nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Resenha corrente
a vida
sangra as horas
como uma descarga
na história
o tempo
sentido a desoras
argamassa o processo
de vida da memória
o fascismo apodrece
em todas as portas
sangra as horas
como uma descarga
na história
o tempo
sentido a desoras
argamassa o processo
de vida da memória
o fascismo apodrece
em todas as portas
42
Da Praça Vermelha em memória
na Praça Vermelha
bordava-se um tempo
espalhado nos passos
e nos pensamentos
Lenin, um tanto arredio,
dormia na história
perscrutando as emoções
criadas pela memória
a Praça Vermelha compulsava
todos os sonhos à sua volta
bordava-se um tempo
espalhado nos passos
e nos pensamentos
Lenin, um tanto arredio,
dormia na história
perscrutando as emoções
criadas pela memória
a Praça Vermelha compulsava
todos os sonhos à sua volta
85
Da genérica mudança
tudo habita em mim
no panorama manifesto
que a matéria guarda em si
em sua máscara genérica
e dou-me ao geral
quando, disperso,
deixo de estar nas sinapses
em que me esqueço
a morte é só um desalinhar-se
da genérica função do que, hoje, teço
no panorama manifesto
que a matéria guarda em si
em sua máscara genérica
e dou-me ao geral
quando, disperso,
deixo de estar nas sinapses
em que me esqueço
a morte é só um desalinhar-se
da genérica função do que, hoje, teço
93
Diagramação da vida
os prefácios,
nas páginas da vida,
requerem verbos
e uma certa malícia.
dos escritos vitais,
traçados em egos,
pululam as pressas
a que se entregam
os introitos da vida
anulam a essência do mêdo
como se o viver dispusesse
de todo seu enredo
nas páginas da vida,
requerem verbos
e uma certa malícia.
dos escritos vitais,
traçados em egos,
pululam as pressas
a que se entregam
os introitos da vida
anulam a essência do mêdo
como se o viver dispusesse
de todo seu enredo
63
Do acaso intenso do destino
o destino,
à contraluz do tempo,
é só um acaso
solto no pensamento
sua trilha
segue a narrativa
da necessidade extrema
de medir-se a vida
o acaso, nos fatos que abriga,
é uma construção fugaz,
anonimamente consentida
à contraluz do tempo,
é só um acaso
solto no pensamento
sua trilha
segue a narrativa
da necessidade extrema
de medir-se a vida
o acaso, nos fatos que abriga,
é uma construção fugaz,
anonimamente consentida
57
Poema em mansa beligerância
o poema em riste,
como uma centelha
tramita todos os verbos
pela incerteza
roldão de palavras,
da-se ao esforço
de atiçar no poeta
um certo alvoroço
o poema é um levante
das ruas em que se diga
guardadas as proporções
do verso, do poeta e da vida
como uma centelha
tramita todos os verbos
pela incerteza
roldão de palavras,
da-se ao esforço
de atiçar no poeta
um certo alvoroço
o poema é um levante
das ruas em que se diga
guardadas as proporções
do verso, do poeta e da vida
48
Do futuro como ato
no avarandado da alma
nos largos da lembrança
o homem sonha o futuro
deitado na esperança
os terraços do tempo
dão-se a um caminhar militante
quando os corredores do corpo
constroem avulsos instantes
conjugar-se aos tempos
é um espalhar-se constante
nos largos da lembrança
o homem sonha o futuro
deitado na esperança
os terraços do tempo
dão-se a um caminhar militante
quando os corredores do corpo
constroem avulsos instantes
conjugar-se aos tempos
é um espalhar-se constante
65
das mortes em que vivi em tanto
das vezes que morri
quando nem lembro
a vida tomou as rédeas
desse esquecimento
e dei-me à dialética
nas carnes e nos ventos
como montado na vida
debruçado no tempo
hoje, morro e vivo
todos os momentos
quando nem lembro
a vida tomou as rédeas
desse esquecimento
e dei-me à dialética
nas carnes e nos ventos
como montado na vida
debruçado no tempo
hoje, morro e vivo
todos os momentos
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.