estar velho cedo quando tarde é brincar de anoitecer a liberdade é fingir-se de um tempo que entorna as manhãs como cachoeiras de saudade e derrama pelos ombros o peso exato da vontade
viver é só remar todos os mares que se sabe.
3 591
Ode à garçonete do Hotel Sputnik
No ventre do teu olhar existe o mesmo desatino com que se lança o Rio Neva na esteira do destino
tem a preguiça teu olhar de um dia estatizado e a nervura dos confortos com que a vida, às vezes, há de
tem do mar as ondas do báltico e a desfaçatez do que nem digo e se cabe, assim, em palavras descabe das coisas que nem sinto
tem a exata compostura de uma dízima infinda que nunca começa nos teus olhos e que nunca em nós termina.
3 400
Dos alinhavos da velhice andante
cavaleiro andante convoco meu instinto nas estradas que traço nos desvãos do que sinto
cada hora inventada é uma desculpa de como tornar mais breves todas as culpas: as que venham da vida, as que sejam da luta.
3 637
Das tecituras do caminho
para lutar comigo deixo-me estar subversivo
o tempo é só um indício de que há uma lei a que me obrigo: nada será o futuro senão meu ofício.
3 667
Das demarches do pensar e suas esperas
o algoritmo é só um indício das razões que tangem todos os sentidos
o vão de suas teses apenas resvala nas sinapses que explodem nas batalhas.
o algoritmo é só um vício de razões avaras.
3 659
Da conformação dos atos
a circunstância e o presente admitem futuros intransigentes nada que lhes digam passados dá-se por consequente
ao sujeito cabe apenas arruma-los adredemente nas calçadas da vida a que se consente.
3 632
Dialética insubmissa
O outro é só a antítese da síntese que somos todos e as teses ainda pulam no emaranhado das bocas mas há um futuro imposto nos verbos que nos ouçam.
É que juntos nos dispersamos na unidade das coisas.
3 685
Dos caminhos do futuro
aos camaradas reste a desculpa de inventar os sonhos nos caminhos da luta
figurantes dessa dança inventarão com o povo as portas e os degraus da esperança
a revolução, enfim, constantemente é só um montar na história de repente.
3 563
Romaria desenfreada
a rua decreta pelos passos a rebelião de todos os abraços
no pulmão do povo resfolega o futuro os tamanhos oníricos da imensidão do mundo
lutar é um passear pelos caminhos de tudo.
3 381
Da remessa ao estranho
Dá-se o acordo: nas entrelinhas da vida alinhavo minha condição de outro
tudo de mim é um só esforço em transbordar os eus a que me forço
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.