trilhos e trilhas
o trem
preso aos trilhos
é um disfarce exato
do arbítrio
tudo que o leva
é um rumo definido
os atalhos possíveis
são apenas indícios
às humanas locomotivas
dos trilhos postos da vida
cabe criar atalhos
em todas as suas trilhas
Viagem
parto de mim
frequentemente
nos palcos do povo,
nos vincos do tempo
resto em mim
tão fortemente
nas manhãs que singro,
como outro, pelo tempo
estar chegando em mim
é estar partindo sempre
Dos mares de mim em curso
incógnito,
nas sombras,
meus mares sonham
esse tanger as ondas
nas praias de todos,
dão-se ao discurso
desse choro convulso
das águas do futuro
é como beber-se o tempo
e trazer-se urgente como uso
O grito e seus informes
o grito
é incontinência
presa solta
da paciência
dói, nos atos,
como fardo casual,
estilhaço de verbos
em decúbito vocal
o grito discursa o alvoroço
de verbos reticentes
que esquecem nos fatos
os braços do que sente
Do vau da vida
cabe no homem
qualquer caminho
aqueles que constrói
e os que adivinha
achar o largo vau
no rumo dos passos
é um molhar-se de si
em tudo que abrace
esparramar-se na vida
é só um jeito de enfrentar-se
Da vivida volição dos tempos
decrete-se a vontade
na construção da vida
nave que o tempo voa
em todas as investidas
dize-la assim astronauta
sob a rédea dos ventos
é trama-la como pássaro
nas asas do pensamento
o mundo nunca descabe
da correnteza viva do tempo
Temporais acasos da vida
quando manhãs
as noites que sinta
ria largo do tempo
e seus labirintos
deixe-se no espaço
dos futuros que possa
voe as tardes nos olhos
como intensas gaivotas
tudo que abraça a vida
é só um descuido das horas
Matemáticas lides
matemático
o número sabe
desfazer-se de si
em negativas marcas
quadradas
as raízes
operam razōes
em seus limites
meus números
apenas dizem
os quantuns de mim
que ainda vivem
Palestinas pátrias
Toda manhã
tem um quê de palestina
de um tempo desordenado
que a luta às vezes ensina
em ter sempre no peito
esse jeito de oficina
que constrói um amor desregrado
pelo viés exato da vida
como se fora um infinito
guardado no bolso da camisa.
Palestinos e palestinas
somos em dias e vida
num tempo desprevenido
em que o homem caminha
ao contrário dos sentidos
vendo o que já não come
morrendo o que já não vive
como se viver fosse tanto
quanto olhar o que se disse
Palestinos seremos todos
no dia tanto da vida
quando o homem caminhe livre
todas as pátrias que viva.
Dragão do Mar
Chico da Matilde,
vestido da história,
construía o tempo
no alvoroço das horas
dragão do mar,
dava-se à simetria
de ter-se humano
nas áfricas que vivia
tudo que era o futuro
em suas mãos já vivia
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.