Lista de Poemas

Escaramuças de partes

o todo
escondido na parte
deixa resquícios
por onde passe

é que infinitos
brincam de pedaços
quando a razão habita
os ombros dos fatos

viver como tudo
é só habitar esses lapsos
103

Da coletiva essência do ser

a vida
é só um compasso
na pauta geral
dos meus abraços
tudo que me leva
é a textura do que faço

essa vontade de todos
embutida nos atos
é a urgente razão
de tudo em que me acho
89

Individual senda de todos

minha intimidade
é andar coletivo pela tarde
e fazer-me único
nos ombros da vontade

nada de mim
ressoa uno e plástico
sem as multidões
em que me acho

a cada um resta sentir
o outro em que se cabe
51

Das cachoeiras de mim

minha lágrima,
rio de mim,
é cachoeira avulsa
em que entorno
todas as minhas culpas

quando inocente
na jusante da razão
resvala pelo tempo
como um riso chorão

minha lágrima sempre sou eu
na liquidez da emoção
90

Da vigência matinal do tempo

nos ombros da noite
dorme a manhã sua sina
enrolada nas nuvens
como uma menina

a matéria viva
em fótons, elétrons e o nada
arma todos seus esquemas
como uma múltipla jornada

o sol, cúmplice da vida,
despeja o peito no mundo,
vestido de madrugada
104

Cachoeiras em crises deflagradas

nas cachoeiras
os rios apenas tentam
mostrar que, às vezes,
é preciso a incontinência

subir as crises
deitar nas ondas
e consumir o futuro
como escambo

despejar-se na vida
é o parametro do sonho
47

Completude unitária de todos

meu universo
à contra luz do verso
é o mesmo de todos
em atos e gestos
sonha-lo diferente
é só um manifesto

tudo é sempre todos
mesmo que diverso

40

Fala ao Lajedo de Pai Mateus

Mateus, solitário,
nem imaginava
que suas pedras,
um dia, libertavam

seu lajedo, ancestral,
deu-se ao futuro
como um estandarte
cravado no mundo

as pedras sempre falam
da energia de tudo
64

Sonâmbula refrega

o sono
é um descuido
que o tempo dá na razão
como um discurso
de todas as decorrências
do seu uso

o sonho
é um exercício
de quem dormindo
está sempre consigo
57

Poema de circunstância marinha

o azul do mar
reticente
tangia jangadas
e viventes

de seus fardos
de barco e de gente
resumia-se uma alegria
fugaz e displicente

o peso da vida, na alma,
era uma onda renitente
46

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.