Cruzeiro ensimesmado
em mim, à deriva,
os sonhos navegam
os mares da vida
barcos construídos
em adrede investida
à espera dos portos
que meu braços consigam
deita-los no tempo
em águas tranquilas
é deixar-me navegante
dos cruzeiros da vida
Pelé em campo largo
a bola,
vagando na tarde,
sonha Pelé
nos ombros da saudade
o povo,
grávido de sua lembrança,
alinhava pelo tempo
sua eterna dança
Pelé,
agora encantado,
vive no colo do mundo,
ainda majestade
Caminhada em passos voláteis
os passos,
nos ombros do tempo,
dobram o caminho
no pensamento
a estrada,
mastigada na paciência,
tange a paisagem
pela consciência
o destino é só um perto
para ludibriar os longes
como manifesto
Do poema em declarada entrega
o poema
lambuza a alma
alinhavando razões
no colo das palavras
não que as preencha
com a régua de princípios
mas que as regue fartas
com um quê da vida
o poema é só um transeunte
das nossas densas avenidas
Dos reveses em vistas e relances
os olhos em relances
arcam consequências
faróis incautos
da consciência
dizem no tempo
segredos arquivados
gestos de futuro
molhados do passado
os olhos são faróis intensos
de lampejos cinematográficos
Matinal
o vento
alinhavando a paisagem
tange pedaços do tempo
no peito da cidade
a manhã
no colo dos passarinhos
bebe o concerto das aves
espalhando-se nos caminhos
o homem, bebendo a ventania,
abraça o mundo em seu ninho
Materiais enfoques da mundana troca
a matéria
em cambalhotas
gesta o futuro
em suas trocas
faz-se objetiva
em subterfúgios
e subjetiva o óbvio
em seus infortúnios
a matéria vive em si
todos os atos de tudo
navegante, como ofício,
leva a mudança como vício do mundo
Do processo legislativo vivente
projeto,
em clara vontade,
a vida permanece
nos braços de quem a lavre
decreta-se, em votos,
adredemente aprovada,
como lei de quem a leva
nos ombros da estrada
finda,
em autógrafo dada,
legisla sobre a matéria
genericamente disfarçada
Das metragens do amor em ritmo condensado
o amor é usina elástica
cabe assim no peito
como exercício exato
de todos os infinitos
em que se declara
os que constrói no tempo
os que arquiva na alma
derramá-los pelos dias
é condição de estreitá-los
e cabe-los consumidos
na recorrência dos braços
Trânsito em humanas carnes
de trazer-se magro
num tempo escasso
o homem lavra a fome
consigo nos braços
o viver estanca
no corpo descampado
e, faminto, mede a falta
de sonhos pela face
o tempo transita um homem
permanentemente adiado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.