Quântico ritmo da vivência
algoritmo quântico, a vida braveja as certezas e incertezas nas vias em que esteja dizê-la farta, recorrente, em sua trajetória é fazê-la palco do tempo dos atos e da história a física exata da vida é um programa enorme
Procissão em transe
no andor, circunspecta, a santa balançava jogando pedaços de milagre que a multidão adivinhava a passeata transitava tangendo as consciências, afagando o peito de todos em devidas providências os santos assim viajantes decretam-se pela ausência e a vontade quase expressa de permitir a obediência
Das intempéries dos fatos
o acaso é só um salto que a vida inventa pelos fatos surpreso e crente nos limites da alma o homem calcula os alheios dessa prática o acaso é só um modo da vida dar-se aos fatos
Vívidos ensaios da existência
os ensaios da vida restam no tempo como um exercício tenaz dos sentimentos querer-se todos nas asas da liberdade é consumir a manhã nas costas da tarde ensaiar a vida é vivê-la à vontade
Dos infantes saltos em pluvial disputa
do alto da ponte como um bólide humano o menino abraça o rio desfazendo horizontes a infância, recatada, drapeja aventuras na afoita resistência da necessidade da disputa o rio era só o lençol que cobria nossa luta
Correntes do tempo
a curva das horas montadas nos ponteiros ressoa pela ânsia de ver-se timoneiro e dirigir esses mares das profundezas do peito a vontade, marinheira, destaca todos os navios atracados na certeza de que lança-los no mundo, como um ato coletivo, é a melhor correnteza.
Dos foguetes em sideral floresta
no espaço, como uma flecha, o foguete desenha uma indígena gesta na mata sideral corta o infinito como um pássaro veloz e decidido o homem alinhava o universo nas razões a que se permite
Dos vindouros concertos
quando a vida, estiver em solo abra todos os compassos com o tempo a tiracolo como se o refrão desenhasse as permanências do óbvio tanger o tempo nos fatos como se fora um introito do concerto de todos abraçados à história
Das itinerâncias do verbo
o verbo, grávido, desmaiado no comício inunda os ouvidos como um precipício engolindo as palavras a multidão, contrita, como um vendaval varre a avenida os homens bebem o palco e sonham, militando a vida
Indígena fração do mundo
perfilado o índigena gritava todas as selvas em que se sonhava de seus olhos chovia o gesto de perscrutar o mundo como manifesto o indígena guardava em si, como um panfleto, a origem exata do universo
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.