciência

o poeta, confuso,
estende verbos
como resistência
a todos os seus muros

solta, já nos ventos,
a palavra nem percebe
que constrói alegrias
nas tristezas que consegue
8

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.