nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Ode à Pedra do Rodeadouro
a pedra, em silhueta,
como um encontro
joga nos olhos
o tempo e os sonhos
finge um horizonte
com o exato desalinho
das árvores que teimam
em deixá-la fingindo
a pedra é, sobretudo,
um tempo dormindo
como um encontro
joga nos olhos
o tempo e os sonhos
finge um horizonte
com o exato desalinho
das árvores que teimam
em deixá-la fingindo
a pedra é, sobretudo,
um tempo dormindo
58
Tempos em aritmética visagem
esse olhar derramado
nos ombros do horizonte
talvez divise o passado
ou um futuro tão longe
que esquece como presente
os agoras que tange
o barco da existência
navega um mar sem medidas
que tange desarrumados
os tempos todos da vida
navega-los a destempo
é esquecer suas medidas
nos ombros do horizonte
talvez divise o passado
ou um futuro tão longe
que esquece como presente
os agoras que tange
o barco da existência
navega um mar sem medidas
que tange desarrumados
os tempos todos da vida
navega-los a destempo
é esquecer suas medidas
90
Pássaro do tempo em larga passada
dar-me a voar
como um pássaro coletivo
e navegar os ares
em que me lanço ao riso
estraçalhar gaiolas
com as asas do tempo
e a larga compreensão
de cada sentimento
flutuar em mim, com todos,
na cama leve dos ventos
como um pássaro coletivo
e navegar os ares
em que me lanço ao riso
estraçalhar gaiolas
com as asas do tempo
e a larga compreensão
de cada sentimento
flutuar em mim, com todos,
na cama leve dos ventos
23
Das intempéries mornas da vida
assim largado
nos vendavais que sigo
abraço a realidade
em todos seus sentidos
é que senti-la
com uma humana culpa
é trazê-la resolvida
nos futuros da luta
embrulhar-se na vida
é um jeito da disputa
nos vendavais que sigo
abraço a realidade
em todos seus sentidos
é que senti-la
com uma humana culpa
é trazê-la resolvida
nos futuros da luta
embrulhar-se na vida
é um jeito da disputa
71
Meus flagrantes alinhados
meu flagrante
é estar comigo
em todos os sempres
que consigo
os ajustes
dou-os à vontade
de estar preso
a toda liberdade
as que construa
e as que me invadem
é estar comigo
em todos os sempres
que consigo
os ajustes
dou-os à vontade
de estar preso
a toda liberdade
as que construa
e as que me invadem
98
Risos lacrimais em larga camuflagem
a vontade de chorar
talvez pressinta
os risos amontoados
nos ombros da vida
as lágrimas, às vezes,
rio camuflado
são risos que escapam
da simples risada:
desembocam cachoeiras
nos infinitos que declara
talvez pressinta
os risos amontoados
nos ombros da vida
as lágrimas, às vezes,
rio camuflado
são risos que escapam
da simples risada:
desembocam cachoeiras
nos infinitos que declara
78
Do poema em vazão compulsória
o poema,
como não fazê-lo,
se suas sanhas
fazem cócegas no cérebro?
e nem importa
que entorne pelas canetas
desafogar o pensamento
é como varre-lo pelas letras
o poema é só um cacoete
de quem navega o que pensa
como não fazê-lo,
se suas sanhas
fazem cócegas no cérebro?
e nem importa
que entorne pelas canetas
desafogar o pensamento
é como varre-lo pelas letras
o poema é só um cacoete
de quem navega o que pensa
70
Das impaciências postas em contraste
a impaciência
é quase um disfarce
que a calma teima em usar
quando não nasce
ancorada na vida
a vontade acalma
e não há como não tê-la
construtora da alma
a vida é só um desenlace
das vontades e das calmas
cerzidas à amplidão
de todos os constrastes
é quase um disfarce
que a calma teima em usar
quando não nasce
ancorada na vida
a vontade acalma
e não há como não tê-la
construtora da alma
a vida é só um desenlace
das vontades e das calmas
cerzidas à amplidão
de todos os constrastes
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.