Reminiscência CXXIX
brincando no tempo
na chuva, no riso
o menino via assim
intimidade com o infinito
molhando a vida
diligente descobria
apesar de triste
a natureza sorria
tuda da infância
ainda hoje pulsa
na liquidez inata
dos gestos da luta
brincando no tempo
na chuva, no riso
o menino via assim
intimidade com o infinito
molhando a vida
diligente descobria
apesar de triste
a natureza sorria
tuda da infância
ainda hoje pulsa
na liquidez inata
dos gestos da luta
o vinho
atiçando o tempo
inventa futuros
no presente
salpica na língua
o vão das palavras
cachoeira de verbos
declamados
a vida voa
todas as paisagens
na vontade intrínseca
das humanas asas
o vinho é astronave
e nem sabe
no palco de mim
no teatro do mundo
a vida marca a cena
nos atos de tudo
nas coxias de tanto
nas platéias avulsas
vigas do tempo
palavras ensaiam fatos
conformam cenas
firmam seus contratos
o palco é sempre alvoroço
dos atos ensaiados
nesse construir o povo
nas ruas e nos palcos
sonho
sotaque da vida
discursa vontades
falas que gritam
boia nos olhos
tempo fictício
íntimas horas
laivos coletivos
a fala do sonho
ensaia paraísos
unânime alvoroço
das veias que tramita
o sotaque em fala e jeito
afaga e enfeita a vida
gendarme do tempo
dou-me à compostura
de marchar a luta
em todas as ruas
as que levem a mim
as que cheguem ao mundo
do tanto de mim
que brote dos passos
estejam incólumes
todos os compassos
na grande dança da vida
que caiu em meus braços
Anastasia Tyurina
dedilha a vida
na proporção exata
de tê-la infinita
as mãos como pássaros
correm o tempo
naves astronautas
do pensamento
a balalaica
é só um disfarce
da música que voa
em sua face
até o tempo
construído
que todos sejam um
como tantos
e deixem-se povo
indivíduos
laivos da matéria
em seu canto
até que, enfim,
transeuntes de tudo
sejam as estradas
veias todas do mundo
a saudade
em pedaços
constrói futuros
em seus laços
dorme a vida
quanto larga
vigência íntima
do passado
tudo da vida
viga recorrente
ressoa como parto
no útero do tempo
e, assim, renhida,
de sonhar em tanto
a vida deu-se ao riso
de viver-se horizonte
debruçada no tempo
quanto pássara
inventa todos os voos
nas léguas das asas
e de viver-se tanta
quanto astronauta
constrói todos em si
no vão da alma
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.