Lista de Poemas

Pequena introspecção voluntária


flagro
em atos
todos os desejos
em que me basto

aqueles que ainda perco
aqueles que somente acho

a estrada de tê-los
é fazê-los tantos e exatos
que me deixem vivê-los
nas réguas do que caibo
79

Do poema em fluvial deslize

o poema não é um rio
sua correnteza é fictícia
tudo que lhe navega
são os verbos da vida
suas cachoeiras
nessa empreitada
são os vulcōes verbais
embrulhados nas palavras
entornam a poesia
como uma jornada
daquilo que se sente
quando o tempo fala
e joga sentimentos
no colo da alma
72

Vivência em desatado prumo

o verdadeiro estratagema
é sentir o que se pensa
deitando o verbo no fato
nos rios da consciência
e desembocar no tempo
como uma hora indivisa
que junta todos a tudo
nos cobertores da vida
66

Florestais reincidências em contínua vazão

a mata
grávida de tanto
aborta aos poucos
gritos de carbono

indigena,
o tempo regurgita,
nos ombros das árvores,
folhas, mercúrio e notícias

em cada desvão do mundo
o crime desaba a vida
54

Da África em passos e povo


a África pelas ruas
nem é continente
é uma bailarina furtiva
tangendo sua presença

é que nos passos
em que cabem todos seus viventes
passeia a dança do povo
nos ombros do continente

como não ter a África
tatuada em cada mente
nesse roldão de andanças
que o povo em dança consente
44

Das legalidades em avesso trânsito


direitos e humanos,
o sistema trucida,
na farsa legal
de sua investida

do cont(r)ato coletivo
a norma decreta
todas as sem razōes
engravidadas na gesta

a lei apenas consolida
as vontades encobertas
e as retrata como coletivas
nas clausuras manifestas
97

Das divinas criaçōes humanas

dos céus que cria
no colo da alma
o homem delata
o sujeito e o drama
de repetir-se criador
e criatura da trama
tudo que lhe importa
é a ilusão da alheia chama

os deuses que prolata
decretam seu engano 
e percorrem, quase divinos,
as facetas de humano
85

Compassos vitais em fluxo

meu compasso
é sentir a vida
e transferi-la ao mundo
nos raios que permita

mantê-la inexata
nas exatidões que sinta
e permiti-la avulsa
em toda sua química

a vida é um recurso
dos rios que a consintam
nesse exato pincelar
de todas suas tintas
25

Avatares em telefônica lida

em poses 
como um candelabro
os olhos buscam olhos
e incendeiam a vontade

humanos, confortados
em seus avatares,
deslizam soluçōes
em longos celulares

perdidos entre telas
jazem como algoritmos
e transitam suas idéias
como um encalhe do infinito
42

Campesina forja de escritos


o camponês
nas terras que lavra
enterra razōes
em sua alma

a enxada
é uma caneta avara
que escreve suores
em urgentes falas

o camponês nem sente
o tamanho dessas páginas
a terra é só um discurso
das sementes que instaura
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.