Correntes do tempo
a curva das horas montadas nos ponteiros ressoa pela ânsia de ver-se timoneiro e dirigir esses mares das profundezas do peito a vontade, marinheira, destaca todos os navios atracados na certeza de que lança-los no mundo, como um ato coletivo, é a melhor correnteza.
Poema em mansa beligerância
o poema em riste, como uma centelha tramita todos os verbos pela incerteza roldão de palavras, da-se ao esforço de atiçar no poeta um certo alvoroço o poema é um levante das ruas em que se diga guardadas as proporções do verso, do poeta e da vida
Da genérica mudança
tudo habita em mim no panorama manifesto que a matéria guarda em si em sua máscara genérica e dou-me ao geral quando, disperso, deixo de estar nas sinapses em que me esqueço a morte é só um desalinhar-se da genérica função do que, hoje, teço
Junguiana pretensão
Jung, pensativo, tramava ancestres com a firme convicção de suas messes seu livro, atirado no juízo, desmontava o moderno em que me tive Jung inventou-me antecedente das vidas em que estive
Do futuro como ato
no avarandado da alma nos largos da lembrança o homem sonha o futuro deitado na esperança os terraços do tempo dão-se a um caminhar militante quando os corredores do corpo constroem avulsos instantes conjugar-se aos tempos é um espalhar-se constante
Do infante exercício onírico
adormecida a menina sonhava e deixava cair, aos pedaços, o sonho pela casa de seus olhos, entreabertos, brotava um onírico manifesto dos risos que construía entre o sono e a vigília transbordava pelo rosto a plenitude da vida
Do trânsito em corrente medida
no trânsito, engarrafado, do tempo e da vida restam as léguas de si e os metros das investidas dizê-lo corrente em conforme discurso é traze-lo controlado nas rédeas do uso o trânsito da vida é uma avenida do futuro
Quântico ritmo da vivência
algoritmo quântico, a vida braveja as certezas e incertezas nas vias em que esteja dizê-la farta, recorrente, em sua trajetória é fazê-la palco do tempo dos atos e da história a física exata da vida é um programa enorme
Reportagem interna corporis
repórter da vida a consciência publica todas as culpas em todas as notícias em manchetes, como um vendaval, estampa pela face letras garrafais a leitura do tempo é um recado a mais
Formais enredos da razão
laico, deus cogita em trazer-se fático pela vida enérgico, dá-se à equação de ter-se quântico na razão deus tramita o mêdo com a culpa à mão
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.