Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
a carne pulsa a vida
inventa enredos
entranhas invisíveis
de cada desejo
o trânsito humano
nas ruas do tempo
deflagra nas vias
todos seus inventos
o homem pulsa o mundo
tão sobrevivente
sonhando seus desejos
com a vida nos dentes
a madrugada
displicente
vinha brincando
de ser tempo
arrumava o sol
nos ombros do presente
o jovem
já sonolento
escreve no muro
o futuro que pressente
pulsavam nas paredes
a vida e a vontade
como vias do tempo
veias da liberdade
a manhã,
descuido da madrugada,
deu-se de tanta
até que fosse tarde
o tempo,
desacostumado,
fingiu-se de noite,
acovardado
a lua, saliente,
envaidecida,
piscou para o sol
meio escondida
o tempo fingia o espaço
o homem nem sabia
o camarada Pablo Ramirez
abraçava seu discurso
na estranha mania
de ter saudade do futuro
guardava em si
sonhos presumidos
como fosse íntimo
o tempo em seu ritmo
o presente
era apenas a estrada
em que o futuro dizia
marcas do passado
o partido era o oxigênio
no ritmo da fala
unânime em mim
dou-me à revelia
em estar sonhando
o quanto da vida
a estrada
onírica veia
pulsa a vontade
em correnteza
tudo de tanto
é como pouco
rastro de mim
enquanto posso
o sonho é um infinito
na sanha em que voo
o sonho fugiu da noite
enrolou-se no dia
serpente onírica
ao encontro da vida
fez-se de tanto
fraudou a realidade
imiscuido no tempo
fingindo seus atos
navegando a manhã
na barca do cérebro
o homem consumia
o gosto do desejo
ancestral
desde a infância
dou-me ao tempo
com parcimônias
as que vigem das horas
as que faltam nos sonhos
ancestral
na mundana disputa
deixo-me coletivo
às vias das ruas
a construção humana do tempo
é a lógica braçal da luta
o poema
desde cedo
deflagra o poeta
em seu enredo
andarilho de verbos
transeunte de si mesmo
o poema
em seu exercício
trama no poeta
todos os indícios
vontade de estar
humano comício
tranças consentidas
de verbose sentidos
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.