nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Das construçōes intimoratas
quando esquece o tempo
montado em si mesmo
o homem inventa horas
nas curvas de seu enredo
e desfia-lo pela vida
como um novelo
é embrenhar-se de futuro
nos passados que teve
o homem constrói a si
com a constância de ter-se
montado em si mesmo
o homem inventa horas
nas curvas de seu enredo
e desfia-lo pela vida
como um novelo
é embrenhar-se de futuro
nos passados que teve
o homem constrói a si
com a constância de ter-se
85
Das africanas invençōes da vida
negra, aérea e plástica
a capoeira desenha
todas as Áfricas vividas
em que se contenha
desenhando seu corpo,
o capoeira, pássaro nato,
borda o desejo no tempo
nos ombros do espaço
a África inventa-se no mundo
como uma rosa perdulária
a capoeira desenha
todas as Áfricas vividas
em que se contenha
desenhando seu corpo,
o capoeira, pássaro nato,
borda o desejo no tempo
nos ombros do espaço
a África inventa-se no mundo
como uma rosa perdulária
66
Do trânsito em corrente medida
no trânsito, engarrafado,
do tempo e da vida
restam as léguas de si
e os metros das investidas
dizê-lo corrente
em conforme discurso
é traze-lo controlado
nas rédeas do uso
o trânsito da vida
é uma avenida do futuro
do tempo e da vida
restam as léguas de si
e os metros das investidas
dizê-lo corrente
em conforme discurso
é traze-lo controlado
nas rédeas do uso
o trânsito da vida
é uma avenida do futuro
23
Das antecedências do amanhã
o amanhã, tardio
na verdade
vive embrulhado
na nossa vontade
semea-lo aos saltos
pelo tempo
é compreende-lo militante
do sentimento
o amanhã é só um jeito
de guardar o futuro no pensamento
na verdade
vive embrulhado
na nossa vontade
semea-lo aos saltos
pelo tempo
é compreende-lo militante
do sentimento
o amanhã é só um jeito
de guardar o futuro no pensamento
115
Procissão em transe
no andor, circunspecta,
a santa balançava
jogando pedaços de milagre
que a multidão adivinhava
a passeata transitava
tangendo as consciências,
afagando o peito de todos
em devidas providências
os santos assim viajantes
decretam-se pela ausência
e a vontade quase expressa
de permitir a obediência
a santa balançava
jogando pedaços de milagre
que a multidão adivinhava
a passeata transitava
tangendo as consciências,
afagando o peito de todos
em devidas providências
os santos assim viajantes
decretam-se pela ausência
e a vontade quase expressa
de permitir a obediência
69
Moncada em vazão constante
Moncada, rebelde,
apenas lava
as costas da liberdade
dentro da alma
nas ilhas do tempo
como uma garça
a honra humana voa
em todas as praças
Moncada apenas dorme
nos ombros de quem marcha
apenas lava
as costas da liberdade
dentro da alma
nas ilhas do tempo
como uma garça
a honra humana voa
em todas as praças
Moncada apenas dorme
nos ombros de quem marcha
64
A Josefa Ferreira da Silva, centenária
Petinha, olhando ao léu,
no arco do seu corpo,
carregava quilos de tempo
e um certo alvoroço
dava-se a ver o futuro
voando todas as horas
como se a tela do muro
fosse uma imensa gaivota
Petinha media o passado
com o futuro nos olhos
no arco do seu corpo,
carregava quilos de tempo
e um certo alvoroço
dava-se a ver o futuro
voando todas as horas
como se a tela do muro
fosse uma imensa gaivota
Petinha media o passado
com o futuro nos olhos
142
Das intempéries dos fatos
o acaso
é só um salto
que a vida inventa
pelos fatos
surpreso e crente
nos limites da alma
o homem calcula
os alheios dessa prática
o acaso é só um modo
da vida dar-se aos fatos
é só um salto
que a vida inventa
pelos fatos
surpreso e crente
nos limites da alma
o homem calcula
os alheios dessa prática
o acaso é só um modo
da vida dar-se aos fatos
34
Comentários (10)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.