Do frevo em passeata
o frevo assim pelas ruas
é um compasso diferente
quando derrama seus bemóis
atiça a alma da gente,
espalha, assim, pelos passos
pedaços de quem lhe sente
o frevo é só um recado
do que a alma consente
Frevo em trânsito corrente
o frevo
dá-se assim como vício
de escrever pelas pernas
o retrato do infinito
tangendo o povo na rua
nos bemóis que explicita
escreve um tempo de riso
no peito largo da vida
e nessa humana corrente
apressa o jeito de Olinda
Lia de Itamaracá ciranda o tempo
Lia de Itamaracá
em seu alvoroço
espalha todas as Áfricas
nos passos do povo
preta, em sua luz,
nos gestos esconde
todos os faróis
que vigem nos homens
a ciranda inventa a paz
nos bemóis que instala
e enche o canto de todos
com os passos da alma
Da tristeza em privada posse
esse modo transverso
de fugir da mágoa
trai um simples gesto
em manifesto da alma
como se fora sujeito
urdido em sua fala:
a tristeza enfim
é propriedade avara
dá-se apenas por mim
quando o peito declara
deixa-la nadando em sorrisos
é trejeito de afoga-la
Simbiótico panorama do tempo
o futuro,
debulhado do presente,
tem a marca do passado
que será futuramente
a simbiose
dessa gravidez histórica
é também o curso exato
das açōes e da memória
plantar futuros pela vida
é palmilhar todas as horas
imagens
o espelho
é só um retrato
do que a mente vê
em seus recatos
esconde-se da vida
como um eremita
das imagens que inventa
nos olhos que habita
o espelho é uma vontade
posta nos reflexos da vida
Gestual lembrança
a saudade
é um jogo do tempo
em deixar-se tanto
quando menos
dói no espaço
como uma pedra quântica
deixada ao léu
nas curvas da esperança
a saudade é só um gesto
que o pensamento dança
Temporais atitudes
não importa
que a manhã não venha
trago a tarde na algibeira
e as noites que convenham
o tempo, assim relativo,
nas velocidades em que tombe
sempre deixará o perto
nas vontades do longe
caminha-lo é só um desfrute
nos passos em que se tange
Parto em visão nascente
às portas do mundo
na materna guarita
o tempo pinça a vontade
de abraçar-se à vida
o ser, ainda encoberto,
deixa-se em transe
a ouvir os gritos imensos
de quem lhe tange
exausto,
engole a vida com espanto
e procura instalar-se pela história
no discurso do seu pranto
Mandamentos de mim
minha lei,
autocraticamente consentida,
determina todos os artigos
como criadores da vida
nos parágrafos
a vontade explicita
o transitar no tempo
em todas as léguas que consiga
nas alíneas,
sub-reptícias,
a tristeza é só um estopim
das alegrias que insistam
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.