Lista de Poemas

Felicidade em auto construção

a felicidade
brinca de rio
nas cachoeiras que joga
nos ombros do riso

vivê-la
nos barcos que encerra
é construir em si
todas as caravelas

a felicidade é só um jeito
de abrir nossas janelas 
81

Nordeste em rabeca renitente

a rabeca
nem consente
em sentir-se um violino
incoerente 

a fala antiga
verbos medievais
pontua nordestes
pelos quintais 

a rabeca é um informe
plantado dos ancestrais
43

Beja-flor em sedução itinerante

o beija-flor em seus voos,
como nave itinerante,
nunca se diz bailarino
dos palcos em que ande

consultor de flores,
navega substâncias
como um intenso sedutor
nessa urgente trança

o beija flor apenas engravida
as flores em que dança
85

Raios da manhã em pátria avessa

a manhã
nasce lacônica
nos restos de noite
que ainda sonha

na varanda
o homem fita o tempo
desembrulhando a vontade
como argumento

nas nuvens, a pátria despeja
uma paisagem grávida
de contratempos e de perdas
30

Bachelard em prompt mínimo

Bachelard
já pressentia
que na origem do nada
tudo havia 

a criação
era só desritmia
entre o inverso do tudo
que o infinito dizia 

ou era só um tempo
que tudo admitia 
120

Vivências

o inconsciente
é ciência exata
tudo que lhe afasta
sempre falta 

filogênico
o homem exala
todos os detalhes
da coletiva fala 

ontogênico
deixa-se único
do exato dedilhar
de viver-se músico
95

Certame da vida

a bola
nem sabe
do povo que a leva
na vontade 

faminta
a multidão chuta
todas as razões
e todas as culpas 

o futebol repete
a necessida da luta 
72

Enxada em lavratura mansa

a enxada repetindo a terra
em contraçōes avulsas
espalha o suor do homem
nos roçados das culpas

agrária e informe
como um pássaro estático
voa nas mãos do homem
as terras todas que prolata

a enxada nem se dá conta
dos tratores que traz na alma
e que perduram nos sonhos
que o camponês afaga
35

Pantomima em humana cena

no palco
a farsa empolga
todas as verdades
que na coxia elabora

a cada ato
como uma corrente
o teatro constrói diverso
os palcos todos da gente

o ator é uma cachoeira
dos atos de quem sente
74

Da alma e do desejo em claves

a alma
é uma pátria intensa
todas as fronteiras
avançam limites
pela consciência

o desejo
é uma pátria avulsa
todos seus poderes
a vontade pulsa

a alma e o desejo
são apenas partituras
49

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.