nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Do avarandado das culpas e seus melindres
na varanda das culpas
resta o veredito
de que o fato resiste
a qualquer artifício
e de não ser ato
mas interna condolência
a culpa apenas medra
num desvão da consciência
em que mesmo objeto
o sujeito desdiz sua presença
nenhuma culpa se presta
a consertar por si a existência
resta o veredito
de que o fato resiste
a qualquer artifício
e de não ser ato
mas interna condolência
a culpa apenas medra
num desvão da consciência
em que mesmo objeto
o sujeito desdiz sua presença
nenhuma culpa se presta
a consertar por si a existência
359
Paisagem lunar e circunstância
a lua
justa no céu
corta a noite
como se fora
uma exata foice
e nova, desmaia
nos ombros de um infinito
em que naufraga
todos os navios de mim
que das pupilas saltam,
viajantes dos portos gerais
das cidades da alma.
justa no céu
corta a noite
como se fora
uma exata foice
e nova, desmaia
nos ombros de um infinito
em que naufraga
todos os navios de mim
que das pupilas saltam,
viajantes dos portos gerais
das cidades da alma.
108
poema a Lane num sono qualquer de sua vida
I
assim anoitecida
carregas no gesto
todas as tardes
por não seres noite
nem por isso
deixas de escurecer meu peito
com o alegre burburinho das estrelas
II
navego teu sono
como uma jangada morna
de sonhos tanto como velas
III
e se resmungas
teu lençol é uma bandeira tangida
pelos grandes ventos
na noite em que me constróis
IV
teu sono
tem a concisão de um sonho
que amarrotas nos lábios
adredemente amanhecidos
assim anoitecida
carregas no gesto
todas as tardes
por não seres noite
nem por isso
deixas de escurecer meu peito
com o alegre burburinho das estrelas
II
navego teu sono
como uma jangada morna
de sonhos tanto como velas
III
e se resmungas
teu lençol é uma bandeira tangida
pelos grandes ventos
na noite em que me constróis
IV
teu sono
tem a concisão de um sonho
que amarrotas nos lábios
adredemente amanhecidos
113
Das léguas razões dos meus enfados
Nas ruas da vida
como ser exato
se todas as léguas
cabem nos meus passos?
Como não cabê-las
nos desvãos do mundo
explodindo em tudo o coração
navegante urgente desses rumos?
como não sabê-las
estradas de mim mesmo
na direção exata do povo
a que me coube tê-lo?
É que a humano
sempre se permite
amanhecer todas as manhãs
por que se grite
e é de tê-las avulsas
como tempos recatados
das razões de nós mesmos
que tenhamos projetado
como ser exato
se todas as léguas
cabem nos meus passos?
Como não cabê-las
nos desvãos do mundo
explodindo em tudo o coração
navegante urgente desses rumos?
como não sabê-las
estradas de mim mesmo
na direção exata do povo
a que me coube tê-lo?
É que a humano
sempre se permite
amanhecer todas as manhãs
por que se grite
e é de tê-las avulsas
como tempos recatados
das razões de nós mesmos
que tenhamos projetado
3 411
Possibilidade
inverto.
sou aquilo
que nem me conheço.
invento.
sou o contrário
do meu medo.
intento.
ouso amar-me
como me invento.
sou aquilo
que nem me conheço.
invento.
sou o contrário
do meu medo.
intento.
ouso amar-me
como me invento.
3 238
Poeminha humanitário
que ilusão
a droga sonha tudo
eu não
e objeto e inimigo
não me distingo
das rédeas
em que não me dirijo
a droga
é um interstício
entre mim
e todos meus indícios
homem
nada me proclama
o atestado de sujeito
ou de quem ama
a droga
resulta inumana
nada do que é sujeito
lhe reclama
apenas um inteiro indício
de que a vida
nem é chama
a droga sonha tudo
eu não
e objeto e inimigo
não me distingo
das rédeas
em que não me dirijo
a droga
é um interstício
entre mim
e todos meus indícios
homem
nada me proclama
o atestado de sujeito
ou de quem ama
a droga
resulta inumana
nada do que é sujeito
lhe reclama
apenas um inteiro indício
de que a vida
nem é chama
3 159
Das andanças do povo
A multidão
contrita
laça o peito da história
na avenida
o que lhe tange
é o favor da lida
de criar futuros
e entorná-los pela vida.
contrita
laça o peito da história
na avenida
o que lhe tange
é o favor da lida
de criar futuros
e entorná-los pela vida.
3 462
Versos diagonais em torno da usança do viver
a ansiedade
é só um destempero
de quem faz do futuro
um medo
a dúvida
é só um lapso
das certezas que se traz
fora dos braços.
3 164
dos olhares e tanto
que se admita:
ao homem é dado o olho
e a vista
e no entanto
não se permita
que o olhar seja maior
que a coisa dita
porque em sê-lo
o olho desvirtua
o que apenas verbo
desabita a rua
é que aos olhares
não se admite
que sejam reticências
de algum alvitre
porque em tê-los luz
em compreensão exata
nada lhes retire
o aval da prática
que consolida o olho
enquanto instrumento
de medir a vazão
de todo pensamento
ao olho
nunca reste
a noção de que retrata
tão somente perscrute
o que indaga
e se pousa na língua
como verbo inflacionado
há que perdurar um tanto
na condição de projeto incalculado
ao olho
em todas as vias
resta uma feição de atalho
da alegria
porque baldio
mesmo reticente
o olho é janela
de inventar a gente
ao olho
em desoras
cumpre um tempo
de demoras
pois ao restar na face
como farol incauto
o olhar demonstra avessos
dentro da alma
ao olho contudo
é dada a serventia
de inventar-se em noites
mesmo dia.
eis a razão:
o olho deve sempre caber
na palma da mão.
ao homem é dado o olho
e a vista
e no entanto
não se permita
que o olhar seja maior
que a coisa dita
porque em sê-lo
o olho desvirtua
o que apenas verbo
desabita a rua
é que aos olhares
não se admite
que sejam reticências
de algum alvitre
porque em tê-los luz
em compreensão exata
nada lhes retire
o aval da prática
que consolida o olho
enquanto instrumento
de medir a vazão
de todo pensamento
ao olho
nunca reste
a noção de que retrata
tão somente perscrute
o que indaga
e se pousa na língua
como verbo inflacionado
há que perdurar um tanto
na condição de projeto incalculado
ao olho
em todas as vias
resta uma feição de atalho
da alegria
porque baldio
mesmo reticente
o olho é janela
de inventar a gente
ao olho
em desoras
cumpre um tempo
de demoras
pois ao restar na face
como farol incauto
o olhar demonstra avessos
dentro da alma
ao olho contudo
é dada a serventia
de inventar-se em noites
mesmo dia.
eis a razão:
o olho deve sempre caber
na palma da mão.
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.