Noturno versejar
o poema estende,
à noite, por insistência,
todas as palavras
no varal da consciência
o poeta, confuso,
estende verbos
como resistência
a todos os seus muros
solta, já nos ventos,
a palavra nem percebe
que constrói alegrias
nas tristezas que consegue
Dos reveses em vistas e relances
os olhos em relances
arcam consequências
faróis incautos
da consciência
dizem no tempo
segredos arquivados
gestos de futuro
molhados do passado
os olhos são faróis intensos
de lampejos cinematográficos
pequena dialética dos quantuns
a quantidade,
em matemático alarde,
entorna-se outra
nos braços da qualidade
íntima de números
da-se à postura
de somar-se em unos fatos
para novas urdiduras
o tempo é só um enlace
da mudança em que se atura
tudo que se soma
descamba em nova curva
o futuro é só uma soma
dos números que apura
Caminhada em passos voláteis
os passos,
nos ombros do tempo,
dobram o caminho
no pensamento
a estrada,
mastigada na paciência,
tange a paisagem
pela consciência
o destino é só um perto
para ludibriar os longes
como manifesto
Olga Korbut em voo
elástica,
Olga arquiteta
todas as curvas
no colo das retas
o corpo
viajante dos ares
adormece o tempo
no vão dos olhares
Olga inventa seus voos
como uma lúdica chama
que inventa seu corpo
como uma tocha humana
Auto da matéria errante
o homem
é um quase jeito
da natureza brincar
de conhecer-se
e nesse trânsito
deixa-se intrusa
e parte de si
em grave fuga
tudo que a deixa
nessa auto disputa
desinventa o espaço
nos tempos da luta
Pelé em campo largo
a bola,
vagando na tarde,
sonha Pelé
nos ombros da saudade
o povo,
grávido de sua lembrança,
alinhava pelo tempo
sua eterna dança
Pelé,
agora encantado,
vive no colo do mundo,
ainda majestade
fetais anseios em líquida voragem
esse nascer aquoso
do largo mar uterino
marca a vontade, pelos anos,
de navegar o destino,
seja no barco dos sonhos
seja no vau dos caminhos
habita a líquida vontade
dessa fetal conivência
de deixar-se transeunte
das ondas da consciência
Violaçōes
o violão viola a tristeza
no colo das mínimas,
das di(fusa)s e dominantes,
quando ponteia a vontade
nos braços de quem lhe tange
bailarino do som,
cordilheira de brados,
afina a alma do tempo,
dança pelo espaço,
na coxia dos ouvidos
em que joga seus laços
Institutos de mim
a vida,
meu instituto,
é só um afazer
em que debruço
e dar-me pleno
em seu uso
é jogar-me em todos
como discurso
a vida é um programa
das mudanças do mundo
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.