Da infantil usina de atos coletivos
quando usina farta,
nos vincos da memória,
a criança constrói a vida
abraçada à história
não que lhe importe
o sentido do fato
mas que ressoe no tempo
como um sentimento inato
construir o bem de si
é despejar-se no espaço
e molhar-se do outro
nas constâncias dos atos
Poema em latência mundana
o poema
habita os futuros
tenha de pouco e tanto
ou que sonhe de tudo
nada do que lhe entorna
dá-se como ausente do mundo
o verbo é sempre norma
de transitar o discurso
montado nos ombros da vida
tangendo todos os cursos
como se fosse vontade
de comandar o seu uso
Da palavra como vida
a palavra discursa
como fala
todo conteúdo
do que cala
dizê-la só trejeito
de um gesto comedido
é esquecê-la como verbo
de dizer a vida
a palavra vale enquanto
seja um tanto das avenidas
composta como retrato
de todas as tentativas
Das intermitências humanas
o sentimento retrata
essa instância de tudo
em que o homem prolata
a renitência de todos
esse esticar o presente
como se fora o futuro
e deixá-lo como assente
nas recorrências do uso
o tempo é só um detalhe
inadiavelmente absurdo
Do amor em lavra
o amor
é uma praça pulsante
os desejos que o medem
promovem o levante
fazê-lo construído
como exercício
é traze-lo sempre
em comícios
o amor é construção
de todos seus edifícios
Relâmpagos comícios
relâmpago,
o comício aguça
nos ombros da rua
o cheiro da luta
o verbo
em cachoeiras
discursa o tempo
como bandeira
no meio do trânsito
das rédeas do novo
os homens bebem palavras
com jeito de povo
dos pensares da jornada
dos caminhos que sei
nos pés e na cabeça
talvez não caibam os passos
e as sinapses que mereça
na jornada da vida
andar é largar-se humano
nas veredas do espaço
nas vielas dos sonhos
as estradas do tempo
são os risos em que nos pomos
da arte em jornada pública
a arte, em ondas,
habita a vida
nas roupagens
em que se vista
dize-la alheia
ao trânsito das ruas
é entorná-la reticente
nos palcos em que flutua
a arte é bailarina exata
das humanas composturas
das ladeiras de mim
minhas ladeiras,
aclives renitentes,
apenas sobem a vida
adredemente
o trânsito de si,
como um redemoinho,
espalha-me em mim
como um passarinho
voo todos os possíveis
das subidas do caminho
gramaticais instâncias do verbo
dou-me à palavra
como um desenho
que, moderno, arma
os gatilhos do verbo
os estampidos da alma
o dizê-las assim,
gramaticadas,
endossam as entrelinhas
do que são as falas
as palavras estão grávidas
desde que pronunciadas
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.