Lista de Poemas

Resenha corrente

a vida
sangra as horas
como uma descarga
na história

o tempo
sentido a desoras
argamassa o processo
de vida da memória

o fascismo apodrece
em todas as portas
42

Da Praça Vermelha em memória

na Praça Vermelha
bordava-se um tempo
espalhado nos passos
e nos pensamentos

Lenin, um tanto arredio,
dormia na história
perscrutando as emoções
criadas pela memória

a Praça Vermelha compulsava
todos os sonhos à sua volta
85

Da genérica mudança

tudo habita em mim
no panorama manifesto
que a matéria guarda em si
em sua máscara genérica

e dou-me ao geral
quando, disperso,
deixo de estar nas sinapses
em que me esqueço

a morte é só um desalinhar-se
da genérica função do que, hoje, teço
93

Diagramação da vida

os prefácios,
nas páginas da vida,
requerem verbos
e uma certa malícia.

dos escritos vitais,
traçados em egos,
pululam as pressas
a que se entregam

os introitos da vida
anulam a essência do mêdo
como se o viver dispusesse
de todo seu enredo
63

Do acaso intenso do destino

o destino,
à contraluz do tempo,
é só um acaso
solto no pensamento

sua trilha
segue a narrativa
da necessidade extrema
de medir-se a vida

o acaso, nos fatos que abriga,
é uma construção fugaz,
anonimamente consentida
57

Poema em mansa beligerância

o poema em riste,
como uma centelha
tramita todos os verbos
pela incerteza

roldão de palavras,
da-se ao esforço
de atiçar no poeta
um certo alvoroço

o poema é um levante
das ruas em que se diga
guardadas as proporções
do verso, do poeta e da vida
48

Do futuro como ato

no avarandado da alma
nos largos da lembrança
o homem sonha o futuro
deitado na esperança

os terraços do tempo
dão-se a um caminhar militante
quando os corredores do corpo
constroem avulsos instantes

conjugar-se aos tempos
é um espalhar-se constante
65

das mortes em que vivi em tanto

das vezes que morri
quando nem lembro
a vida tomou as rédeas
desse esquecimento

e dei-me à dialética
nas carnes e nos ventos
como montado na vida
debruçado no tempo

hoje, morro e vivo
todos os momentos
57

Do retórico medo da alma

meus medos,
assim rompidos,
deixam-me humano
corrente e vivido

te-los guardados
nos desvãos da fala
esconde os comícios
que se tem na alma

tanger o medo nas ruas
é um dever da palavra
35

Do infante exercício onírico

adormecida
a menina sonhava
e deixava cair, aos pedaços,
o sonho pela casa
de seus olhos, entreabertos,
brotava um onírico manifesto

dos risos que construía
entre o sono e a vigília
transbordava pelo rosto
a plenitude da vida
56

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.