na praça o povo avança a cada grito de cada esperança
monta sua luta em sonhos vastos dos tempos que tange como um recado
o futuro é um beco largo da vontade como trabalho
67
Da coletiva noção do verbo
a poesia, súbita, flutua o verbo nas cachoeiras lúdicas dos rios do cérebro
volátil, sólida e mágica, deixa-se exata em todas as ilações em que é plástica
senti-la ação coletiva é derramar-se nas palavras e conduzi-las pelo tempo sem o ego em que se lavra
35
Legislação em espécies e tramas
a lei, deitada em letras, entorna nos homens uma ordem alheia
tudo que proclama, em decibéis armados, é uma clara continência a todos os seus brados
a legalidade humana, como uma lei avulsa, promulga-se nos homens como artigo da luta
79
Recomeços recorrentes
os restos da vida, que vagarem em mim, não serão despedidas, lembranças do fim
serão consumidos com a exata compostura de quem abraça em si mesmo uma grande luta
o riso será a estrada dos caminhos do futuro
92
Tecelagens em resgate resumido
a crise, quando consumida, sempre é uma resposta dos trâmites da vida
guarda em seus flancos, meio escondidas, todas as vias e veias em que se diz cumprida
a crise é só um recado dos modos de tecer a vida
31
da incondição compulsória
de cócoras o homem concebe diante do prato toda sua verve
a palavra misturada na fome esconde a mágoa em que se some
o homem nem admite que ainda é homem sobram diferenças naquilo que consome
80
Amazônica incursão
o Amazonas deitado na mata finge ser rio nos mares que desata
lambe o mundo em sua plástica desenhando nas águas sua ânsia de astronauta
o Amazonas é só um militante de todas as pororocas nada do que lhe atinge cerrará imune suas portas
117
Dos assombros da luz em filigrana
a sombra assombra e assoma a soma das formas que sonha como invólucro e som da sanha de tornar desenho o que conta a sombra é um enredo em que a luz discursa os comícios de si das coisas que usa
78
Volteios verbais em íntima cena
despachando verbos, em sua sina, a mente atira todos os dardos nas miras do que sente
no dizer, em pontaria, encapa a palavra com o molde das vidas em que se lavra
a mente larga-se no tempo como um gesto escancarado nesse permitir-se ao homem gritar-se compassado
65
Do poema em poeta corrente
ao poema cabem os voos mergulhos compassados no insubstituível esforço de gramaticar a alma em alvoroço
ao poema cabe o poeta como astronauta itinerante de todas as palavras em que se plante
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.