Marinha com materna intrusão
os braços de minha mãe eram um porto resumido onde atracavam os navios que fui quando menino minha mãe, sorrindo, nascente dos meus mares tangia todo meu amor com o imã dos olhares eu deixei-me tanto pela vida que ainda nado nesses mares
Poema de circunstância XII
no frio fardo, envolto da cidade, o homem tarda em mostrar-se tarde o corpo, em ondas, pinça os ares árticos e desaba na fome com a morte nos braços a cidade nem percebe partirem seus pedaços
Sono em profusa travessia
meu sono é só jornada dos sonhos que enfio pela madrugada e de vê-la displicente tangendo impune o dia abraço seus recados em todas suas vias e lanço-me, farto, ao tempo com as oníricas iguarias
Futuros em estado ambíguo
meu método é sonhar o todo e deixar-me lúdico em cada fôlego o futuro assim cronometrado é um beco esvoaçante dos voos do passado viver apenas o presente é uma defasagem dos fatos
Poema de circunstância XI
assim descampado o sertão cogita em encher de tanto os p(c)actos da vida pula exausto nos ombros dos sentidos e declara em seu calor todos seus comícios o sertão é uma varanda larga dos recantos em que se agita
Da arte em ritmos da história
sobraçando a arte o homem cogita de por-se alheio aos ritmos da vida sobe-lhe a ânsia de sentir-se único e deixar-se lúdico construindo o novo a arte, sorrateira, é só um retrato da construção de todos
Das vazōes intrínsecas do homem
nas costas do tempo, como uma ameaça, a vida dói nos homens pelas suas praças de seus desejos embrulhados em desculpas ressoam magras razōes e um certo quê de culpa tudo que lhes atiçam é o tempero da luta
Poema de circunstância IX
dos olhos, nublados, escorriam chuvas como um temporal urgente de algumas culpas a fome tremia em ondas e das mãos, magras lanças, os ares enchiam a manhã de navios da desesperança o homem, esfaqueado pela vida, discursava pedidos numa triste dança
Da pátria grande desmedida
as pátrias são enredos soltos da universal conjugação da terra lúdica de todos vivê-la em construção é argamassa coletiva de quem se joga no tempo sem quaisquer medidas a pátria grande de todos é a verdadeira construção da vida
Infinitos em curso
o céu nem desconfia dos pedaços de deus em suas vias espalhado no mundo, assim inconfesso, delata os infinitos que convivem o universo o céu é um recado exato da matéria em seu nexo
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.