Lista de Poemas

Histórico memento

a história
é um descuido
que os fatos espalham
pelo mundo

farta do tempo,
como uma relíquia,
entranha-se no cosmos
como enfeite da vida

e nas escaramuças do povo
a história sempre engravida
70

Dos sinais verbais intermitentes

acosso o poema
com certo embaraço.
Os verbos, nem sempre,
dão-se a abraços

fustigam o senso
com certa ironia
como se fossem noites
travestidas de dias

o poema é transeunte delicado
do verbo e do poeta em suas vias
94

Lunática intenção dos tempos

a lua, magra,
parece um laço
pintado no céu
como um recado

nas aventuras que o tempo
traz no seu regaço:
as dos sonhos dos homens
pelos céus declarados

os que sejam minguantes
os que encham o espaço
62

Bailarina em algoritmica gesta

entornada no palco
em ombros de bemóis e fusas
a bailarina veste o mundo
dos recados da música

e nos voos construídos,
como uma nave do tempo,
espalha os infinitos
pelo vão dos pensamentos

a bailarina é um algoritmo
das alegrias dos ventos
60

Manhã em larga distopia

no raso da manhã,
ainda assim escondido,
o sol tenta tanger
uns pedaços do infinito

acorda no passarinho
um tempo de harmonia
no discursar seus bemóis
nos ombros largos do dia

e nas calçadas,
embrulhados na fome,
o vento tange a tristeza
pelos olhos dos homens
29

Do transcurso do amor em lances

o amor
tramado na alma
dá-se à recorrência
como uma chachoeira morna
das águas da consciência

e por ter-se embutido
nos desenhos dos fatos
deixa-se quase eterno
no tempo que desata

o amor é o exercício exato
de tudo em que se delata
63

Desejos em parcelas

parcelo-me à vista
quando dou-me inteiro
a todos os desejos
em que me avisto

é que a fração
do que eu insisto
deixa-se plena
dos meus sentidos

o desejo é um andaime
dos nossos infinitos
31

Novamente a bailarina em passos recorrentes

a bailarina
é passeata displicente
tudo de seus passos
tem um quê de transparente
até assim quando voa
pelos olhos da gente

a bailarina é militante
de tudo que se sente
23

do menino e dos trens em saga

o trem,
num passo lúdico,
pisava os trilhos
como um discurso

pela janela,
balançando a vida,
a natureza embalava
todas as retinas

o trem era um carrossel
despejado em suas linhas
55

Coletivos em urgente lógica

o viver humano
por fazer-se lúdico
tenha-se por vasto
nesse estado público

a vida
quando coletiva
dá-se por completa
nas origens que milita

o todos que é de tantos
é só um pouco de tudo
o presente é só a fábrica
das possibilidades do futuro
34

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.