do menino e dos trens em saga
o trem, num passo lúdico, pisava os trilhos como um discurso pela janela, balançando a vida, a natureza embalava todas as retinas o trem era um carrossel despejado em suas linhas
Tecelagens em resgate resumido
a crise, quando consumida, sempre é uma resposta dos trâmites da vida guarda em seus flancos, meio escondidas, todas as vias e veias em que se diz cumprida a crise é só um recado dos modos de tecer a vida
Novamente a bailarina em passos recorrentes
a bailarina é passeata displicente tudo de seus passos tem um quê de transparente até assim quando voa pelos olhos da gente a bailarina é militante de tudo que se sente
Poema a Lane Pordeus em natal pensar
talvez o tempo nem aquilate o recado de tê-la deslumbrante em todos os seus atos eis que, mulher e pássaro, voa todos os meus ares como gesto permissivo de todos seus olhares remido, pelo tempo em afetos, construo ondas de amor no peito e deixo-me estar em privilégio.
Bailarina em algoritmica gesta
entornada no palco em ombros de bemóis e fusas a bailarina veste o mundo dos recados da música e nos voos construídos, como uma nave do tempo, espalha os infinitos pelo vão dos pensamentos a bailarina é um algoritmo das alegrias dos ventos
Manhã em larga distopia
no raso da manhã, ainda assim escondido, o sol tenta tanger uns pedaços do infinito acorda no passarinho um tempo de harmonia no discursar seus bemóis nos ombros largos do dia e nas calçadas, embrulhados na fome, o vento tange a tristeza pelos olhos dos homens
Desejos em parcelas
parcelo-me à vista quando dou-me inteiro a todos os desejos em que me avisto é que a fração do que eu insisto deixa-se plena dos meus sentidos o desejo é um andaime dos nossos infinitos
Genuflexão em termos
ajoelhado em suas culpas o homem arquiteta todas as desculpas a divina idéia pousa em seus verbos como um pássaro fugitivo de todos os infernos a providência do tempo é uma vontade absurda de fazer das preces um arremedo da luta
largas passadas em urbana jusante
assim atravessada entre os edifícios a rua pulsa em ondas os ventos do comício verbos em suores uma grave massa revolvem o passado dos futuros da pátria a nação humana goteja todas as chuvas que caibam
Histórico memento
a história é um descuido que os fatos espalham pelo mundo farta do tempo, como uma relíquia, entranha-se no cosmos como enfeite da vida e nas escaramuças do povo a história sempre engravida
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.