Lista de Poemas

Leitor em ritmo crescente

ler o mundo
livro contundente
é restar nas páginas
dos sonhos que se sente

cruzar conceitos,
montar sentimentos,
e cavalgar a vida
pelo tempo

ler o mundo
é inventar-se, sempre
102

Sideral flagrante

o buraco negro
adormecido
sonha a estrela
que havia sido

nesse divagar
nas costas do infinito
inscreve nos radares
todos os seus gritos

a matéria pulsa, incauta
as delações de sua vida
88

Eternas passagens

dar-se ao tempo
como astronauta
navegar os cosmos
dos sonhos e das falas

transitar as horas
como infinitas
e deixar-se eterno
nos tempos que consiga

ao homem cabe viver
mais que a própria vida
40

Poema de circunstância avulsa

nos ombros do céu
a lua deslizava
e escrevia nos sonhos
as luzes que bordava

o mar, displicente,
fazia-se em ondas
como um vendaval
de águas e de sombras

os homens, adivinhando a vida,
sentiam o futuro
como uma lua adormecida
105

Das andanças latinas do futuro

no ventre farto
da América Latina
Martí convoca o tempo
em todas suas linhas
a convocar-se largo
nos campos e avenidas

Zumbi, taciturno,
vestido de Palmares
inventa os tiçōes
nas idéias da tarde

a rua ressoa fortemente
a constância das caminhadas

45

Etílicas refregas

etílico
deixo-me nos bares
nos sonhos que invento
nos copos, pelas tardes

onírico
dou-me à vida
como uma realidade
proposta e definida

nada como sonhar
os caminhos dessa briga
101

Indígena fração do mundo

perfilado
o índigena gritava
todas as selvas
em que se sonhava

de seus olhos
chovia o gesto
de perscrutar o mundo
como manifesto

o indígena guardava em si,
como um panfleto,
a origem exata do universo
36

Infinda lembrança em desate

no navegar o tempo
não esqueça a vontade
esse jeito de transigir
os rumos da liberdade

a eternidade
é só um escape
que a esperança dá
enquanto cabe
84

Das fronteiras recorrentes

atrás dos limites
como um pássaro
o infinito brinca
nos ombros do espaço

tempo grávido
de matéria e horas
tange os limites
no vão da história

ao homem cabe limitar-se
aos infinitos que possa
33

Divagação em torno da mudança

e quando viram a manhã
desenrolar-se da noite
os homens amanheceram
todos seus pernoites

romperam o céu
em todas suas frestas
e construíram a manhã
da coletiva gesta

as auroras da história
são um tempo de festa
91

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.