Solilóquio em rasa ocorrência
a solidão,
solta no tempo,
é só um vão
do pensamento
dói pela vida
como desperdício
da vazão de todos
pelo coletivo
a solidão trafega
a ausência do outro
em que navega
Dos reveses em vistas e relances
os olhos em relances
arcam consequências
faróis incautos
da consciência
dizem no tempo
segredos arquivados
gestos de futuro
molhados do passado
os olhos são faróis intensos
de lampejos cinematográficos
Das andanças etílicas
o vinho
tinge o juízo
com as cores de si
e alguns artifícios
flui no verbo
como um vendaval
letras e gestos
em decúbito formal
o álcool tange o corpo
como uma bandeira exata
de todos os egos resumidos
espalhados pela praça
pássaro em discurso
o papagaio
caça o verbo
como um som intruso
em seu interno
joga palavras
como trinados
nos construtores humanos
de seus brados
pássaro, em discurso,
na repetição de humanos,
nem percebe a razão
dos verbos que proclama
Palavras em postais correntes
a palavra
lavra a fala
discursa e cala
farpa verbal, resvala,
pelo rio da boca
d(g)ramática e avara
dorme no verso,
verbo resumido
como manifesto,
brincando de infinito
Das vésperas verbais da verdade
a verdade
paira dita
nas dúvidas do fato
que explicita
verbo
não se presta
a provar antes do fato
sua véspera
construi-la antes
é manifesto
de quem verbaliza
o concreto
Trânsito em humanas carnes
de trazer-se magro
num tempo escasso
o homem lavra a fome
consigo nos braços
o viver estanca
no corpo descampado
e, faminto, mede a falta
de sonhos pela face
o tempo transita um homem
permanentemente adiado
Institutos de mim
a vida,
meu instituto,
é só um afazer
em que debruço
e dar-me pleno
em seu uso
é jogar-me em todos
como discurso
a vida é um programa
das mudanças do mundo
Filigrana zen do exercício
intensamente zen,
deixo-me vagar
nos eus do além
saio de mim
entrando-me largo
nada e tudo de mim
que vagamente trago
conjuntamente zen
dou-me ao indício
de postar-me lógico
no colo coletivo
Do processo legislativo vivente
projeto,
em clara vontade,
a vida permanece
nos braços de quem a lavre
decreta-se, em votos,
adredemente aprovada,
como lei de quem a leva
nos ombros da estrada
finda,
em autógrafo dada,
legisla sobre a matéria
genericamente disfarçada
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.