Das pugnas do eu lírico
o poema, ressabiado, em todos seus indícios, determina a Fidel não chegar a seus limites o eu lírico, onipotente, como obstáculo, põe nas entrelinhas todo seu sobressalto Fidel, desavisado, constrói poemas com o povo em seus braços
Poema de Circunstância VIII
no semáforo vermelho como uma manchete a menina estampa na face a fome que lhe resta debruçada na tristeza que publica pelos pulsos deixa-se estar inteira nos pedaços de seu susto e a vida ainda assim viceja em pedaços do futuro
Siá Luzia em áfricas intensas
Siá Luzia, temerosa, quando sorria espalhava áfricas nas faces do dia em suas panelas como gestos intensos desabrochavam vivos todos os desejos Siá Luzia era uma montanha na planície dos seus medos tudo que lhe tangia era a paz do seu enredo
Da arte em ritmos da história
sobraçando a arte o homem cogita de por-se alheio aos ritmos da vida sobe-lhe a ânsia de sentir-se único e deixar-se lúdico construindo o novo a arte, sorrateira, é só um retrato da construção de todos
Das vazōes intrínsecas do homem
nas costas do tempo, como uma ameaça, a vida dói nos homens pelas suas praças de seus desejos embrulhados em desculpas ressoam magras razōes e um certo quê de culpa tudo que lhes atiçam é o tempero da luta
Da genérica condição humana
minha marca é ser genérico nos sentimentos em que me meço dou-me à mim quando todos como um astronauta em coletivo vôo os voos da vida são o meu esforço em lançar-me no espaço como um alvoroço
Pátrias manhãs da fome
a manhã larga cabia pela praça como um aconchego da madrugada deitado, no colo da marquise, o homem consome a fome armazenada e retrata nos olhos nos palmos da crise uma pátria enxovalhada
Marinha com materna intrusão
os braços de minha mãe eram um porto resumido onde atracavam os navios que fui quando menino minha mãe, sorrindo, nascente dos meus mares tangia todo meu amor com o imã dos olhares eu deixei-me tanto pela vida que ainda nado nesses mares
Infinitos em curso
o céu nem desconfia dos pedaços de deus em suas vias espalhado no mundo, assim inconfesso, delata os infinitos que convivem o universo o céu é um recado exato da matéria em seu nexo
Das altitudes humanas
nos degraus da vida a escadaria mente subidas e descidas são apenas aparências tudo humano é planície naquilo que se sente as altitudes humanas são as montanhas do povo os picos largos da história com as artimanhas do novo
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.