pareceres em inverso rumo
a aparência
é lapso
vestimenta ingênua
do fato
dá-se aos olhos,
assim lúdica,
como privada feição
do que é público
arrastá-la à lógica
da contradição
é permiti-la sim
mesmo que não
Notícias em vazão vivente
no jornal da vida
sempre publico
os atos do futuro
em que me digo
trazê-los revoltos
na vontade
é só um trejeito
de alguma liberdade
as larguras do sentir
são manchetes vastas
dos futuros que alinho
no frontispício da alma
Andares alheios
na multidão
estou composto:
um tanto de mim
o todo do outro
dou-me ao passo
do andar alheio
nos ombros da estrada
em que me atrevo
nada como trafegar
sem as curvas do medo
Do viver em códigos
haverá um tempo
em que o tempo
não será um código
de contar os tempos
em solilóquio
porque de tê-lo
só como invólucro
dar-se-á à vida
um destino lógico:
viver desde quando
não se meçam os detalhes
pedras impeditivas
das ondas da vontade
Vivente natureza em humanos gestos
de oito bilhões
ditos viventes
restem como multidão
tão impunemente
assim como razão
por que se sente
um jeito exato de povo
preso em correntes
na vital contradição
de cada consequência
oito bilhões é só um tempo
de arranjar o pensamento
e trafegar a vontade
no colo intenso do vento
oito bilhões
é só um dizer da natureza
dando fala de si
no colo de si mesma
Leitura em sincronia
o poema
jazia no livro
como um verbo largo
definitivo
nos olhos,
o homem pressentia
as páginas viradas
no colo da vida
o poema e o homem
entornavam o dia
Dos bordados anônimos do universo
a nuvem atômica, no espaço,
brincando de infinito
emudece a via láctea
em seu próprio grito
no telescópio
a imagem, no homem, pulsa
todas as ilações
da intensa e virtuosa luta
a vida é a distância exata
entre o universo e sua tecitura
Gerência das horas em largo riso
quando a noite vier
que o tempo salte
como um pássaro cantante
nas rugas da face
e deixe-se errante
pelos risos que nascem
de todos os rompantes
que a vida grasse
o acúmulo de horas
é apenas disfarce
de quem ri a história
pela própria face
Lago dos cisnes em detalhe
no palco,
desarvorado,
o cisne cambaleia
as curvas de seu fado
suas asas,
naus amarguradas,
voam todos os voos
dos bemóis em que se cala
e de repente, o cisne voa tanto
que a bailarina desmaia
e deixa os sonhos do povo
voando pela sala
Das andanças de mim
saio de mim
adredemente
tudo que me deixa
é um passado insistente
que pincela de futuro
o peito do presente
e no deixar-me em trânsito
pelos becos dos momentos
abarco a realidade
como um sentimento
um jeito abraçado
de navegar o tempo
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.