Lista de Poemas

Caminhares em íntima jornada

dos passos que trago
escondidos na vontade
ressoam as caminhadas
dos desejos da alma

retirantes, palmilham
itinerários exatos
de todos os artifícios
postos na vontade

e nos caminhos da prática,
como pássaros baldios,
abraçam portas da liberdade
27

Frevo em voo presumido

o frevo assim em comício,
entornado pela rua,
inventa alegre nos passos
um jeito inteiro de luta

e os bemóis alinhados
nas emoções que pontua
escrevem a pauta do povo
nos homens que flutuam

o frevo é um voo exato
do homem na sua lida
de escrever pelas pernas
as linhas todas da vida
82

temporais vivificantes

e quando forem manhãs
as tardes que eu sinta
deixem-me organizar
os tempos que pressinta

é que arrumá-los
nos armários da vida
deixam um gosto de tanto
nos contratos que persiga

a vida é um litoral intenso
dos oceanos largos da lida
26

Das constatações factuais repentinas

a aparência do fato
resolve-se pronto
no deslizar da razão
a seu encontro

cômoda, repentina,
deixa-se pelo verbo
com ares de conceito
absoluto, incontroverso

a feição exata do fato
escorre nas ondas do cérebro
como uma sinapse perdida
esquecida e controversa
44

Das remessas de mim ao mundo

trafego
entre mim e o ego
tudo que esqueço
pelas curvas do mêdo

intacto,
quase convicto
dou-me à memória
de resolver os instintos

e enfim recolho-me inato
para afagar o que sinto
117

Do estado servil dos homens

a política, em tudo,
quase explicita
todos os vincos
postos da vida

forja-se estado
em poder e destino
como se fora regra
de homens e instintos

dá-la às razões coletivas
lutadas pela constância
é só uma nesga do futuro
com alguma certeza da esperança
81

Genuflexão em termos

ajoelhado
em suas culpas
o homem arquiteta
todas as desculpas

a divina idéia
pousa em seus verbos
como um pássaro fugitivo
de todos os infernos

a providência do tempo
é uma vontade absurda
de fazer das preces
um arremedo da luta
77

Temporal parcimônia

o dar-se à vida
requer parcimônia.
os infinitos do tempo
dão-se a quem sonha
guardadas as proporções
da onírica sanha

a vida é um tabuleiro
onde o tempo sempre ganha
63

Da infância fluvial em saltos

nas curvas do rio,
como um bailado,
as águas traziam mansa
a natureza nos braços

da ponte, aos saltos,
os meninos incontidos
lançavam-se foguetes
no colo morno do rio

a vida era uma armadilha
montada no desafio
da felicidade que havia
escondida pelo rio
69

Verbos em silente e verbal jornada

o poema
nunca cala
seu silêncio
é alvoroço da alma

o poema
nunca grita
seus alaridos
imitam a vida

o poema é um astronauta
em órbita nas avenidas
à procura dos labirintos
que os verbos lhe permitam
48

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.