nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Das guerras em civis milícias
civil, dou-me à guerra
tão militarmente
que a farda da alma
é uma desculpa aparente
militar, dou-me à paz
tão civilmente
que os canhōes do peito
explodem sentimentos
soldado ou paisano
guerreio a paz
com a vida nos dentes
tão militarmente
que a farda da alma
é uma desculpa aparente
militar, dou-me à paz
tão civilmente
que os canhōes do peito
explodem sentimentos
soldado ou paisano
guerreio a paz
com a vida nos dentes
123
Paisagem em memória
na escuridão
o olho comenta
os azuis que possa
em larga cena
é um sentir
em que se trama
afundar a alma
na esperança
como se fora a vista
uma eterna dança
no palco irrestrito
da lembrança
o olho comenta
os azuis que possa
em larga cena
é um sentir
em que se trama
afundar a alma
na esperança
como se fora a vista
uma eterna dança
no palco irrestrito
da lembrança
96
Sentidos rurais em franco senso
rural e baldia
a paisagem fixa
os limites do infinito,
da paz e da vida
indígena e original
como uma ventania
tange os olhos do povo
pelos ombros do dia
a terra é um grande comício
de todas as alegrias
a paisagem fixa
os limites do infinito,
da paz e da vida
indígena e original
como uma ventania
tange os olhos do povo
pelos ombros do dia
a terra é um grande comício
de todas as alegrias
47
Do amor em fundamento dado
o amor,
mais que desejo
é pedra fundamental
do nosso enredo
vive-lo pleno,
nos humanos atos,
é borda-lo pela vida
em todos alinhavos
amar é costurar um mundo
com todas as linhas do afago
mais que desejo
é pedra fundamental
do nosso enredo
vive-lo pleno,
nos humanos atos,
é borda-lo pela vida
em todos alinhavos
amar é costurar um mundo
com todas as linhas do afago
53
Mundana caminhada em sistêmica ruína
o sistema
regurgita
um lucro insano,
parasita
a terra
irmã estremecida
alinhava o direito irmão
de manter a vida
e o mundo estertora
ao encontro da saída
regurgita
um lucro insano,
parasita
a terra
irmã estremecida
alinhava o direito irmão
de manter a vida
e o mundo estertora
ao encontro da saída
62
Código em resumo presente
o código
é só um indício
da divisão dos homens
em artigos
cláusula imposta
por vontades mínimas
codifica a fome
nas entrelinhas
civil, nas alíneas dito,
militariza o tempo,
como um urbano ofício
é só um indício
da divisão dos homens
em artigos
cláusula imposta
por vontades mínimas
codifica a fome
nas entrelinhas
civil, nas alíneas dito,
militariza o tempo,
como um urbano ofício
71
tráfego recorrente
transeuntes das almas
a multidão caminha
todas as calçadas
em todas as rinhas
as que iludam os passos,
as que trafeguem a vida
os limites são os pulos
que a história decida
a multidão caminha
todas as calçadas
em todas as rinhas
as que iludam os passos,
as que trafeguem a vida
os limites são os pulos
que a história decida
36
habeas corpus em auto sentença
os habeas corpus
que me concedo
dizem das prisões
nas muralhas do medo
e saio ao tempo,
diverso e incólume,
quando o humano,
debruçado em mim, resolve-se
meu tribunal é a vontade
de libertar todos meus modos
que me concedo
dizem das prisões
nas muralhas do medo
e saio ao tempo,
diverso e incólume,
quando o humano,
debruçado em mim, resolve-se
meu tribunal é a vontade
de libertar todos meus modos
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.