Lista de Poemas

Volitiva feição com futuro em curso

a vontade
é só um distrato
entre a inércia
e o fato

querê-la fundamento
de conjunturas
é descontruir os atos
no correr da luta

o futuro só dispara
na concretude do custo
de aliar o tempo ao espaço
quando traçamos seu curso
89

Do todo e suas minúcias

o fato
como um todo
detem minúcias
nos seus modos

vê-las soltas
do plural conjunto
é não percebe-las
parte do mundo

não basta a vontade
para lutá-las como tudo
37

Dupla inspiração da fantasia vital

os verbos
não assustam
quando discursam fartos
a disputa

os gritos
tangem os enganos
das pazes que trazemos
em culpas e planos

a luta é fantasia da vida
e um tanger infindo dos anos
45

Das dores do mundo em vias de levante

o mundo
é tão flagrante
que chega a doer
quando distante

resolvê-lo como comum
numa razão constante
é percebê-lo uno
em nossa circunstância

tudo que o leva
é a certeza do levante
49

Capoeira em registro largo


no avesso da armada
o capoeira descobre
todas as abcissas
que seu passado recolhe

e habitando o passado
cerzido, assim, ao presente
inventa todo o futuro
no povo que lhe consente

olhando as gingas do tempo
nas meias-luas de frente
82

Da vida em lato paradigma

o paradigma
é estar vivendo
com a vida

tê-la solta
num desvão dos sentidos
é vivê-la à meias
em todos seus indícios

a vida é o embrulho exato
dos infinitos exercidos
85

Da informação

a informação perscruta
e finge-se à tarefa
de delatar verdades 
em doses manifestas

parte inconsútil
como um escasso teorema
em que o fato nem importa
como raiz e problema

o sentido é a norma
de mantê-la irrestrita
em todos os quadrantes
em que se tem política
21

Viagens rasantes em coletiva ação

das vezes que fujo
dos contornos do ego
deixo-me completo
nos mares que velejo

e deixo-me exato,
habitante do que vivo
nas diferenças humanas,
como um ser coletivo

as viagens todas de mim
são o tempo que habito
80

Dos metanegócios em rasantes bytes

virtual,
a notícia
deixa-se à margem
do sujeito e da vida

o metauniverso
franzindo a verdade
arrota cifrōes e megabytes
pelo  vão das cidades

e o homem, retirante da terra,
conta só os bits jogados na tela
53

Geografia de mim

quando choro
dou-me por rio
em busca dos mares
em que sorrio

meu riso
é um mar aberto
com todas as penínsulas
em que me confesso

meus sentimentos
são uma geografia de gestos
77

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.