nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Das larguras do tempo
Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
3 918
Poema ao meu avô Osório
meu avô
nunca me disse
que o avesso da vida
não existe
é que não lhe cabia
como transeunte
dizer de ruas em que não mais passava
tudo que lhe cabia então
nem era mais palavra
jazia apenas em minha saudade
como uma vontade avara
de olhar em seus olhos
e navegar nos mares de sua fala
os barcos que nós dois nem pudemos
atracar no porto das palavras.
nunca me disse
que o avesso da vida
não existe
é que não lhe cabia
como transeunte
dizer de ruas em que não mais passava
tudo que lhe cabia então
nem era mais palavra
jazia apenas em minha saudade
como uma vontade avara
de olhar em seus olhos
e navegar nos mares de sua fala
os barcos que nós dois nem pudemos
atracar no porto das palavras.
3 482
Do riso em pranto desatado
pranto que se leve
embrulhado na impaciência
deixe-se estar escondido
nos risos que lhe convençam
é que o riso sempre carrega
uma lágrima baldia
que derrama pelas faces
as maravilhas dos dias
o riso é também um jeito
de chorar as alegrias
embrulhado na impaciência
deixe-se estar escondido
nos risos que lhe convençam
é que o riso sempre carrega
uma lágrima baldia
que derrama pelas faces
as maravilhas dos dias
o riso é também um jeito
de chorar as alegrias
57
Palestina em doses e recados
a pedra,
das mãos do menino
voa no seu pulo
o grito palestino
a manhã,
amordaçada no tanque,
grita aos sicários
um sol molhado de sangue
o menino, já sem pedras,
morto sobre a rua,
é uma estátua urgente
dos feitos de sua luta
das mãos do menino
voa no seu pulo
o grito palestino
a manhã,
amordaçada no tanque,
grita aos sicários
um sol molhado de sangue
o menino, já sem pedras,
morto sobre a rua,
é uma estátua urgente
dos feitos de sua luta
185
O engenho humano em corrente temporada
nos aconchegos do tempo
dos ontens e agoras
dá-se a chance de pavimentar
o curso da história
o antes, assim modelo,
de reprimir os enganos
o agora, como fábrica,
de futuros e de planos
tudo isso, ainda sempre,
nas horas do engenho humano
dos ontens e agoras
dá-se a chance de pavimentar
o curso da história
o antes, assim modelo,
de reprimir os enganos
o agora, como fábrica,
de futuros e de planos
tudo isso, ainda sempre,
nas horas do engenho humano
197
Sistemática disfunção da conjuntura
a tração do lucro
em sucumbência
grava o gosto da sorte
no imo do sistema
o aval da exploração
em frenético abuso
dobra o peito humano
na insolvência do seu custo
o sistema é uma trave imensa
engasgada com o futuro
em sucumbência
grava o gosto da sorte
no imo do sistema
o aval da exploração
em frenético abuso
dobra o peito humano
na insolvência do seu custo
o sistema é uma trave imensa
engasgada com o futuro
186
Da futura compleição da paz
e no futuro exato
não haverá bandeiras
mas os povos hasteados
em todas as maneiras
e a paz gritará em guerra
em cada circunstância
a perfeita construção
de todas as esperanças
não haverá bandeiras
mas os povos hasteados
em todas as maneiras
e a paz gritará em guerra
em cada circunstância
a perfeita construção
de todas as esperanças
283
viragens temporais em claro sentido
todo hoje
é um ontem expandido
tudo que lhe trai de tempo
é apenas o simples exercício
que o homem traz nos ombros
e na fluidez dos seus sentidos
no derramar-se, assim, avulso
na imensidão de todos seus indícios
é um ontem expandido
tudo que lhe trai de tempo
é apenas o simples exercício
que o homem traz nos ombros
e na fluidez dos seus sentidos
no derramar-se, assim, avulso
na imensidão de todos seus indícios
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.