Da notícia como fato avesso
a notícia, posta na vida, é apenas disfarce das embutidas razōes das tarefas de classe o conteúdo é uma forma avessa de alinhavar o pensamento em adrede pressa o fulcro da verdade é um caminho de avenças
Palavras e poemas em vazão
a palavra, sentida, salta do peito como um verso exato em que se deita o poema, contrafeito, arruma-se em verbos como se não fossem palavras seus trejeitos a confrontação, verbal e lúdica, nos aparatos de quem sente, é só um desacato da disputa
Terrena jornada
latifundiária de si a terra nem acredita das cercas que a consomem em larga investida e nos contrafortes dissemina-se em ondas inventando defesas em desatada vergonha a terra amarga os dias e nem lembra de que sonha essas nesgas do futuro em que estará risonha
Fala ao Lajedo de Pai Mateus
Mateus, solitário, nem imaginava que suas pedras, um dia, libertavam seu lajedo, ancestral, deu-se ao futuro como um estandarte cravado no mundo as pedras sempre falam da energia de tudo
Ode à Pedra do Rodeadouro
a pedra, em silhueta, como um encontro joga nos olhos o tempo e os sonhos finge um horizonte com o exato desalinho das árvores que teimam em deixá-la fingindo a pedra é, sobretudo, um tempo dormindo
Das crenças em alada fantasia
o homem dá-se ao rompante de fazer dos aléns seu horizonte garça metafórica, imune às asas, como voar as distâncias em que se declara? navegar o inexistente é o engodo da batalha
Completude unitária de todos
meu universo à contra luz do verso é o mesmo de todos em atos e gestos sonha-lo diferente é só um manifesto tudo é sempre todos mesmo que diverso
Geriátrica ilusão da vida
o menino, arredio, inventando o tempo, teimava em ser velho nas rugas do pensamento doía-lhe a juventude como um desacato a tudo que envelhecia em seus contratos o menino nem sabia, a contrassenso, que a velhice é uma juventude esquecida no tempo
Poema de circunstância marinha
o azul do mar reticente tangia jangadas e viventes de seus fardos de barco e de gente resumia-se uma alegria fugaz e displicente o peso da vida, na alma, era uma onda renitente
Genealógica fração de todos
transgrido a genealogia toda multidão é a família por tê-la na praça, pública e arredia, dê-se ao comício a exata serventia o homem é uma multidão de todos seus convivas
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.