Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
ancestral
desde a infância
dou-me ao tempo
com parcimônias
as que vigem das horas
as que faltam nos sonhos
ancestral
na mundana disputa
deixo-me coletivo
às vias das ruas
a construção humana do tempo
é a lógica braçal da luta
a vontade
portfólio da vida
inventa no homem
todas suas vias
as lidas em si
as coletivas
gerente imaginária
de culpas e dívidas
monta o arcabouço
via íntima das dúvidas
a vontade é o único leme
de quem se luta
o sonho fugiu da noite
enrolou-se no dia
serpente onírica
ao encontro da vida
fez-se de tanto
fraudou a realidade
imiscuido no tempo
fingindo seus atos
navegando a manhã
na barca do cérebro
o homem consumia
o gosto do desejo
a manhã,
descuido da madrugada,
deu-se de tanta
até que fosse tarde
o tempo,
desacostumado,
fingiu-se de noite,
acovardado
a lua, saliente,
envaidecida,
piscou para o sol
meio escondida
o tempo fingia o espaço
o homem nem sabia
a madrugada
displicente
vinha brincando
de ser tempo
arrumava o sol
nos ombros do presente
o jovem
já sonolento
escreve no muro
o futuro que pressente
pulsavam nas paredes
a vida e a vontade
como vias do tempo
veias da liberdade
torço a lembrança
pelo pensamento
ingênua prontidão
de enxugar o tempo
águas sentidas
no vão da lágrima
revivescência inata
do que se guarda
a memória
coleção subjetiva
sempre jaz no homem
álbum da vida
o poema
desde cedo
deflagra o poeta
em seu enredo
andarilho de verbos
transeunte de si mesmo
o poema
em seu exercício
trama no poeta
todos os indícios
vontade de estar
humano comício
tranças consentidas
de verbose sentidos
a vida
é discurso
tudo que lhe vive
diz o futuro
sua fala
verbo alado
voa na vontade
aterrisa nos braços
no homem
como colmeia
dá-se coletiva
em todas suas teias
discorre-la no mundo
é comício das ruas e veias
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.