nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
viveres em unidade alheia
viver
é quase sempre
esquecer no outro
o que se sente
estar uno
dono de sonhos
é contar-se outro
como patrimônio
a unidade de mim
tem um quê de abandono
é quase sempre
esquecer no outro
o que se sente
estar uno
dono de sonhos
é contar-se outro
como patrimônio
a unidade de mim
tem um quê de abandono
115
Verdade em refluxo renitente
posta, assim, à meias
com a realidade,
a verdade é um tempo
de liberdade
é que lhe sobra o custo
de encachoeirar-se
e entornar-se no tempo,
nua da veracidade
a verdade é só um jeito
de construir-se na idade
105
Jornada temporal em escala lógica
as manhãs
nunca são baldias
sempre há um fato
nos ombros do dia
arrumá-los, aos solavancos,
nos degraus da memória
é só um jeito do povo
de espalhar-se na história
ao futuro cabe decretar-se
nos atalhos em que se mostra
nunca são baldias
sempre há um fato
nos ombros do dia
arrumá-los, aos solavancos,
nos degraus da memória
é só um jeito do povo
de espalhar-se na história
ao futuro cabe decretar-se
nos atalhos em que se mostra
36
da placidez tonitruante
o silêncio
nas ruas do pensamento
pesa como um grito
alinhavado nos ventos
é que a mudez do verbo
traz pedaços da vida
e os envolve de nós mesmos
nas cicatrizes sentidas
o silêncio é um rompante
infenso a medidas
nas ruas do pensamento
pesa como um grito
alinhavado nos ventos
é que a mudez do verbo
traz pedaços da vida
e os envolve de nós mesmos
nas cicatrizes sentidas
o silêncio é um rompante
infenso a medidas
61
Do poema enquanto falar
meu verso
em seu avesso
é só um verbo
em que me esqueço
dizê-lo,
nos ombros do tempo
é vislumbrar horizontes
nos mares que comento
o poema é só a manhã
das noites que intento
86
Da tristeza em ritmos e clarões
a tristeza
dói no tempo
como uma pedra
solta no pensamento
tê-la como urgente
nos tropéis da fala
é só um desconforto
das instâncias da calma
consumida, passageira,
vislumbra, lenta, pela estrada
os pedaços de riso
amontoados na alma
51
Maternas configurações da saudade
bordada no tempo
como uma estrela
a mãe habita a memória
como uma centelha
o que lhe tange
é a compreensão do fato
de que apenas e tanto
restamos no mundo inexatos
na condição de sermos apenas
uma parte dela, aos pedaços
como uma estrela
a mãe habita a memória
como uma centelha
o que lhe tange
é a compreensão do fato
de que apenas e tanto
restamos no mundo inexatos
na condição de sermos apenas
uma parte dela, aos pedaços
82
Procissão em agudo transe
o mundo dói
como uma farpa
que aponta, unânime,
para os canalhas
peças do engodo,
como navalhas,
raspam a face do sistema
à custa alheia de trabalhos
o futuro espreita
no escaninho da vida
as demarches do tempo
os atalhos da saída
como uma farpa
que aponta, unânime,
para os canalhas
peças do engodo,
como navalhas,
raspam a face do sistema
à custa alheia de trabalhos
o futuro espreita
no escaninho da vida
as demarches do tempo
os atalhos da saída
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.