o camponês nas terras que lavra enterra razōes em sua alma
a enxada é uma caneta avara que escreve suores em urgentes falas
o camponês nem sente o tamanho dessas páginas a terra é só um discurso das sementes que instaura
83
Das legalidades em avesso trânsito
direitos e humanos, o sistema trucida, na farsa legal de sua investida
do cont(r)ato coletivo a norma decreta todas as sem razōes engravidadas na gesta
a lei apenas consolida as vontades encobertas e as retrata como coletivas nas clausuras manifestas
104
Procissão em agudo transe
o mundo dói como uma farpa que aponta, unânime, para os canalhas
peças do engodo, como navalhas, raspam a face do sistema à custa alheia de trabalhos
o futuro espreita no escaninho da vida as demarches do tempo os atalhos da saída
94
Do balançar dos gestos em rasante rebeldia
dos ventos tenha-se a compostura de espalhar o tempo no vão das lutas
brisa e furacão, adredemente, como se fora aurora de todos os poentes
a vida é um vagão de todos os trilhos que consente
60
Florestais reincidências em contínua vazão
a mata grávida de tanto aborta aos poucos gritos de carbono
indigena, o tempo regurgita, nos ombros das árvores, folhas, mercúrio e notícias
em cada desvão do mundo o crime desaba a vida
59
Vivência em desatado prumo
o verdadeiro estratagema é sentir o que se pensa deitando o verbo no fato nos rios da consciência e desembocar no tempo como uma hora indivisa que junta todos a tudo nos cobertores da vida
72
Das sirenes declaradas na praça em reminiscência
as sirenes, em gritos, narravam apenas o zumbido dos fatos em adrede urgência
na praça onde verbos eram atos as palavras açoitavam as urgências dos fatos
e no leito da vida, no contorno da disputa havia um gosto do futuro e as certezas da luta
45
Do poema em fluvial deslize
o poema não é um rio sua correnteza é fictícia tudo que lhe navega são os verbos da vida suas cachoeiras nessa empreitada são os vulcōes verbais embrulhados nas palavras entornam a poesia como uma jornada daquilo que se sente quando o tempo fala e joga sentimentos no colo da alma
78
Pequena introspecção voluntária
flagro em atos todos os desejos em que me basto
aqueles que ainda perco aqueles que somente acho
a estrada de tê-los é fazê-los tantos e exatos que me deixem vivê-los nas réguas do que caibo
84
Das divinas criaçōes humanas
dos céus que cria no colo da alma o homem delata o sujeito e o drama de repetir-se criador e criatura da trama tudo que lhe importa é a ilusão da alheia chama
os deuses que prolata decretam seu engano e percorrem, quase divinos, as facetas de humano
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.