nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Medições em verbos de dizer mundano
ao poema
cabem os milímetros
e todos os infinitos
que pressinta
dá-los a verbo
é unicamente sintoma
de que a palavra, sem medidas,
às vezes, sonha
o poema é um arbítrio lato
de liberdades e de clausuras
desde que trafegue, intenso,
a indizível lógica das ruas
cabem os milímetros
e todos os infinitos
que pressinta
dá-los a verbo
é unicamente sintoma
de que a palavra, sem medidas,
às vezes, sonha
o poema é um arbítrio lato
de liberdades e de clausuras
desde que trafegue, intenso,
a indizível lógica das ruas
45
Das imanências do verbo
o poema
nem imagina
deitar-se apenas nas palavras
que declina
antes
há de sabê-las postas
nas entrelinhas do juízo
em que se acosta
não é de dizer-se só enfático
nas nuances do seu corpo
mas nos bilhetes que emite
no verborrágico alvoroço
nem imagina
deitar-se apenas nas palavras
que declina
antes
há de sabê-las postas
nas entrelinhas do juízo
em que se acosta
não é de dizer-se só enfático
nas nuances do seu corpo
mas nos bilhetes que emite
no verborrágico alvoroço
48
Jornada
dou-me ao passado
como transeunte
que armazena no riso
os futuros que pude
dou-me ao presente
como navegante
que consome no riso
todos os meus antes
dou-me ao futuro
como intrometido
que teima a alegria
com as nuances do infinito
como transeunte
que armazena no riso
os futuros que pude
dou-me ao presente
como navegante
que consome no riso
todos os meus antes
dou-me ao futuro
como intrometido
que teima a alegria
com as nuances do infinito
91
Terrena constatação das vias
as faces do mundo
assim escorraçadas
tendem a admitir
o fim das madrugadas
pendurada no céu
a terra regurgita
todas as mágoas
desenfeitando a vida
e segue esperando os gestos
de quem navega o futuro
como fruto da revolução
nas encruzilhadas do seu curso
assim escorraçadas
tendem a admitir
o fim das madrugadas
pendurada no céu
a terra regurgita
todas as mágoas
desenfeitando a vida
e segue esperando os gestos
de quem navega o futuro
como fruto da revolução
nas encruzilhadas do seu curso
91
Minha mãe em utópicas rimas
minha mãe dói em mim
como um lírico abismo
tudo que já não é
permanece infinito
senti-la assim
como uma memória infinda
é poder cria-la
em todas as rimas
minha mãe é uma utopia
debruçada em todas as esquinas
como um lírico abismo
tudo que já não é
permanece infinito
senti-la assim
como uma memória infinda
é poder cria-la
em todas as rimas
minha mãe é uma utopia
debruçada em todas as esquinas
40
Verdade em relativa prosa
a verdade
é uma dúvida itinerante
solta-se ao depois
com as faces de antes
tê-la intacta
pelos tempos
é não cabê-la relativa
nesse transcurso intenso
o absoluto não é indumentária
que caiba em qualquer sentença
é uma dúvida itinerante
solta-se ao depois
com as faces de antes
tê-la intacta
pelos tempos
é não cabê-la relativa
nesse transcurso intenso
o absoluto não é indumentária
que caiba em qualquer sentença
48
da vida em pauta compassada
se a vida atravessar
o compasso da vontade
e deixar-se reticente
pelas curvas da face
revolva-se o tempo
nos ombros da liberdade
construindo os futuros
em que ainda se cabe
o compasso da vida
tende a ser perdulário
nada como vivê-lo
com as notas que criarmos
50
Fugitivas demarches da palavra
o poema
é fuga planejada
deixa-se da vida
para embarcar na palavra
porto semântico,
adernado no tempo,
o poema navega alvoroçado
os vincos do pensamento
e cai nas letras,
enquadrado,
habeas corpus verbal
do poeta e seus enfados
é fuga planejada
deixa-se da vida
para embarcar na palavra
porto semântico,
adernado no tempo,
o poema navega alvoroçado
os vincos do pensamento
e cai nas letras,
enquadrado,
habeas corpus verbal
do poeta e seus enfados
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.