Do vaqueiro em escalada
na caatinga,
nos bemóis de seu grito,
o vaqueiro tange a vida
como um boi subentendido
e nesse laçar o tempo
nas veredas que habita
o vaqueiro joga seus laços
nos sonhos que exercita
o boi é só um transeunte
dessas estradas oníricas
Andares alheios
na multidão
estou composto:
um tanto de mim
o todo do outro
dou-me ao passo
do andar alheio
nos ombros da estrada
em que me atrevo
nada como trafegar
sem as curvas do medo
pareceres em inverso rumo
a aparência
é lapso
vestimenta ingênua
do fato
dá-se aos olhos,
assim lúdica,
como privada feição
do que é público
arrastá-la à lógica
da contradição
é permiti-la sim
mesmo que não
Vivente natureza em humanos gestos
de oito bilhões
ditos viventes
restem como multidão
tão impunemente
assim como razão
por que se sente
um jeito exato de povo
preso em correntes
na vital contradição
de cada consequência
oito bilhões é só um tempo
de arranjar o pensamento
e trafegar a vontade
no colo intenso do vento
oito bilhões
é só um dizer da natureza
dando fala de si
no colo de si mesma
Notícias em vazão vivente
no jornal da vida
sempre publico
os atos do futuro
em que me digo
trazê-los revoltos
na vontade
é só um trejeito
de alguma liberdade
as larguras do sentir
são manchetes vastas
dos futuros que alinho
no frontispício da alma
Dos bordados anônimos do universo
a nuvem atômica, no espaço,
brincando de infinito
emudece a via láctea
em seu próprio grito
no telescópio
a imagem, no homem, pulsa
todas as ilações
da intensa e virtuosa luta
a vida é a distância exata
entre o universo e sua tecitura
Lago dos cisnes em detalhe
no palco,
desarvorado,
o cisne cambaleia
as curvas de seu fado
suas asas,
naus amarguradas,
voam todos os voos
dos bemóis em que se cala
e de repente, o cisne voa tanto
que a bailarina desmaia
e deixa os sonhos do povo
voando pela sala
Gerência das horas em largo riso
quando a noite vier
que o tempo salte
como um pássaro cantante
nas rugas da face
e deixe-se errante
pelos risos que nascem
de todos os rompantes
que a vida grasse
o acúmulo de horas
é apenas disfarce
de quem ri a história
pela própria face
Do amor em lavra
o amor
é uma praça pulsante
os desejos que o medem
promovem o levante
fazê-lo construído
como exercício
é traze-lo sempre
em comícios
o amor é construção
de todos seus edifícios
Da infantil usina de atos coletivos
quando usina farta,
nos vincos da memória,
a criança constrói a vida
abraçada à história
não que lhe importe
o sentido do fato
mas que ressoe no tempo
como um sentimento inato
construir o bem de si
é despejar-se no espaço
e molhar-se do outro
nas constâncias dos atos
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.