AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
314 667 Visualizações

Guardados

o mar nem sente
do despejar as ondas
acorda os rios da gente
essa vontade inata
transbordar o que se sente
jeito apressado
de esconder-se do tempo
o mar
ilações que permite
solta as emoções
de nossos cabides
os que sustentam o alegre
os que guardam o triste

Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3642

Tempos em vagas

quando as tardes
dormirem as manhãs
e derramarem-se nas noites
como um tempo claro
tenham os homens a noção,
adredemente arquitetada,
de que as horas teimam o mundo
nos coletivos que declara
nada será uno e tanto
sem a luta que se trava
73

Constâncias do tudo

o universo não cresce
assim quando muda
e enseja corridas
nos telescópios do mundo

o infinito parece aumentar
quando se arruma
e despeja pelos ares
os eletrons que conjuga

dizê-lo como crescente
é só uma desculpa
70

A Josefa Ferreira da Silva, centenária

Petinha, olhando ao léu,
no arco do seu corpo,
carregava quilos de tempo
e um certo alvoroço

dava-se a ver o futuro
voando todas as horas 
como se a tela do muro
fosse uma imensa gaivota

Petinha media o passado
com o futuro nos olhos
150

Procissão em transe

no andor, circunspecta,
a santa balançava
jogando pedaços de milagre
que a multidão adivinhava

a passeata transitava
tangendo as consciências,
afagando o peito de todos
em devidas providências

os santos assim viajantes
decretam-se pela ausência
e a vontade quase expressa
de permitir a obediência
76

Moncada em vazão constante

Moncada, rebelde,
apenas lava
as costas da liberdade
dentro da alma

nas ilhas do tempo
como uma garça
a honra humana voa
em todas as praças

Moncada apenas dorme
nos ombros de quem marcha
70

Dos foguetes em sideral floresta

no espaço,
como uma flecha,
o foguete desenha
uma indígena gesta

na mata sideral
corta o infinito
como um pássaro
veloz e decidido

o homem alinhava o universo
nas razões a que se permite
32

Dos infantes saltos em pluvial disputa

do alto da ponte
como um bólide humano
o menino abraça o rio
desfazendo horizontes

a infância, recatada,
drapeja aventuras
na afoita resistência
da necessidade da disputa

o rio era só o lençol
que cobria nossa luta
110

Divagação em torno da mudança

e quando viram a manhã
desenrolar-se da noite
os homens amanheceram
todos seus pernoites

romperam o céu
em todas suas frestas
e construíram a manhã
da coletiva gesta

as auroras da história
são um tempo de festa
99

Etílicas refregas

etílico
deixo-me nos bares
nos sonhos que invento
nos copos, pelas tardes

onírico
dou-me à vida
como uma realidade
proposta e definida

nada como sonhar
os caminhos dessa briga
110

Escaramuças de partes

o todo
escondido na parte
deixa resquícios
por onde passe

é que infinitos
brincam de pedaços
quando a razão habita
os ombros dos fatos

viver como tudo
é só habitar esses lapsos
111

Comentários (8)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado