Duvidosas dívidas da verdade
minha dúvida
nunca é dívida
antes como verídica
em não conter medidas
para medir os fatos
que me entornam pela vida
trazê-los todos contados,
em réguas sapientes,
é deixar-me do futuro
em verdades só presentes
esquecidas das rebeliões
de tudo que se sente
Do processo legislativo vivente
projeto,
em clara vontade,
a vida permanece
nos braços de quem a lavre
decreta-se, em votos,
adredemente aprovada,
como lei de quem a leva
nos ombros da estrada
finda,
em autógrafo dada,
legisla sobre a matéria
genericamente disfarçada
Iemanjá em marinha lógica
envergonhada
Iemanjá declara
todas as ondas
em que cala
energia humana
resta simbólica
no espalhar-se nos homens
nas ondas em que mora
Iemanjá vive seus eletrons
em permanente concórdia
no deixar-se marinha
em todas suas portas
Das andanças etílicas
o vinho
tinge o juízo
com as cores de si
e alguns artifícios
flui no verbo
como um vendaval
letras e gestos
em decúbito formal
o álcool tange o corpo
como uma bandeira exata
de todos os egos resumidos
espalhados pela praça
Da borboleta em voo rasante
a borboleta,
íntima do vento,
assume a confissão
de navegar o tempo
singra nas asas
os olhos que a perseguem
quase estandarte avulso
dos céus em que se mede
a borboleta dança no voo
todas as léguas que consegue
Das vésperas verbais da verdade
a verdade
paira dita
nas dúvidas do fato
que explicita
verbo
não se presta
a provar antes do fato
sua véspera
construi-la antes
é manifesto
de quem verbaliza
o concreto
Das metragens do amor em ritmo condensado
o amor é usina elástica
cabe assim no peito
como exercício exato
de todos os infinitos
em que se declara
os que constrói no tempo
os que arquiva na alma
derramá-los pelos dias
é condição de estreitá-los
e cabe-los consumidos
na recorrência dos braços
Saturno em onírico rito
Saturno, a postos,
pisca no céu
como um estandarte de luz
plantado no cosmos
dado às alturas
injeta nos olhos,
no jogar da mente,
os infinitos que pode
Saturno é só figurante
dos sonhos que esconde
aqueles que alinhavam a vida
aqueles que vivem o longe
Versejar como navegação de si
versejar
talvez nem seja
ver se o verbo retrata
o que crítica deseja
versejar
é só um jeito
de derramar o mundo
que se tem no peito
verbo sentido
espalhado nas estrofes
nada quantifica a forma
dos infinitos conteúdos de que sofre
Materiais enfoques da mundana troca
a matéria
em cambalhotas
gesta o futuro
em suas trocas
faz-se objetiva
em subterfúgios
e subjetiva o óbvio
em seus infortúnios
a matéria vive em si
todos os atos de tudo
navegante, como ofício,
leva a mudança como vício do mundo
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.