Pacífica apreciação da paz
a paz
nunca é sozinha
tudo que a traz
comprometida
é tê-la sempre unânime
em compreende-la coletiva
a paz
é uma guerra bruta
sua concórdia
é uma viagem lúdica
nesse derramar-se completa
quando habitante das ruas
Humana natureza em pensante correr
a natureza,
posta em consciência,
da-se no homem
como presença
flui como estranha,
incauto movimento,
no apartar-se de si
pelo pensamento
os verbos nem percebem
esse enganar-se no tempo
Saturno em onírico rito
Saturno, a postos,
pisca no céu
como um estandarte de luz
plantado no cosmos
dado às alturas
injeta nos olhos,
no jogar da mente,
os infinitos que pode
Saturno é só figurante
dos sonhos que esconde
aqueles que alinhavam a vida
aqueles que vivem o longe
Iemanjá em marinha lógica
envergonhada
Iemanjá declara
todas as ondas
em que cala
energia humana
resta simbólica
no espalhar-se nos homens
nas ondas em que mora
Iemanjá vive seus eletrons
em permanente concórdia
no deixar-se marinha
em todas suas portas
Infinitos em declarada urgência
os infinitos
que tenho em mim
será que se expandem?
Ou apenas transitam
minha lógica do longe?
arrumados,
nos vãos do pensamento,
apenas tangem a razão
ao encontro do tempo
meus infinitos apenas cobram
o direito a seus estreitos contratempos
Poema em navegação aberta
o poema
envergonhado
afaga a América
em seu latino salto
deixa-se militante
em seu panfleto
livre do eu lírico
contrafeito
o poema apenas dorme
a forma em seus trejeitos
como se fora um bólide
dos conteúdos do peito
Procissão
a santa
posta em andor, refém,
avança a procissão
com ares de trem
os trilhos,
postos nas cabeças,
desobedecem as retas
nas curvas da consciência
a santa, nos ombros que a levam,
derrama milagres pela calçada
com seu disfarce de pedra
Dos olhares grávidos
no vão dos olhos
a imagem delata
os flagrantes avisos
dos vincos da alma
o pulsar da vista
nos desvãos do tempo
alinhava um amor
no pensamento
e flui em verbo pela boca
como um convite ao sentimento
do verso em mim adredemente
dou-me ao verso
como recato
esse guardar o rumo
das letras do fato
e quando avesso
cavalga meu juízo
guarda em meu peito
pequenos infinitos
no descampado de mim
o verso é só um tempo
de sentir a vida correndo
e apalavrar o sentimento
Comício em acelerado canto
a multidão
entoando versos
canta o futuro
em cada gesto
as vozes
como serpentinas
balançam a história
em cada rima
a multidão é o artefato
dos tempos que oficina
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.