Lista de Poemas

Baobá em remissão fecunda

assim cerzido à paisagem
como um descuido do tempo
o baobá entoa seu farfalhar
nos braços mornos do vento

a áfrica que traz em si
nas energias que comenta
remonta o inventário
de todas suas lendas

e abraçando, intenso, o homem
joga-lhe paz na consciência 
 

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Indígena jornada em vívida gestão

indígena
marcha a vida,
aos ombros do futuro,
como dívida

grávida e pública,
ao tentar-se livre,
dá-se à condição
de ter-se simples

a vida é uma razão infante
adormecendo sua crise
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Vivências em sentido largo

na vã dosimetria
de avaliar os percalços
tudo que seja história
está delimitado

a vida ainda flui
apesar do descompasso
nesse emaranhado brusco
entre o futuro e o passado

viver é tanto sempre
nunca um desabraço
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Cósmico bailado

a bailarina
voando em vão
é um astronauta tardio
desenhando o chão

seu impulso cósmico
entornando o espaço
lança todos os olhos 
no colo de seus braços

a dançarina é um asteróide
flutuando em seus sapatos
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Concerto em auto gestão

no concerto da vida
em meio aos sustenidos
há que haver os bemóis
de todos os sentidos

a regência do ritmo
na batuta do tempo
há que juntar os pespontos
das amarguras do peito

no mais é montar no som
e derramar-se por inteiro 
26

Da africana Nyakim, modelo e graça

Nyakim, desfilando
as áfricas que consinta
é uma noite acampada
nos braços da vida

e o mundo primevo
gravado na sua face
delata toda a origem
do humano desenlace

Nyakim transita no tempo
como um africano disfarce 
60

Das temporais medidas do mundo e da vida

ao tempo
dê-se a insistência
de ter-se no  espaço 
até na ausência

tudo que lhe ocupa
é a constatação e o rito
de teimar em ser medido
pelas réguas do infinito

o tempo é só um discurso
das léguas em que habita
120

Do humano tráfego

trafegar a vida
em trânsito largo
é deixar-se avulso
no tempo e no espaço

medir as curvas
com empatia,
nos atalhos profundos
construir avenidas

o curso do humano
é uma coletiva medida
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Trajetos em escala própria

não haverá semáforos
nas esquinas da vida
a encruzilhada é a possibilidade
de avulsas alternativas 

tudo em que se caminha à paz
é de complexa partida
transcende o simples trajeto
de parecer-se incontida 

suster os fardos do rumo,
quantificar as investidas,
derramar o presente no futuro,
tudo é habitar-se sem medidas
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Da prevalência real da conjuntura

a ação
alardeada apenas na vontade
consome todos os fatos
como vã realidade

a ânsia,
vestida de verdade,
constrói apenas fugas
dos caminhos da tarde

abraçar o real
é um exercício sem alardes
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.