Dos caminhos em povo recorrente
na praça o povo avança a cada grito de cada esperança monta sua luta em sonhos vastos dos tempos que tange como um recado o futuro é um beco largo da vontade como trabalho
Matinal partida em onírica perda
travo a manhã nos olhos insones, no colo da noite nos restos de sonho e debruço o tempo, renitente, no lastro dos ombros a manhã, vadia e urgente, enche de luz o enredo da noite tangida impunemente dos mares em que adormeço
Da coletiva noção do verbo
a poesia, súbita, flutua o verbo nas cachoeiras lúdicas dos rios do cérebro volátil, sólida e mágica, deixa-se exata em todas as ilações em que é plástica senti-la ação coletiva é derramar-se nas palavras e conduzi-las pelo tempo sem o ego em que se lavra
Ancestrais de mim em minudências
debulho meus ancestrais em cada gesto como um contínuo viver de tantos séculos e humanizo-me a cada conclusão de que sou partícula da imensidão o tempo reside em mim em cada légua do meu chão
Verso em meias medidas
o verbo dói o verso na frase súbita do inverso daquilo que a palavra é um fato desconexo da simplicidade da fala da cumplicidade do universo o infinito ainda cabe assim contrito nos tons que o verbo leva consigo
Ferroviárias moçōes do verbo
o trânsito das palavras é quase um algoritmo de mostrar nos homens os becos do infinito arrastadas, no trem do verso, carregam emoçōes como um vagão moderno tudo que as levam à mente são os trilhos do universo
Legislação em espécies e tramas
a lei, deitada em letras, entorna nos homens uma ordem alheia tudo que proclama, em decibéis armados, é uma clara continência a todos os seus brados a legalidade humana, como uma lei avulsa, promulga-se nos homens como artigo da luta
Do Galo em concerto
o Galo da Madrugada enche a rua de tanto que o povo engole a vida com o frevo na garganta e os bemóis traduzidos escritos, nos pés, na dança, escrevem o peito do povo nas partituras da esperança o mundo caminha a pauta das claves que o homem planta
Da caatinga em clara jornada
a caatinga, assim paisagem, pedaço da pátria recolhida, revolve em si militantes das longas curvas da vida e nesse dar-se à vista como sobrevivente constrói um jeito de si nos olhos de quem sente a caatinga é um morno abraço alinhavado em seus viventes
Alternâncias
a vida segue suga e saga levita dramas nas palavras o verbo assim, arma transita o medo pela alma deixar-se vivo é morrer-se lentamente no colo da calma
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.