Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
quando indivíduo
assim subtraído
vem-me à face a razão
de não ser compreendido
porque tenha da vida
uma tão dessemelhança
que não me cobre coerência
qualquer desvão da esperança
quando indivíduo
assim desencantado
vem-me a razão à face
de não me ser amado
porquanto tenha do amor
uma crua transigência
de parecer-me pacato
num mar de insolência
quando indivíduo
assim tão tático
vem-me à face a estratégia
de sentir-me armado
porquanto tenha da arma
uma visão avara
que diz-me nexo de tudo
e desconvoca a alma
quando indivíduo
trançado em desatinos
vem-me ao riso a razão
de parecer-me irresolvível
porquanto possa jogar-me
no dorso das consequências
e parecer-me mais crível
apesar das aparências
quando indivíduo
assim contrariado
vem-me à morte a razão
de parecer-me um fardo
jogado em jeito morno
mas de intensa frialdade
e que nunca me convence
dos metros de minha idade
quando coletivo
eis-me indivíduo
guardados metros de mim
na longidão de meus sentidos
porquanto cerzido à massa
venha-me sempre a razão
de parecer-me soldado
com minha vida na mão
quando coletivo
eis-me solucionado
na contradição infinita
de todos os meus fardos
porquanto mágoas carregue
elas trazem-se tão cruas
que jogam-se em meu peito
e perdem-se nas ruas
quando coletivo
eis-me amado
nos vãos mais largos das ruas
e nas praças em que me trago
porquanto seja urbano
de uma rural compostura
no grave abraço que o povo
constrói na sua postura
quando coletivo
íntimo da liberdade
queiram-me morrer em praças
nas quais eu sempre caiba
porquanto minha carne
ultrapasse um mero músculo
e esconda na história
aquilo por que me custo
da massa
tem-se a impressão
de um jornal estendido
nas costas da nação
que ocupa em suas páginas
a grave contradição
de quem empunha as praças
com a fome nas mãos
e tem-se resolvida
na irresolução
dos futuros que repete
em cada contradição
porquanto passada não use
a mesma geometria
que diz-lhe soma de uns
e viés das maiorias
mas seja concatenada
como a calda das usinas
que se quer rio de mel
nessa profunda oficina
que apenas não é a soma
de um açúcar inconsumido
mas a simples composição
de vários infinitos
da massa
tem-se a impressão
de uma rosa vermelha
cravada na escuridão
porquanto flor já não seja
tenha-se sempre à vontade
em ser planta do mundo
semente da liberdade
da massa enfim
tenha-se a certeza
de que mesmo gasta a manhã
ganha-se a tarde inteira
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.