Lista de Poemas

Das guerras em civis milícias

civil, dou-me à guerra
tão militarmente
que a farda da alma
é uma desculpa aparente

militar, dou-me à paz
tão civilmente
que os canhōes do peito
explodem sentimentos

soldado ou paisano
guerreio a paz
com a vida nos dentes
123

Paisagem em memória

na escuridão
o olho comenta
os azuis que possa
em larga cena

é um sentir
em que se trama
afundar a alma
na esperança
como se fora a vista
uma eterna dança
no palco irrestrito
da lembrança
96

Sentidos rurais em franco senso

rural e baldia
a paisagem fixa
os limites do infinito,
da paz e da vida

indígena e original
como uma ventania
tange os olhos do povo
pelos ombros do dia

a terra é um grande comício
de todas as alegrias
47

Do amor em fundamento dado

o amor,
mais que desejo
é pedra fundamental
do nosso enredo

vive-lo pleno,
nos humanos atos,
é borda-lo pela vida
em todos alinhavos

amar é costurar um mundo
com todas as linhas do afago
53

Mundana caminhada em sistêmica ruína

o sistema 
regurgita
um lucro insano,
parasita

a terra
irmã estremecida
alinhava o direito irmão
de manter a vida

e o mundo estertora
ao encontro da saída
62

Código em resumo presente

o código
é só um indício
da divisão dos homens
em artigos

cláusula imposta
por vontades mínimas
codifica a fome
nas entrelinhas

civil, nas alíneas dito,
militariza o tempo,
como um urbano ofício
71

tráfego recorrente

transeuntes das almas
a multidão caminha
todas as calçadas
em todas as rinhas
as que iludam os passos,
as que trafeguem a vida

os limites são os pulos
que a história decida
36

habeas corpus em auto sentença

os habeas corpus
que me concedo
dizem das prisões
nas muralhas do medo

e saio ao tempo, 
diverso e incólume,
quando o humano,
debruçado em mim, resolve-se

meu tribunal é a vontade
de libertar todos meus modos 
82

Infantes reminiscências

o menino, 
ensimesmado,
via na lua 
um sol envergonhado 

a  intimidade do céu
em que a pipa voava
fazia do dia um espaço
a que se abraçava 

a noite deixava escura
as pipas de sua alma
81

Provecta ilação de facial mirada

os dizeres do tempo
espalhados na idade
discursam  a vazão
das tecituras da face

intestinas horas
armazenadas na luta
desenham seus favores
no fontispício das rugas

o tempo esquece na face
todas suas procuras 
83

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.