Lista de Poemas

Das pontuais dívidas das horas

o relógio
nem sentia
as horas que levava
pelos dias

antes, pressentia
ponteiros reticentes
quando atrasava minutos
em horas displicentes

o relógio só desconta
uma dívida corrente
116

Das temperanças do tempo

nos risos da face
eis o tamanho da luta:
acoitar o tempo
e lavrar as rugas
nas certezas transitórias
e no enxame de dúvidas

tramar os impossíveis
quando o possível ajude
108

Dia da poesia em rápido transe

a poesia
solta pelo dia
pousa nos verbos
que dizia

palavras 
em gestos esvoaçantes
transitam emoções
poetas e significantes

o verbo
tenso e perdulário
nem se apercebe
do calendário
91

Da lua em exata miragem

lambendo o céu,
viajante de luzes
a lua inventa um tempo
no meio das nuvens

e resvala no mundo
como uma vontade
embrulhada nos braços
de todos os olhares

a lua nem se dá conta
dos abraços em que cabe
44

Frevo em demandas e vias

o frevo escorrendo
no peito da avenida
é cordilheira de alvoroço
nas correntezas da vida

é assim um absurdo
desenhado nos sentidos
de quem calcula no passo
os limites do infinito

o frevo esquece nas ruas
os sonhos que consiga
108

Dos caminhares da vida

a vida transcorre
num conjunto complexo
entre mim, o outro e o futuro
nuns agoras dispersos

unir como transeuntes
todos os convivas
é espalhar pelo peito
as continências da lida

caminhar o viver
é viagem consentida
88

Da virtual incandescência dos fatos

a marcha virtual
da-se à tecnologia
como um voo rasante
de aeronaves sem vias

etereamente composta
brinca de realidade
nos debruns que desenha
em cérebros e cidades

nuvem de gigabytes
é fantasia da liberdade
de fatos que apenas resvalam
nas composturas da verdade
111

Das linhas em horizontes postos

o horizonte
é uma linha intrusa
tudo que lhe traça
é intensidade da luta 

vê-la assim tão firme
nos olhos e na mente
constrói as dúvidas
e um futuro reticente 

melhor vivê-lo transeunte
dos futuros urgentes
72

Espiritual demarche

o espírito
concreto invólucro
caminha a vida
em nosso colo

deitá-lo em risos
em praças e ruas
é entorná-lo unânime
nessa aventura

vivê-lo assim adredemente
é o sentido exato da luta
90

Das ranhuras do grito e suas vias

esquecido na garganta
como grito
o verbo entristece
seu sentido

fazê-lo ressoar
é não dar-se ao crédito
de montá-lo como palavra
nos silêncios que meça

eis que cabe a todo homem
mostrar-se à paz de cada verbo
89

Comentários (10)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.