Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
cumprindo a saga
de dizer-se quando
o tempo vacila
ao dizer-se onde
o tempo desanda
quando viajante
finge-se de perto
quando longe
quando vira onde
assim encabulado
adia a vida de tudo
nos ombros do passado
o mar
arruma a paz
quando se tange
fingindo valentia
em suas ondas
seu canto
lambendo a areia
espalha mansidão
em suas veias
palco de humanos
coxia de sereias
nos gestos do mundo
o mar, com certeza,
brinca de teatro
pela natureza
o poema
indumentária
veste o poeta
de palavra
verbo tecido
lírica montagem
rastros da vida
e suas margens
o poeta
em suas páginas
declama a si
vozes da alma
o poema veste a vida
como íntima fala
o poema
tece a palavra
alinhavo verbal
de sua fala
forja debruns
em sua trama
estar calado
quando chama
verbo e grito
mente-se inerte
mesmo incontido
o poema no poeta
é um sexto sentido
guerrilheiro de mim
dou-me ao exercício
de inventar atalhos
nos meus infinitos
os que ainda ouso
os que apenas sinto
os que me choram
arrahando os sentidos
os que me riem
enfeitando a vida
nada como atalhar-se
nas distâncias construídas
meço os sonhos
com a régua inata
das léguas de desejo
em que me prolato
teimo em vivê-los
na vida quer arquivo
nos ombros do tempo
nas brechas do infinito
o sonho assanha
todos os sentidos
os que me levam acordado
os que me vivem dormindo
na Rua da Aurora
a madrugada transita
a intimidade exata
do tempo e da vida
Recife, ressonando,
ainda adormecido
desliza sonhos
afagando o Capibaribe
os olhos
bebendo a paisagem
ensaiam em si
os sonhos da cidade
no bolero de Ravel
o infinito se alarga
enche de cosmos
o chão da alma
foguetes bemóis
fusas disfarçadas
o som engravida
o útero do nada
os ouvidos apenas riem
o que a vida declara
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.