o poema em riste, como uma centelha tramita todos os verbos pela incerteza
roldão de palavras, da-se ao esforço de atiçar no poeta um certo alvoroço
o poema é um levante das ruas em que se diga guardadas as proporções do verso, do poeta e da vida
55
Do futuro como ato
no avarandado da alma nos largos da lembrança o homem sonha o futuro deitado na esperança
os terraços do tempo dão-se a um caminhar militante quando os corredores do corpo constroem avulsos instantes
conjugar-se aos tempos é um espalhar-se constante
73
Do acaso intenso do destino
o destino, à contraluz do tempo, é só um acaso solto no pensamento
sua trilha segue a narrativa da necessidade extrema de medir-se a vida
o acaso, nos fatos que abriga, é uma construção fugaz, anonimamente consentida
66
Tempos em vagas
quando as tardes dormirem as manhãs e derramarem-se nas noites como um tempo claro tenham os homens a noção, adredemente arquitetada, de que as horas teimam o mundo nos coletivos que declara nada será uno e tanto sem a luta que se trava
70
Diagramação da vida
os prefácios, nas páginas da vida, requerem verbos e uma certa malícia.
dos escritos vitais, traçados em egos, pululam as pressas a que se entregam
os introitos da vida anulam a essência do mêdo como se o viver dispusesse de todo seu enredo
69
Do infante exercício onírico
adormecida a menina sonhava e deixava cair, aos pedaços, o sonho pela casa de seus olhos, entreabertos, brotava um onírico manifesto
dos risos que construía entre o sono e a vigília transbordava pelo rosto a plenitude da vida
64
Das antecedências do amanhã
o amanhã, tardio na verdade vive embrulhado na nossa vontade
semea-lo aos saltos pelo tempo é compreende-lo militante do sentimento
o amanhã é só um jeito de guardar o futuro no pensamento
122
Do trânsito em corrente medida
no trânsito, engarrafado, do tempo e da vida restam as léguas de si e os metros das investidas
dizê-lo corrente em conforme discurso é traze-lo controlado nas rédeas do uso
o trânsito da vida é uma avenida do futuro
31
Da chuva em largada euforia
a chuva molhava os sonhos nas ruas, em enxurradas e derramava sorrisos espalhados pelas calçadas
os meninos dançavam os bailados da infância e jogavam pelos ares punhados de esperança
a felicidade apenas tangia os compassos dessa dança
61
Procissão em transe
no andor, circunspecta, a santa balançava jogando pedaços de milagre que a multidão adivinhava
a passeata transitava tangendo as consciências, afagando o peito de todos em devidas providências
os santos assim viajantes decretam-se pela ausência e a vontade quase expressa de permitir a obediência
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.