nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Poema em flagrante lavra
o poema
perde a calma
tudo que o impede
dói na alma
e como dor
inventa a arma
de constranger verbos
em sua lavra
o poema é também fuzil
de detonar palavras
110
Feições em relato subjacente
o espelho
é quase um trânsito
entre o homem
e o seu espanto
ver-se,
um tanto outro,
no desfazer-se de egos
em alvoroço
o reflexo, às vezes, singra
descaminhos interiores
como uma nave alheia
de sentimentos e poses
é quase um trânsito
entre o homem
e o seu espanto
ver-se,
um tanto outro,
no desfazer-se de egos
em alvoroço
o reflexo, às vezes, singra
descaminhos interiores
como uma nave alheia
de sentimentos e poses
62
Litúrgica introspecção da vida
a vida profana
todos os sacros
em que se ama
e sacraliza em ondas
como chama
a cachoeira avulsa da esperança
viver é quase uma liturgia
nos altares de seus dramas
em que sacerdotes de si
os homens tecem sua dança
todos os sacros
em que se ama
e sacraliza em ondas
como chama
a cachoeira avulsa da esperança
viver é quase uma liturgia
nos altares de seus dramas
em que sacerdotes de si
os homens tecem sua dança
50
Das metragens do tempo em retrato
o tempo da história
como serpente
tramita todas as horas
numa estranha urgência
largo e descontraído
engole nossos minutos
e ri dos tamanhos
que pomos no futuro
a ânsia de cometê-lo
é só um desconforto
dos mares que navegamos
em busca de porto
81
Teatros em escala
as cortinas da vida
são palcos esquecidos
onde as coxias do mundo
ensaiam seus gritos
e viajantes da peça
cumprimos os compassos
das ações que nos deixam
atores sem espaço
o teatro do mundo
é um futuro esperado
são palcos esquecidos
onde as coxias do mundo
ensaiam seus gritos
e viajantes da peça
cumprimos os compassos
das ações que nos deixam
atores sem espaço
o teatro do mundo
é um futuro esperado
44
Das razões e freios do medo
das inflações do medo
rasuras do sujeito
dê-se tardes ao tempo
nas sanções do peito
deitá-lo na vontade
como um gesto largo
é ato dos movimentos
de mantê-lo estático
o mêdo é só um laço
que antecede nosso brado
reconhecê-lo é só início
é mantê-lo ultimado
rasuras do sujeito
dê-se tardes ao tempo
nas sanções do peito
deitá-lo na vontade
como um gesto largo
é ato dos movimentos
de mantê-lo estático
o mêdo é só um laço
que antecede nosso brado
reconhecê-lo é só início
é mantê-lo ultimado
72
Pássara evolução de aves e sonhos
o pássaro
nave consentida
projeta os céus
que os olhos sintam
no vôo
desejos são medidas
embrulhados nos ventos
ao redor da vida
os olhos, pássaros informes,
voam os sonhos todos que podem
nave consentida
projeta os céus
que os olhos sintam
no vôo
desejos são medidas
embrulhados nos ventos
ao redor da vida
os olhos, pássaros informes,
voam os sonhos todos que podem
72
Viagens de mim em simetria difusa
adredemente,
arquivo-me no mundo
como um decreto exato
dos gestos que pude
e viajo em mim
com o cheiro do futuro
nos mares que invento
nas penínsulas de tudo
ente, mandarim da vida,
invento os eus que consiga
51
Da intercorrência onírica da humana mercadoria
o trabalho
cheio do mundo, em sinergia,
rompe músculos e sonhos
em urgentes mais-valias
o homem, desapropriado,
producente investida
é um decreto intransigente
da recorrência da vida
o tempo só argumenta
os futuros em que vigia
como uma nave imensa
nas pistas oníricas do dia
cheio do mundo, em sinergia,
rompe músculos e sonhos
em urgentes mais-valias
o homem, desapropriado,
producente investida
é um decreto intransigente
da recorrência da vida
o tempo só argumenta
os futuros em que vigia
como uma nave imensa
nas pistas oníricas do dia
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.