Palavras em postais correntes
a palavra
lavra a fala
discursa e cala
farpa verbal, resvala,
pelo rio da boca
d(g)ramática e avara
dorme no verso,
verbo resumido
como manifesto,
brincando de infinito
pássaro em discurso
o papagaio
caça o verbo
como um som intruso
em seu interno
joga palavras
como trinados
nos construtores humanos
de seus brados
pássaro, em discurso,
na repetição de humanos,
nem percebe a razão
dos verbos que proclama
Trânsito em humanas carnes
de trazer-se magro
num tempo escasso
o homem lavra a fome
consigo nos braços
o viver estanca
no corpo descampado
e, faminto, mede a falta
de sonhos pela face
o tempo transita um homem
permanentemente adiado
Dos locais históricos da fala
no lugar da fala
consciência em vagas
de todos os cânticos
da palavra
as que teimam ouvir-se
as que partem da alma
largas estradas da vida
remoendo verbos pelas horas
como uma usina estendida
plantada nas costas da história
Do sonhar como futuro
durmo as noites
como dias exaustos
em que me debruço no tempo
com ganas de astronauta
o sonho arquitetado
nas curvas do que durmo
é só um repetido recado
das coisas do futuro
sonhar é construir a vida
em cada caminho de tudo,
nos dias que sejam claros,
nas noites todas do mundo
Humana natureza em pensante correr
a natureza,
posta em consciência,
da-se no homem
como presença
flui como estranha,
incauto movimento,
no apartar-se de si
pelo pensamento
os verbos nem percebem
esse enganar-se no tempo
trilhos e trilhas
o trem
preso aos trilhos
é um disfarce exato
do arbítrio
tudo que o leva
é um rumo definido
os atalhos possíveis
são apenas indícios
às humanas locomotivas
dos trilhos postos da vida
cabe criar atalhos
em todas as suas trilhas
Poema em navegação aberta
o poema
envergonhado
afaga a América
em seu latino salto
deixa-se militante
em seu panfleto
livre do eu lírico
contrafeito
o poema apenas dorme
a forma em seus trejeitos
como se fora um bólide
dos conteúdos do peito
Dos olhares grávidos
no vão dos olhos
a imagem delata
os flagrantes avisos
dos vincos da alma
o pulsar da vista
nos desvãos do tempo
alinhava um amor
no pensamento
e flui em verbo pela boca
como um convite ao sentimento
Infinitos em declarada urgência
os infinitos
que tenho em mim
será que se expandem?
Ou apenas transitam
minha lógica do longe?
arrumados,
nos vãos do pensamento,
apenas tangem a razão
ao encontro do tempo
meus infinitos apenas cobram
o direito a seus estreitos contratempos
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.