Lista de Poemas

Palavras em diversos fóruns

palavras são fuzis
pássaros engaiolados
habitantes difusas
das vontades

soltas, em termos,
no trânsito da fala
ressoam esvoaçantes
ou engatilhadas

viventes do verso, insolentes,
dão-se ao tudo e ao nada
como gatilhos recorrentes
das continências da alma

61

da paisagem como vida

a paisagem,
quando espreguiça,
deixa pelos olhos
o sumo da vida

a matéria
tem dessas lides
joga o tempo no espaço
e nos põe em cabides

a paisagem é um tempo
de esquecer as marquises
56

Da menina e do mar em rasa cena

o mar, nos olhos da menina,
ensaia-se infinito e ilude
nessa indumentária de oceano
tido como um largo açude

eis que o sertāo pontua
em sua pauta líquida
a impossibilidade marinha
de ter-se em águas infinitas

os açudes de sua infância
a menina apenas quantifica
80

Da pátria grande desmedida

as pátrias
são enredos soltos
da universal conjugação
da terra lúdica de todos

vivê-la em construção
é argamassa coletiva
de quem se joga no tempo
sem quaisquer medidas

a pátria grande de todos
é a verdadeira construção da vida
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Poema de circunstância XII

no frio fardo,
envolto da cidade,
o homem tarda
em mostrar-se tarde

o corpo, em ondas,
pinça os ares árticos
e desaba na fome
com a morte nos braços

a cidade nem percebe
partirem seus pedaços
69

Do genérico eu em marcha

saio de mim
tão de repente
que me perco no outro
nos meandros de gente

e nessa fuga,
em rios de largo vau
a vida flui coletiva
como um vendaval

perder-se, assim, no próximo
é achar-se humano, quase total
88

Sono em profusa travessia

meu sono
é só jornada
dos sonhos que enfio
pela madrugada

e de vê-la displicente
tangendo impune o dia
abraço seus recados
em todas suas vias

e lanço-me, farto, ao tempo
com as oníricas iguarias
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Das últimas jornadas

sairei da vida
como um astronauta
num voo de ser único
aos foguetes da genérica massa
tudo que me leva
é uma história exata
e o pouco do que fico
é a saudade de quem me guarda
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Das inatas inquirições da vida

a balsa navegava
com a fluência inata
de todos os rios
que trazia na alma

e por vive-la líquida
no vão do pensamento
derramava suas ondas
pelo sentimento

o rio era só o sonho
em que eu criava o tempo
48

das construções temporais

minha vida
chove a cântaros
nos roçados gerais
da esperança

essa espera afetiva
de abraçar o tempo
remói alegrias
nas tristezas do sempre

plantar futuros na história
é um espreguiçar-se do presente
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.