Vívidos ensaios da existência
os ensaios da vida restam no tempo como um exercício tenaz dos sentimentos querer-se todos nas asas da liberdade é consumir a manhã nas costas da tarde ensaiar a vida é vivê-la à vontade
Reportagem interna corporis
repórter da vida a consciência publica todas as culpas em todas as notícias em manchetes, como um vendaval, estampa pela face letras garrafais a leitura do tempo é um recado a mais
Dos infantes saltos em pluvial disputa
do alto da ponte como um bólide humano o menino abraça o rio desfazendo horizontes a infância, recatada, drapeja aventuras na afoita resistência da necessidade da disputa o rio era só o lençol que cobria nossa luta
Quântico ritmo da vivência
algoritmo quântico, a vida braveja as certezas e incertezas nas vias em que esteja dizê-la farta, recorrente, em sua trajetória é fazê-la palco do tempo dos atos e da história a física exata da vida é um programa enorme
A Josefa Ferreira da Silva, centenária
Petinha, olhando ao léu, no arco do seu corpo, carregava quilos de tempo e um certo alvoroço dava-se a ver o futuro voando todas as horas como se a tela do muro fosse uma imensa gaivota Petinha media o passado com o futuro nos olhos
Moncada em vazão constante
Moncada, rebelde, apenas lava as costas da liberdade dentro da alma nas ilhas do tempo como uma garça a honra humana voa em todas as praças Moncada apenas dorme nos ombros de quem marcha
Correntes do tempo
a curva das horas montadas nos ponteiros ressoa pela ânsia de ver-se timoneiro e dirigir esses mares das profundezas do peito a vontade, marinheira, destaca todos os navios atracados na certeza de que lança-los no mundo, como um ato coletivo, é a melhor correnteza.
Das itinerâncias do verbo
o verbo, grávido, desmaiado no comício inunda os ouvidos como um precipício engolindo as palavras a multidão, contrita, como um vendaval varre a avenida os homens bebem o palco e sonham, militando a vida
Constâncias do tudo
o universo não cresce assim quando muda e enseja corridas nos telescópios do mundo o infinito parece aumentar quando se arruma e despeja pelos ares os eletrons que conjuga dizê-lo como crescente é só uma desculpa
Dos foguetes em sideral floresta
no espaço, como uma flecha, o foguete desenha uma indígena gesta na mata sideral corta o infinito como um pássaro veloz e decidido o homem alinhava o universo nas razões a que se permite
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.