Tribais ensejos do particular
indígena
dá-se à tribo
como um ser plural
e indiviso
da multidão
que guarda em si
esculpe-se indivíduo
tecendo o porvir
indígena larga-se no mundo
como um pedaço de tudo
Poema de circunstância X
na garupa dos anos
os olhos, sem tristeza,
jorram a cada instante
em que a vida seja
dá-se ao pranto
docemente escorrido
como se fora um discurso
com jeito de sorriso
a emoção, assim provecta,
tem coisa do infinito
De Mãe Senhora e Verger em obrigação
na cabeça de Verger,
Mãe Senhora, em cantos,
solfejou os orixás
e fotografou o espanto
Verger, ensimesmado,
tangia as emoçōes
como um descrente repleto
de suas graves pulsações
Mãe Senhora atiçava o tempo
debruçado em suas mãos
Das andanças em notas e caminhadas
nas teclas do piano
palmilhando compassos
o músico inventa seu riso
nos bemóis a que se abraça
do raso dos dedos
caminhando o teclado
o pianista tece a trama
de notas abraçadas
a música é só um comício
numa grande passeata
Dos informes traços do universo
do universo
decrete-se a forma
de ter-se infinito
infenso a normas
porque de sê-lo
assim incontido
tenha-se já completo
em vários infinitos
as réguas de tê-lo abarcado
são artifícios do juízo
Onírica delação de palcos
quando durmo,
a cama é um palco:
todos os sonhos
infestam o cenário
aves rápidas,
na onírica paisagem,
delatam meus egos
e minhas sinapses
dormir é navegar impune
os mares de que nem se sabe
Dos amanhãs de agora
o amanhã
habita agora
o espreguiçar-se
da história
vivê-lo hoje
nas desoras
é bordar o futuro
a cada hora
o mundo anoitece
com jeito de aurora
Sinfônica manhã em sono aberto
e quando veio a manhã
bordada no sentimento
a vida alvoroçou-se
nas costas largas do vento
o dia apenas mostrou
a pertinácia do tempo
o homem, então, acordou
no sinfônico movimento
que entrelaça o sono e a vida
nas entrelinhas dos momentos
Verbos em corrente medida
há um claro indício
nas palavras escondidas
que o verbo assim tramita
uma vontade resumida
infensa aos confrontos
da criação coletiva
em que todos, em verbos,
constroem a vida
as palavras são os estopins
dos fatos que atiçam
Iemanjá em fluviais mares do mundo
Iemanjá, viajante,
nos rios em que embarca,
é um mar debruçado
nas ondas da África
pulá-las, mansamente,
como um exercício,
é combinar notícias
com algum infinito
a energia é um abraço
que o mundo traz consigo
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.