Gestação informe de modos
e como fora trazido às pulsaçōes do fato deu-se o homem a crescer em todo seu estado ao dar-se às pernas para conduzi-lo libertou as mãos e todos seus artifícios e desse engenhar-se, como costume, nasceu essa avença com o infinito
Resenha corrente
a vida sangra as horas como uma descarga na história o tempo sentido a desoras argamassa o processo de vida da memória o fascismo apodrece em todas as portas
Poema em trânsito versejante
no papel, debruçado em sua lavra o poema entorna, lúdico, todas as falas os verbos que alinha nos rasantes e na calma sobrevoam os desejos aflorados nas palavras as que venham do verso as que estejam na alma
Poema de Circunstância VIII
no semáforo vermelho como uma manchete a menina estampa na face a fome que lhe resta debruçada na tristeza que publica pelos pulsos deixa-se estar inteira nos pedaços de seu susto e a vida ainda assim viceja em pedaços do futuro
Das pugnas do eu lírico
o poema, ressabiado, em todos seus indícios, determina a Fidel não chegar a seus limites o eu lírico, onipotente, como obstáculo, põe nas entrelinhas todo seu sobressalto Fidel, desavisado, constrói poemas com o povo em seus braços
Das correntezas da vida
o aplicativo é estar consigo todas as horas que persiga e dar-se a tantos no condomínio de construir a história como destino e mergulhar no tempo e abraçar os caminhos
Do retórico medo da alma
meus medos, assim rompidos, deixam-me humano corrente e vivido te-los guardados nos desvãos da fala esconde os comícios que se tem na alma tanger o medo nas ruas é um dever da palavra
Famélica intrusão
a fome corta a alma como um precipício tudo que lhe tange é um desejo infinito dói nas ruas como uma ferida urbana construída nas fissuras de sistemas e de tramas a fome é o solstício da inexatidão humana
Da Praça Vermelha em memória
na Praça Vermelha bordava-se um tempo espalhado nos passos e nos pensamentos Lenin, um tanto arredio, dormia na história perscrutando as emoções criadas pela memória a Praça Vermelha compulsava todos os sonhos à sua volta
Das africanas invençōes da vida
negra, aérea e plástica a capoeira desenha todas as Áfricas vividas em que se contenha desenhando seu corpo, o capoeira, pássaro nato, borda o desejo no tempo nos ombros do espaço a África inventa-se no mundo como uma rosa perdulária
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.