AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
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Guardados

o mar nem sente
do despejar as ondas
acorda os rios da gente
essa vontade inata
transbordar o que se sente
jeito apressado
de esconder-se do tempo
o mar
ilações que permite
solta as emoções
de nossos cabides
os que sustentam o alegre
os que guardam o triste

Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3642

Indígena estrofe

as flechas
que as palavras digam
nascem dos arcos
que o poema incita
indígena verbal
guerreiro unânime
o poema da-se a vida
como bumerangue
tudo que é poema
o poeta consome
seja como sede
seja quanto fome
das matas verbais
que enfeitam o homem

84

Verbos e senzalas

o poema
nunca é exato
tudo que lhe mede
é a palavra
as que se grafam
as que vigem na alma
ao poeta
cabe a senzala
de quem liberta de si
o jugo da fala
rompantes humanos
de quem não cala

26

Bailarino tempo

a bailarina
quando sonha
guarda intacto
o tempo vivido
em seus saltos
a bailarina
quando salta
inventa um jeito
de madrugada
alvorece a vida
nos olhos e no palco
a bailarina é um tempo
intensamente declarado

26

Dos cerzidos da vida

costure-se o fato
nos ombros da história
todos os cerzidos
dos homens e das horas
do que fora a linha
na coletiva agulha
aviem-se os pontos
do viés da luta
e de-se a conjuntura
do bordado tempestivo
dos que cozem o tempo
com a trança dos sentidos

29

Da itinerância dos verbos

que o poema
reste grávido
de todos os verbos
que apalavre
os que sejam liras
os que sejam arma
lúdico e lírico
de-se a compostura
de forjar-se comício
quando a luta
o poema
prescinde de normas
o verbo gestante
tem-se de parto e porta
o clangor de seus recados
iíntimo conluio
autua o poeta e o verbo
no ventre do discurso

36

Ditos do poema como intento

montada no verso
a palavra cogita
num jeito de verbo
tricotar a vida
trazê-la lúdica
pelo vão do mundo
debruça oficinas
nas dúvidas de tudo
pertinaz e combatente
ressoa no múltiplo veredito
que o poema celebra
nas brechas do seu dito
48

Ferroviárias moçōes do verbo

o trânsito das palavras
é quase um algoritmo
de mostrar nos homens
os becos do infinito

arrastadas,
no trem do verso,
carregam emoçōes
como um vagão moderno

tudo que as levam à mente
são os trilhos do universo
94

Do Galo em concerto

o Galo da Madrugada
enche a rua de tanto
que o povo engole a vida
com o frevo na garganta

e os bemóis traduzidos
escritos, nos pés, na dança,
escrevem o peito do povo
nas partituras da esperança

o mundo caminha a pauta
das claves que o homem planta
44

Verbos em esvoaçante trama

no peito dos homens
dorme a cláusula:
todos os verbos
tramitam na alma

no grito dos homens
viajam avulsos
todos os futuros
que voam no discurso

pássaras serão as palavras
voadas no exato curso
de quem veste o tempo
sem a dívida do seu custo
66

Alternâncias

a vida segue
suga e saga
levita dramas
nas palavras

o verbo
assim, arma
transita o medo
pela alma

deixar-se vivo
é morrer-se lentamente
no colo da calma
104

Comentários (8)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado